A Secretaria Municipal da Saúde de Salvador (SMS) foi selecionada para o segundo ciclo da Rede Colaborativa de Inovações em Atenção Primária à Saúde (Rede Colabora APS), promovida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde. A seleção ocorreu devido à experiência UBS Amiga da Saúde LGBT+, desenvolvida pelo Setor de Equidade e pela Diretoria de Atenção Primária à Saúde (DAPS) da pasta.
Como parte da iniciativa, Salvador recebeu nesta terça-feira (3) gestores e trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS) de diversas regiões do país para conhecer as ações desenvolvidas na cidade. A comitiva fica na capital baiana até a sexta (6).
Atualmente, a estratégia UBS Amiga da Saúde LGBT+ está implantada em 58 unidades de saúde, com e sem equipes de Saúde da Família, distribuídas por todos os Distritos Sanitários de Salvador. Entre os resultados, estão 5.537 cartões do SUS com nome social em 2025, a qualificação de 3.265 profissionais de saúde entre 2021 e 2025 e a redução de 10% no número de registros ignorados ou em branco dos quesitos Identidade de Gênero e Orientação Sexual nas fichas de Notificação de Violência.
A iniciativa também promove, em média, 120 atividades de educação em saúde por ano, contribuindo para ampliar o acesso e qualificar o cuidado oferecido à população LGBT+ na rede municipal.
Durante o intercâmbio, o grupo visitará Unidades de Saúde da Família que implementam a estratégia e também o Ambulatório Municipal Especializado em Saúde LGBT+.
A programação inclui ainda atividades de educação permanente e encontros com movimentos, organizações da sociedade civil e representantes da rede de proteção aos direitos LGBT+. A Rede Colabora APS busca identificar e compartilhar experiências inovadoras na Atenção Primária à Saúde.
Para a subcoordenadora de Cuidados Transversais da SMS, Djara Mahim, a seleção representa o reconhecimento do trabalho desenvolvido por Salvador na promoção da equidade no SUS. “É uma oportunidade de dar visibilidade às práticas desenvolvidas em Salvador, compartilhar conhecimentos e aprender, fortalecendo um atendimento mais inclusivo e acessível à população LGBT+”, pontua Djara.
Técnico do campo temático Saúde da População LGBT+, Erik Abade reforça que a conquista é resultado de uma construção coletiva. “A seleção demonstra o reconhecimento do trabalho desenvolvido na Atenção Primária e em toda a rede municipal de saúde para ampliar o acesso e qualificar o atendimento à população LGBT+. É importante destacar que essa construção envolve profissionais dos Distritos Sanitários e das unidades de saúde, em articulação com os movimentos sociais LGBT+ e as organizações da sociedade civil”, afirma Erik.
Para Juliana Martins, integrante da Coordenação Nacional da Rede Colabora APS, o intercâmbio é uma oportunidade de promover a troca de experiências entre iniciativas de diferentes regiões do país e fortalecer as políticas públicas de saúde. “Estamos iniciando o ciclo de intercâmbios aqui em Salvador, conhecendo a Unidade Amiga da Saúde LGBT+. É um momento muito importante para trocar conhecimentos e retroalimentar os profissionais, para que possamos ampliar, implementar e qualificar as políticas públicas no país”, diz Juliana.
