Violino Antonio Stradivari, de 1679, e violoncelo Carlo Tononi, de 1720, integram concerto de música de câmara na Sala Principal do TCA no dia 3 de novembro
O Sitkovetsky Trio é formado pelo violinista Alexander Sitkovetsky, o violoncelista Isang Enders e a pianista Qian Wu
Fabricados há mais de 300 anos, um violino Antonio Stradivari, de 1679, e um violoncelo Carlo Tononi, de 1720, atravessaram gerações de músicos e diferentes épocas da história da música até chegar às mãos do Sitkovetsky Trio, que se apresenta em Salvador, na Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA), no dia 3 de novembro (terça-feira) às 20h, com abertura da sala às 19h. Ingressos à venda no Sympla.
Um dos mais respeitados grupos de música de câmara do mundo, o Sitkovetsky Trio é formado pelo violinista Alexander Sitkovetsky, o violoncelista Isang Enders e a pianista Qian Wu. Juntos, os músicos interpretarão, no TCA, obras de Beethoven, Schumann e Dvořák com os instrumentos históricos, que foram cedidos pela J. & A. Beare’s Violin Society, de Londres, instituição especializada na preservação e conservação de instrumentos históricos.
Maestria artesanal – Criado em Cremona, na Itália, por Antonio Stradivari, o violino conhecido como “Parera” recebeu esse nome em homenagem a Pedro Ricardo Parera, antigo proprietário. Desde então, a peça atravessou diferentes épocas e chegou às mãos do violinista Alexander Sitkovetsky. Com uma carreira que transita por diferentes repertórios e formações, o músico encontrou na peça a variedade sonora que considera essencial para seu trabalho, com timbres que vão da potência à intimidade.
“Adoro a variedade de timbres que o violino possui. Tenho uma carreira extremamente variada e preciso de um instrumento que possa ser potente, mas também muito intimista e com uma rica paleta de cores sonoras. Fui imediatamente atraído pelo ‘Parera’ por causa disso”, conta.
A adaptação ao “Parera”, segundo Alexander, aconteceu de forma natural. A convivência com o violino, no entanto, exige cuidados que fazem parte da rotina de quem viaja constantemente com um instrumento tão valioso. O desafio é incorporar essa responsabilidade ao cotidiano sem transformar a preocupação com a conservação em uma fonte permanente de tensão.
“Tentamos não pensar nisso o tempo todo, pois isso geraria uma tensão extra, mas existem certas coisas e formas de cuidar dos instrumentos que são inegociáveis, como nunca tratá-lo como simples bagagem, mantê-lo sempre limpo e lavar as mãos antes de tocar”, explica.
Tocar o “Parera” também desperta em Alexander a curiosidade sobre sua origem e o trabalho artesanal de Antonio Stradivari. “É emocionante ter esse instrumento incrível em minhas mãos e tenho muita sorte de tocá-lo. Fico sempre impressionado com a maestria artesanal que Stradivari demonstra em seus instrumentos. Às vezes, tento imaginar como o violino foi criado há mais de 300 anos e como teria sido experimentá-lo pela primeira vez”, conta o violinista.
A personalidade das cordas – Se o violino de Alexander Sitkovetsky revela sua personalidade na variedade de timbres, o violoncelo de Isang Enders se destaca pela capacidade de soar como uma voz que canta. Construído em Veneza, na Itália, há cerca de 306 anos, o instrumento leva a assinatura de Carlo Tononi, um dos mais renomados fabricantes italianos de instrumentos de cordas do século XVIII. Ao falar sobre o que mais o encanta no violoncelo, Isang descreve uma sonoridade que reúne profundidade, clareza e sensibilidade.
“A primeira coisa é a voz. É simplesmente a voz de violoncelo mais bonita com que eu poderia ter sonhado. Há calor e profundidade nos graves, enquanto os agudos são muito claros, quase como uma voz de tenor. É um instrumento que realmente canta. E existe uma complexidade no som que não consigo explicar completamente. Cada nota parece carregar harmônicos que a tornam viva. Às vezes, em uma sala de concerto, ouço a reverberação de coisas que nem sabia que havia tocado”, afirma o músico.
A adaptação ao violoncelo de mais de três séculos exigiu de Isang Enders tempo e sensibilidade para compreender as particularidades do instrumento e estabelecer uma relação de confiança com ele. “No começo, eu me sentia um pouco como um convidado, um instrumento antigo tem seus próprios hábitos e sua própria personalidade, ele não simplesmente obedece a você. É preciso aprender como ele gosta de ser tocado”
Enders conta que levou algum tempo, talvez meses, até sentir que estavam realmente falando a mesma língua. “Mas isso também é o que o torna tão especial. Não é uma ferramenta, é um parceiro. E gosto da ideia de que cada concerto acrescenta algo à sua história, de que um pouco do que tocamos agora permanece na madeira”, comenta.
A convivência com o Tononi também levou Isang Enders a repensar sua relação com a música e a busca pela perfeição na execução. O violoncelista conta que o instrumento o ensinou a confiar mais na própria sonoridade e a deixar espaço para que a música aconteça de forma espontânea. “Posso ficar muito obcecado pela perfeição, mas aprendi que isso não me faz tocar melhor. De certa forma, o Tononi obriga você a parar de controlar tudo e deixar o som acontecer. É uma boa lição para um perfeccionista! ”, conclui.
Além de Salvador, Sitkovetsky Trio se apresentará no Rio de Janeiro (RJ), no dia 2 de novembro de 2026 (segunda-feira), às 19h, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, como parte da Série O Globo / Dellarte Concertos Internacionais, e em São Paulo (SP), no dia 5 de novembro de 2026 (quinta-feira), às 20h, no Grande Auditório da Cultura Artística, integrando a Temporada 2026 (Série Verde) da instituição.
O espetáculo integra a Programação Artística – Operação Teste do Novo TCA, realizada por meio da Convocatória para Ocupação Artística Gratuita da Sala Principal – Edição Especial Novo TCA. A iniciativa busca garantir apresentações na Sala Principal durante o período de Operação Teste, etapa que integra o processo de retomada após as obras do Novo TCA.
A apresentação é uma realização do Instituto Dell’Arte e da Caderno 2, com apoio do Clube Correio, OSBA, Neojiba, Teatro Castro Alves, Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), Governo do Estado da Bahia e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult).
SERVIÇO
Série Caderno 2 / Dellarte – Concertos Internacionais
Atração: Trio Sitkovetsky
Músicos: Alexander Sitkovetsky, violino; Isang Enders, violoncelo; Qian Wu, piano
Data: 3 de novembro de 2026, terça-feira
Horário: 20h, com abertura da sala às 19h
Local: Sala Principal do Teatro Castro Alves, Salvador/BA
Duração: 2 horas
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/127058/d/414551
PROGRAMA
Ludwig van Beethoven (1770–1827)
Trio para piano nº 5 em ré maior, op. 70, nº 1, “Fantasma”
I. Allegro vivace e con brio
II. Largo assai ed espressivo
III. Presto
Robert Schumann (1810–1856)
Trio para piano nº 3 em sol menor, op. 110
I. Bewegt, doch nicht zu rasch
II. Ziemlich langsam
III. Rasch
IV. Kräftig, mit Humor
Intervalo
Antonín Dvořák (1841–1904)
Trio para piano nº 3 em fá menor, op. 65
I. Allegro ma non troppo
II. Allegretto grazioso
III. Poco adagio
IV. Finale: Allegro con brio
