Salvador, 7 de agosto de 2026
Editor: Chico Araújo

Território quilombola de Cachoeira recebem 50º relatório técnico publicado na Bahia

O território quilombola de Calolé, Tombo e Imbiara, situado em Cachoeira, no Recôncavo da Bahia, teve o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) publicado no Diário Oficial da União (DOU) em 3 de setembro (quarta-feira). Esse é o 50º RTID publicado no estado. O documento também foi entregue aos representantes das comunidades, em solenidade realizada no auditório do Incra, em Salvador.
Com 329 famílias remanescentes de quilombo cadastradas, a área delimitada do Calolé, Tombo e Imbiara soma 1.266,8 hectares. O perímetro é composto por 16 imóveis rurais e posses.
Na cerimônia, o superintendente regional do Incra Bahia, Carlos Borges, destacou que até o final de sua gestão pretende entregar novos relatórios, fortalecendo a política pública de regularização fundiária dos territórios quilombolas.
“As terras onde viveram e trabalharam os ancestrais dessas famílias, ao final do processo, estarão oficialmente reconhecidas como pertencentes à comunidade de seus descendentes. Esse é um passo concreto para garantir direitos, preservar a memória e fortalecer a identidade quilombola”, destacou.
O relatório antropológico desse território foi doado ao Incra em 2018 pela Universidade Federal da Bahia, por meio do projeto Observa Bahia.
Resistência
O chefe da Divisão de Territórios Quilombolas, Flávio Assiz, explica que este é o quarto RTID publicado no município de Cachoeira, onde existem 18 comunidades e 11 processos administrativos abertos para a regularização fundiária.
A origem das comunidades Calolé, Tombo e Imbiara remonta ao período de apogeu das usinas de cana-de-açúcar. “A história dessas famílias está ligada à permanência dos quilombolas na própria fazenda, vivendo nas bordas e nos mangues”, ressaltou.
Segundo Assiz, ao longo do tempo essas famílias sofreram diversos tipos de pressão. Como não tinham terras próprias para plantar, passaram a arrendar áreas de fazendeiros. Essa é uma prática iniciada no século XX que ainda persiste.
Conquista
“Essa é uma grande conquista, mas a vitória virá com a titulação.” O posicionamento é compartilhado pelos representantes das comunidades e pelo Conselho Quilombola da Bacia e Vale do Iguape (COQBVI).
A liderança da comunidade Calolé, Lorival Ferreira dos Santos, ressalta, porém, que a publicação do RTID já significa esperança. “Agora temos mais segurança de que, mais adiante, vamos conquistar a titulação do território”, ressaltou.
Sobrevivência
Atualmente, os quilombolas do território contam com poucas terras, e boa parte ainda depende do arrendamento da terra do fazendeiro. A produção agrícola é voltada ao cultivo de mandioca, quiabo, laranja e manga. Também coletam jenipapo e realizam a mariscagem nos mangues da região.

Veja também

IMG_20260806_214915
Efeito Barradão: Vitória faz 4x0 no Furacão e avança na Copa do Brasil
Com dois gols de Renê, um de Erick e um de Marinho – já no apagar das luzes – o Vitoria virou...
Vini-Jr
Vini Jr renova com o Real Madrid até 2032 e encerra novela após interesse do Arsenal
O Real Madrid anunciou nesta quinta-feira (6) a renovação de contrato de Vinicius Júnior até 30 de junho...
cuba
Especialistas da ONU pedem medidas para evitar Gaza silenciosa em Cuba
País sofre com embargo econômico imposto pelos EUA Especialistas em direitos humanos das Nações Unidas...
Fachada do edifício sede do Supremo Tribunal Federal - STF
STF suspende julgamento de lei que proíbe jogos de azar
Pedido de vista do ministro Flávio Dino interrompeu a análise O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu...

Opinião

advs
Eleições na era digital: o uso da Inteligência Artificial nas eleições de 2026