Salvador, 11 de setembro de 2026
Editor: Chico Araújo

Setembro Verde reforça conscientização sobre doação de órgãos; transplante renal lidera demanda na Bahia

O Setembro Verde chama a atenção para um gesto capaz de transformar vidas: a doação de órgãos. Na Bahia, o transplante renal concentra a maior demanda da fila estadual de transplantes. Dados do Sistema Estadual de Transplantes apontam que mais de duas mil pessoas aguardavam por um rim no ano passado, tornando-o o órgão mais procurado no estado. Para a médica nefrologista Manuela Lordelo, o cenário reforça a importância de ampliar a conscientização da população sobre a doação de órgãos e estimular o diálogo familiar sobre o tema.

O transplante é uma das principais alternativas terapêuticas para pacientes com doença renal crônica avançada, mas faz parte de uma linha de cuidado mais ampla. “A hemodiálise é um tratamento fundamental, que salva vidas diariamente e permite que milhares de pacientes mantenham seu acompanhamento clínico de forma segura. O transplante surge como uma possibilidade para aqueles que possuem indicação médica e podem se beneficiar do procedimento, oferecendo novas perspectivas de qualidade de vida”, explica a especialista.

Embora a Medicina tenha avançado significativamente na área dos transplantes, a oferta de órgãos ainda não acompanha a demanda. De acordo com Manuela Lordelo, o aumento da expectativa de vida e a maior incidência de doenças como hipertensão arterial e diabetes, principais causas da doença renal crônica, têm contribuído para o crescimento do número de pessoas que necessitam de acompanhamento nefrológico e, em alguns casos, de um transplante. “Por trás de cada paciente em lista de espera existe uma história, uma família e um projeto de vida que depende dessa oportunidade. Por isso, conscientizar a população sobre a importância da doação é uma estratégia essencial de saúde pública”, ressalta.

Para a nefrologista, um dos principais entraves continua sendo a falta de informação. No Brasil, a autorização familiar é indispensável para a doação de órgãos após a morte, o que torna fundamental que o desejo de ser doador seja comunicado aos parentes ainda em vida. “Falar sobre doação de órgãos é falar sobre esperança. Uma única decisão pode beneficiar diversas pessoas e mudar completamente o futuro de quem aguarda por um transplante”, destaca. Durante o Setembro Verde, a campanha busca justamente fortalecer essa cultura de solidariedade e contribuir para reduzir o tempo de espera de milhares de pacientes que dependem de um novo órgão para seguir em frente.

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