Salvador, 2 de novembro de 2026
Editor: Chico Araújo

Obesidade e sobrepeso aumentam o risco da volta de câncer de mama em mulheres com a doença em fase inicial

A obesidade e o sobrepeso aumentam o risco de o câncer de mama voltar em mulheres com a doença em estágio inicial da doença. A cada 5 quilos/m2 extras – o equivalente a cinco pontos do Índice de Massa Corporal (IMC) – as chances de recidiva crescem entre 5% a 8%. É o que demonstra um estudo apresentado por pesquisadores da Universidade de Oxford, do Reino Unido, no San Antonio Breast Cancer Symposium, que terminou hoje nos Estados Unidos.

Segundo o médico oncologista Gilberto Amorim, da Oncologia D’Or, o estudo impressiona pela grande de base de dados – 206.904 mulheres. “Ele confirma que o excesso de gordura corporal aumenta o risco do câncer de mama, independentemente de sua origem (hormonal ou não) e da mulher estar antes ou depois da menopausa”, afirma.

Estudo
O estudo dos pesquisadores da Universidade de Oxford, liderados pelo médico Pan Hongchao, analisou dados sobre a recidiva e morte de 206.904 mulheres com câncer de mama inicial inscritas entre durante 1978-2017 em 147 estudos randomizados que compõem o banco de dados do EBCTCG (The Early Breast Cancer Trialists’ Collaborative Group), um grupo internacional de pesquisadores de câncer de mama. Todas as pacientes tinham o IMC registrado, além de informações sobre o diâmetro e o tipo do tumor.

Do total de mulheres estudadas, 60% estavam na pós-menopausa no início do estudo e 77% tinham câncer de mama ER+ (com células cancerosas com alto nível de estrogênio). O IMC médio era de 27,1. Mas o IMC era igual ou superior a 30 em 26% das participantes. No início dos anos 1980, a obesidade aumentou 19%, chegando a 27% no início da década de 2010. As mulheres obesas apresentaram 1,17 vez mais possibilidade de recidiva do que as magras. Nas 82.464 mulheres na pré-menopausa, essa proporção foi de 1,08 a cada cinco pontos a mais no IMC . Já nas 124.440 mulheres na pós-menopausa, o risco relativo foi de 1,05. As chances de recidiva foram iguais em mulheres com tumores de origem hormonal ou não.

“Existe uma população enorme de mulheres que convivem com sobrepeso e obesidade em diferentes graus no Brasil. O estudo é um alerta para a importância em se manter o peso saudável, seja para reduzir o risco de recidiva do câncer de mama ou para melhorar outros aspectos da saúde”, conclui o médico oncologista Gilberto Amorim.

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