Durante viagem pela África, o papa Leão XIV alertou nesta terça-feira (21) que o futuro da humanidade pode estar “tragicamente comprometido” diante das guerras em curso e do enfraquecimento do direito internacional. A declaração foi feita em um discurso contundente na Guiné Equatorial, última etapa de uma turnê por quatro países do continente.
Primeiro pontífice norte-americano, Leão XIV também criticou o que classificou como “colonização” dos recursos naturais, como petróleo e minerais, afirmando que essa exploração tem alimentado conflitos violentos ao redor do mundo.
Segundo ele, sem uma mudança de postura por parte das lideranças políticas e sem respeito às instituições e acordos internacionais, o destino da humanidade fica em risco. Em encontro com o presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo e outras autoridades, o papa reforçou que a religião não deve ser usada para justificar violência, dominação ou discriminação.
O líder religioso também prestou homenagem ao seu antecessor, Papa Francisco, falecido há um ano, e adotou um tom mais incisivo ao longo da viagem, com críticas à desigualdade global e à atuação de governos autoritários.
Na véspera, em evento em Angola, Leão XIV já havia denunciado que populações ao redor do mundo estão sendo exploradas por regimes autoritários e prejudicadas por elites econômicas.
No mesmo contexto, o pontífice voltou a condenar o uso da fé como justificativa para conflitos armados, retomando críticas feitas anteriormente a líderes que recorrem à religião para legitimar ações de guerra.