Salvador, 5 de novembro de 2026
Editor: Chico Araújo

MUNCAB oferece entrada gratuita de 05 a 09 de agosto durante a Flipelô

Ação de acessibilidade ocorre através de parceria com o Instituto Motiva

Durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), de 05 a 09 de agosto, o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) terá visitação gratuita por meio de uma parceria com o Instituto Motiva. A iniciativa amplia o acesso do público ao museu em um dos períodos de maior circulação de visitantes no Centro Histórico de Salvador e reforça o compromisso das instituições com a democratização do acesso à cultura, à educação e ao patrimônio afro-brasileiro.

A ação integra um conjunto de atividades desenvolvidas pelo Instituto Motiva, por meio do Circuito Cultural, em preparação para a Flipelô. Entre os dias 28 e 31 de julho, o MUNCAB recebeu centenas de crianças, jovens e educadores de creches, escolas e instituições públicas de ensino estadual, municipal e comunitárias para uma programação de mediação cultural na exposição em cartaz Inclassificáveis.

As visitas consolidaram o museu como um espaço de encontro, escuta e produção de conhecimento, no qual a experiência com as obras favorece a observação, a imaginação e a reflexão crítica. As mediações estimularam o diálogo entre diferentes públicos e o acervo, ampliando o acesso às artes visuais e às narrativas da cultura afro-brasileira. Ao promover experiências significativas desde a infância, a iniciativa contribui para a formação de repertórios culturais, fortalece vínculos de pertencimento e incentiva a constituição de novos públicos para os museus.

A parceria com o Instituto Motiva reafirma o compromisso do MUNCAB ao conectar educação, patrimônio e cidadania em uma experiência que permanecerá aberta ao público durante a Flipelô. “O acesso à cultura é um direito e deve começar desde os primeiros anos de vida. A primeira infância, a juventude e a vida adulta são momentos fundamentais para a construção de repertórios e para o reconhecimento das múltiplas histórias que constituem a sociedade brasileira”, destaca Cintia Maria, diretora-geral do MUNCAB.

Últimos dias para visitar Inclassificáveis
Quem visitar o MUNCAB durante a Flipelô também terá a oportunidade de conhecer as obras que compõem a exposição Inclassificáveis, aberta para visitação até 9 de agosto. Com curadoria de Jamile Coelho e Jil Soares, a mostra reúne cerca de 100 obras que retornaram à Bahia após mais de três décadas nos Estados Unidos.

Ao reunir produções da Escola de Escultores de Cachoeira, da Escola do Pelourinho e da Escola de Artífices da Ladeira da Conceição, Inclassificáveis reafirma essas obras como parte fundamental da história da arte brasileira contemporânea e provoca uma reflexão sobre os mecanismos de exclusão e hierarquização presentes no sistema das artes.

A exposição propõe uma reflexão sobre os modos como a produção artística contemporânea negra tem sido historicamente enquadrada no Brasil, reunindo obras que tensionam categorias como “arte popular”, “naïf” e “folclórica”. A partir do conceito de rematriação, desenvolvido por Ayrson Heráclito, o projeto curatorial compreende o retorno dessas obras como um processo de reconexão com seus territórios de origem, seus contextos culturais e as epistemologias afro-brasileiras, deslocando narrativas consolidadas e ampliando as possibilidades de leitura da arte contemporânea.

Distribuída entre o térreo e o primeiro andar do MUNCAB, Inclassificáveis estrutura seu percurso em três núcleos curatoriais — “Restituir Sentidos – Amor, Festa e Devoção”, “Cotidianos” e “Escolas Invisíveis”. A experiência tem início no Portal dos Mensageiros, instalação inspirada na obra Senhor dos Caminhos, de J. Cunha, que conduz o visitante a um conjunto de esculturas, pinturas, gravuras e obras dedicados às manifestações culturais afro-brasileiras, ao cotidiano de Salvador e do Recôncavo Baiano. Ao longo do percurso expositivo, obras de artistas como Babalu, Sol Bahia, Alberto Pitta, Lídia Hora, Eduardo Santos Silva, Mauro di Verde e tantos outros.

A exposição culmina no núcleo “Escolas Invisíveis”, dedicado às produções da Escola de Escultores de Cachoeira, da Escola do Pelourinho e da Escola de Artífices da Ladeira da Conceição. Ao reconhecer esses espaços como territórios de formação artística, transmissão de conhecimentos e criação estética, Inclassificáveis reafirma essas obras como parte incontornável da história da arte brasileira contemporânea e apresenta ao público uma reflexão sobre os mecanismos de exclusão e hierarquização que, durante décadas, relegaram essas produções às margens do sistema das artes.

Padê Onã – o encontro arte, meio ambiente e sustentabilidade
Além da exposição principal, o público poderá visitar Padê Onã – Encontrar Caminhos, do artista Sandro Àiyé, instalada no Jardim das Esculturas do MUNCAB. A mostra inaugura esse novo espaço do museu reunindo sete esculturas produzidas a partir de madeiras reaproveitadas de antigos casarões do Centro Histórico de Salvador. Ao deslocar esses materiais de sua função original para o campo da arte contemporânea, o artista propõe reflexões sobre memória, transformação e permanência, articulando patrimônio, cidade e natureza.

Com curadoria de Jamile Coelho, a exposição investiga as relações entre materialidade, território e sustentabilidade, tomando a ideia de caminho como eixo poético da pesquisa. As esculturas estabelecem um diálogo entre processos de criação, reaproveitamento de materiais e narrativas afro-brasileiras, propondo novas formas de pensar a relação entre arte, espaço urbano e meio ambiente.

A exposição amplia a experiência do visitante ao integrar arte contemporânea e educação ambiental. O espaço abriga um meliponário dedicado à preservação de abelhas nativas sem ferrão e reúne espécies vegetais que evidenciam as relações entre biodiversidade, conhecimentos tradicionais e práticas de cuidado com o meio ambiente. O jardim torna-se, assim, parte da experiência expositiva, articulando produção artística, paisagem e sustentabilidade.

Durante a Flipelô, o público poderá percorrer as duas exposições em um mesmo circuito, acompanhando diferentes perspectivas da produção artística contemporânea afro-brasileira. Ao integrar exposições, acervo, Jardim das Esculturas do MUNCAB e ações educativas, o museu reafirma seu compromisso com pesquisas curatoriais que articulam arte contemporânea, território, memória e sustentabilidade.

Sobre o MUNCAB

O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) é gerido pela Sociedade Amigos da Cultura Afro-Brasileira (AMAFRO), e consolida-se como uma instituição de referência nacional e internacional voltada à pesquisa, preservação e difusão das artes visuais afro-brasileiras, afro-diaspóricas e africanas. O museu desenvolve programas de acervo, documentação, conservação e expografia dedicados à valorização e circulação da produção artística negra em suas múltiplas linguagens e temporalidades. Sua atuação contempla ainda ações educativas, formações e projetos de mediação cultural que buscam ampliar o acesso, fortalecer o pensamento crítico e estimular a participação social no campo das artes visuais.

Serviço
MUNCAB na Flipelô | Circuito Cultural – Instituto Motiva
Período de visitação gratuita: 05 a 09 de Agosto de 2026

Exposições em cartaz

Inclassificáveis, sob curadoria Jamile Coelho e Jil Soares
Visitação: até 9 de agosto
Horário: terça a domingo, das 10h às 17h (entrada até as 16h30)

Padê Onã – Encontrar Caminhos, de Sandro Àiyé
Curadoria: Jamile Coelho
Jardim das Esculturas do MUNCAB
Visitação durante o funcionamento do museu

Local
Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB)
Rua das Vassouras, 25 – Centro Histórico de Salvador (BA)
Em frente à SEFAZ e a poucos metros do Elevador Lac

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