Salvador, 26 de julho de 2026
Editor: Chico Araújo

Investimentos do Governo do Estado no setor audiovisual ultrapassam R$ 150 milhões

O Governo do Estado investe mais de R$ 150 milhões em projetos e editais voltados à produção audiovisual. Conduzida pela Secretaria Estadual de Cultura (SecultBA), a política de apoio ao setor contempla iniciativas selecionadas por meio da Lei Paulo Gustavo, investimentos em manutenção de salas de cinema e promoção de circuitos de exibição de cinema.
Um exemplo deste investimento é a realização da 20ª edição do Panorama Internacional Coisa de Cinema, o mais antigo festival de cinema em atividade na Bahia, que teve início nesta quarta-feira (02) e segue até 9 de abril. O evento leva às salas de cinema de Salvador e Cachoeira uma programação com mais de 100 filmes, divididos em mostras competitivas e não competitivas, sessões especiais, oficinas, laboratórios e debates com cineastas.
A abertura do festival contou com a participação do secretário de Cultura do Estado da Bahia, Bruno Monteiro, em uma mesa que discutiu os desafios para aumentar a adesão do público aos filmes nacionais. O debate foi mediado pelo diretor do Cine Glauber Rocha, Cláudio Marques, e teve a participação da secretária do audiovisual do Ministério da Cultura (Minc), Joelma Gonzaga, e do presidente da Fundação Gregório de Matos (FGM), Fernando Guerreiro.
O secretário Bruno Monteiro tratou sobre a importância de refletir não somente sobre a produção audiovisual, mas também na exibição destes produtos. “Precisamos pensar em medidas como benefícios fiscais para exibição de filmes nacionais, cobrança de valores de bilheteria diferenciada, campanhas de marketing mais ofensivas e de uma organização mais elaborada do calendário de exibição desses filmes como forma de impulsionamento”.
Ainda de acordo com o secretário, é necessário pensar na formação de novos públicos: “Temos desenvolvido ações com a Secretaria da Educação e promovido exibições em praças e ambientes abertos com o intuito de criar na população o encantamento com o audiovisual. As pessoas precisam sentir que o cinema é um espaço acolhedor”.
Outra iniciativa importante do Governo é a Bahia Filmes, primeira empresa pública estadual de audiovisual do Brasil, criada este ano com o objetivo de fortalecer e impulsionar o setor audiovisual na no estado. A iniciativa representa um marco para o audiovisual baiano, com o potencial de gerar desenvolvimento econômico e cultural, além de projetar a Bahia como um importante polo audiovisual no cenário nacional e internacional.
“A Bahia Filmes vem para organizar a cadeia do audiovisual. A gente não pode pensar em uma empresa desta dimensão somente para fomentar a produção. Nós temos que pensar na difusão da produção do cinema baiano, porque vivemos em um estado rico, do ponto de vista cultural, identitário, com produções tão relevantes e precisamos que essas histórias sejam cada vez mais de conhecimento, de domínio e de apropriação por parte do público”.
Fernando Guerreiro defendeu a importância de existir o que ele chamou de tempo maior de “maturação” do filme nos cinemas. “É necessária uma cláusula dentro dos editais que normatize as distribuições. É preciso que se defina um prazo mínimo para que o produto cinematográfico seja visto no cinema e, só depois, seja disponibilizado nos streamings ”, afirmou.
Já Joelma Gonzaga elencou algumas medidas que estão sendo pensadas pelo Ministério da Cultura para que a maioria do que é produzido pelo segmento do audiovisual chegue até o grande público. “O que está sendo pensado é uma campanha perene que promova o encontro ou o reencontro do brasileiro com o cinema. Além disso, estamos refletindo sobre a mensuração de bilheteria. O público que comparece aos festivais e aos cineclubes não é contabilizado”, completou.
RECURSOS – O Governo do Estado da Bahia tem sido parceiro do Panorama Internacional Coisa de Cinema, apoiando 11 das 20 edições por meio do Fundo de Cultura da Bahia e do Edital de Apoio a Eventos Culturais Calendarizados da SecultBA. O financiamento, de caráter plurianual, garante a estabilidade de eventos consolidados como o festival. No total, já foram investidos R$ 1,6 milhões na realização do evento.
Por meio da Lei Paulo Gustavo (LPG), da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e de demais iniciativas, estão em vigência editais que contemplam três áreas do segmento audiovisual: Exibição Cinematográfica; Salas de Cinema e Espaços Vocacionados; e Cineclubes, mostras, festivais e eventos.
No edital PG04, por exemplo, que é voltado para Exibição Cinematográfica, 20 projetos foram selecionados nas categorias circuito itinerante, salas de cinema e/ou equipamentos vocacionados, espaços de exibição e salas de cinema. Foram investidos R$ 6,2 milhões, com destaque para os projetos de manutenção das salas de cinema do Cine Glauber Rocha e do Circuito Sala de Arte, em Salvador, além da modernização do Cine Teatro Orion, em Itamaraju.
Em outro edital, o PG05, foram contemplados quatro projetos nas linhas Salas de Cinema e Equipamentos Vocacionados, totalizando um aporte de R$ 8 milhões. A partir dele, salas como Walter da Silveira e Alexandre Robatto, geridas pela Diretoria de Audiovisual da Fundação Cultural do Estado (Funceb), receberam requalificação técnica com a compra de equipamentos novos, desde projetores de imagem a equipamentos de som e itens de acessibilidade. O mesmo chamamento contemplou a instalação de equipamentos de exibição em 13 espaços culturais geridos pela SecultBA e localizados em bairros periféricos de Salvador e no interior do estado.
O edital PG08, por sua vez, contempla subsídios para a realização de 72 eventos com o audiovisual como temática, a exemplo de mostras, festivais e cineclubes. Neste edital, foram investidos R$ 3,7 milhões em recursos que vão financiar projetos e iniciativas que promovem, dentre outros eventos relacionados ao tema, mostras e festivais de cinema em escolas públicas do estado.
SALA WALTER DA SILVEIRA – Os dois últimos anos marcaram a retomada do funcionamento da Sala Walter da Silveira, único espaço público de difusão inteiramente dedicado ao audiovisual em atividade no Estado da Bahia. Em 2023, a sala foi reaberta completamente requalificada e, no ano seguinte, recebeu requalificação técnica, manutenção e cessão de pautas para contemplados pelos editais da Lei Paulo Gustavo. O investimento chega a R$1,6 milhão.
Para 2025, estão programados quatro eventos na Sala Walter da Silveira: a Sessão do Panorama Internacional Coisa de Cinema, a Mostra Itinerante Mahomed Bamba, a Mostra Lugar de Mulher no Cinema e a Mostra em Parceria com a Cinemateca Brasileira.
Outro espaço que foi completamente revitalizado e incluído no circuito de salas de cinema foi o Cine Teatro 2 de Julho. Fundado em 1969, o local passou por uma completa requalificação e retomou o funcionamento em 2024. Após as obras, foi entregue à população uma nova estrutura modernizada e ampliada, equipada com tecnologia avançada. Foram aportados R$ 8,9 milhões para atualização de equipamentos e melhoria da infraestrutura física do teatro.
Atualmente, o Cine Teatro conta com um projeto de isolamento acústico, sistema de ar condicionado, equipamentos de iluminação cênica, um projetor de cinema de alta definição e a maior tela de projeção retrátil da Bahia. A capacidade do local foi expandida para 171 lugares, incluindo espaços adaptados para pessoas com deficiência.
A modernização também incluiu a construção de um café restaurante, áreas de convivência, banheiros adaptados e a instalação de um novo sistema de combate a incêndios. Na revitalização, foi realizada a substituição da antiga estrutura de muro de concreto por vidros, para facilitar a integração do espaço com a comunidade.
Ainda como parte da política pública do audiovisual do Estado, foi criado o circuito Luiz Orlando de Exibição Audiovisual, que promove sessões em escolas públicas estaduais e outros pontos de exibição na capital e no interior do estado. Além de ampliar o acesso ao audiovisual, a iniciativa visa estimular a reflexão sobre temas contemporâneos por meio da linguagem cinematográfica. O circuito já atingiu 125 pontos de exibição em 102 municípios.
De acordo com o secretário Bruno Monteiro, um dos grandes desafios para o audiovisual atualmente é atrair o público para as salas de cinema. “Este não é um problema exclusivo de um estado ou cidade, mas que reflete uma questão estrutural e cultural que precisamos, juntos, enfrentar”. Por isso, segundo o secretário, o Governo do Estado, por meio da SecultBA, segue com o compromisso de manter este conjunto de políticas públicas, sobretudo aquelas ligadas às Leis de Incentivo.

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