Salvador, 18 de janeiro de 2026
Editor: Chico Araújo

Especialista aponta aumento de transplantes de órgãos na Bahia e reforça a importância da doação

De janeiro a setembro de 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 288 transplantes de órgãos na Bahia, o que representa um aumento em relação ao ano passado quando foram registrados 226 transplantes, sendo rim, fígado e coração os órgãos sólidos transplantados no Estado.

De acordo com a médica nefrologista, Manuela Lordelo, a maior demanda é pelo transplante de rim, pois se trata do órgão mais afetado pelas doenças predominantes, como a diabetes e a pressão alta. De janeiro a setembro de 2024, 233 rins foram transplantados na Bahia, enquanto no mesmo período do ano anterior o número foi de 199.

“A principal tarefa do rim é filtrar o sangue do nosso corpo. Por isso insistimos tanto sobre hábitos saudáveis básicos, como a ingestão de água, controle da alimentação e a prática de atividade física, pois as consequências podem ser bem sérias. O transplante é a opção indicada para o tratamento de pacientes com doença renal crônica em estágio já avançado”, destaca a especialista que integra a equipe de transplante renal do Hospital Ana Nery, em Salvador. O HAN oferece atendimentos 100% pelo SUS e atualmente possui uma lista de 1.345 pacientes ativos em espera e já realizou um total de 167 procedimentos. É reconhecido como um dos quatro maiores hospitais do país em volume de cirurgias de transplantes renais.

O Brasil conta com o maior programa público de transplante de órgãos, tecidos e células do mundo, e está entre os quatro países que mais realizam transplantes. O SUS garante esses procedimentos a toda população, incluindo as medicações imunossupressoras, de forma totalmente gratuita. Todavia, a captação de órgãos ainda é o maior dos problemas. Na Bahia, a negativa familiar de pessoas que morrem todos os dias no estado chega a cerca de 60%. Até setembro a lista de espera somava mais de 3.736 pacientes no aguardo por um transplante de rim, fígado, córnea e outros.

“É importante frisar, que alguns órgãos podem ser doados em vida, como é o caso do rim, mediante avaliação clínica, imunológica e seguindo todas as diretrizes e legislações do Ministério da Saúde”, reforça a médica Manuela Lordelo.

Realidade no Brasil

Apesar da Bahia apresentar dados positivos, no Brasil houve um crescimento de quase 13% no número de pacientes na fila de transplante em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), divulgados em novembro de 2024. Conforme o último boletim trimestral, a taxa de doadores efetivos é de 20,3 por milhão de pessoas, 3,3% abaixo da previsão. Até setembro de 2024, mais de 66 mil pacientes encontravam-se na fila de espera.

Já no último Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), referente ao terceiro trimestre de 2024, havia 36.642 pessoas aguardando a doação de um rim. Esse cenário torna ainda maior o desafio de atender a demanda, já que a fila não para de crescer e a recusa das famílias chega a 45%, além da contraindicação médica, responsável por 18% dos casos, quando o órgão não está apto.

“Assim, fica evidente a conscientização da sociedade, principalmente no que se refere ao diagnóstico de morte encefálica, deixando muitas famílias receosas em autorizar a doação dos órgãos. Levando em conta que cada pessoa que doa pode salvar até oito vidas, permitir a doação poderia reduzir a fila de espera e mudar a história de quem está lutando para viver”, conclui a médica Manuela Lordelo.

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