Espaço localizado em Pituaçu celebra cultura afrodiaspórica por meio de cores, sabores e ancestralidade
Com a proximidade do Novembro Negro, mês em que a história e cultura do povo negro ganham ainda mais evidência, o Restaurante Madiba lembra que o seu propósito vai muito além da mesa. Localizado em Pituaçu, Salvador, o espaço se autointitula um restaurante com propósito, trazendo a expressão “Comida de Preto” na própria placa que acompanha o nome na fachada. Logo abaixo, um quadro recebe os clientes na entrada: “Não basta não ser antirracista. É preciso ser antirracista. Racistas, fascistas, homofóbicos e intolerantes não passarão”.
O local, com nome inspirado no líder sul-africano Nelson Mandela, é um verdadeiro presente aos sentidos. Cores quentes brindam a África logo na entrada do salão. Tons verde, vermelho e laranja e as estampas africanas espalhadas pelas mesas e paredes remontam os ritos ancestrais. A Galeria Mandela, com quadros de artistas e ativistas negros, já ganhou selfies de personalidades, como da jornalista e atriz Rita Batista e da deputada federal Benedita da Silva, ambas clientes da casa.
Benedita, aliás, chegou a experimentar o prato que leva seu nome: uma costela suína caramelizada no mel. A maioria dos pratos, assim como a Galeria Mandela, homenageia referências antirracistas. Luiz Gama (frango grelhado à moda sul-africana) e Tereza de Benguela (bode com queijo, camarão e linguiça defumados) são exemplos de homenagens que também chegam à mesa. “A culinária afrodiaspórica é resgate, memória e afirmação”, destaca o chef Anderson Lima, criador de toda essa experiência sinestésica.
Como tudo no Madiba é sensorial, não poderia ser diferente com a apresentação dos pratos. O cheiro é o primeiro a receber os clientes à mesa. Nos najés borbulhantes de barro avermelhado, a explosão de cores é um prenúncio do que o paladar espera. “Nunca vi absolutamente nada igual. É uma mistura de ingredientes, um agridoce com defumado, é tempero, caldo, fartura. Não existe nada parecido em Salvador”, revelou a advogada Daniela Barral, cliente da casa.
Como cartas na manga, o chef Anderson Lima diz usar elementos regionais, já conhecidos pelo paladar do soteropolitano, como purê de banana-da-terra, mel, linguiça e camarão defumados, para trazer familiaridade e aproximar a comida afrodiaspórica dos clientes.
“Outro recurso que usamos muito são as verduras. Elas trazem a explosão de cores dos nossos pratos e derrubam o estigma de que a culinária africana é pesada: um preconceito de quem não aceita que nossa gastronomia não está mais restrita à senzala. A Comida de Preto é um ato de resistência: é rica, saudável, antirracista e aberta a qualquer um que respeite nossa cultura”, destaca o chef, que carrega no passaporte vivências em países, como Senegal, Gana, Angola, Moçambique e África do Sul.
O restaurante Madiba fica localizado na Rua Ivan Cury, Pituaçu, em Salvador, e funciona todos os dias, a partir das 11h. O espaço está presente no iFood e também atende por reservas pelo Instagram @madibasalvador ou pelo WhatsApp (71) 98317-7125.
Serviço:
Restaurante Madiba Salvador
Local: Rua Ivan Cury, Pituaçu
Funcionamento: segunda a quarta, das 11h às 16h; quinta a sábado, das 11h às 21h; domingos e feriados, das 11h às 17h
Instagram: @madibasalvador
WhatsApp: (71) 98317-7125
