Salvador, 26 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Caminho para felicidade pode ser ganhar menos dinheiro, diz pesquisa

Abrir mão de um salário maior pode parecer uma decisão contraditória em tempos de instabilidade econômica, mas, para muitos profissionais, esse tem sido o caminho para uma vida mais equilibrada. Segundo uma pesquisa realizada por economistas do governo dos Estados Unidos, 40% dos trabalhadores que trocaram de emprego entre 2020 e 2022 aceitaram remunerações mais baixas, e ainda assim relataram maior satisfação pessoal. O dado revela uma mudança de valores no mundo do trabalho, onde qualidade de vida e bem-estar emocional ganham cada vez mais importância.

Outro levantamento, encomendado pela Ford Motor Company em 2023, reforça essa tendência: cerca de 50% dos trabalhadores americanos disseram que aceitariam reduzir seu salário em até 20% para ter uma rotina mais saudável, com menos estresse e mais tempo para si mesmos.

A neurocientista e psicanalista Ana Chaves explica que a percepção de sucesso está passando por uma transformação. “Por muito tempo, fomos condicionados a associar realização profissional à ascensão financeira. Mas hoje, diante dos altos níveis de esgotamento e adoecimento emocional, muitas pessoas estão revendo suas prioridades”, afirma. “Dinheiro continua sendo importante, mas não pode custar a saúde mental.”

Para Ana Chaves, a escolha por uma vida menos centrada no trabalho está diretamente ligada ao entendimento de que o excesso de carga, metas inatingíveis e ambientes tóxicos comprometem funções cerebrais essenciais, como memória, tomada de decisão e regulação emocional. “O corpo e a mente cobram a conta. Em muitos casos, o retorno financeiro não compensa o prejuízo à saúde”, ressalta.

A decisão de desacelerar ou dar um tempo da carreira não se limita a anônimos. Em 2021, a ginasta americana Simone Biles, uma das maiores atletas da história, desistiu de competir em várias provas durante as Olimpíadas de Tóquio para preservar sua saúde mental. A atitude acendeu um debate mundial sobre os limites da produtividade e o direito ao cuidado psicológico, mesmo em ambientes de alta performance.

Para a neurocientista, o exemplo de Biles e os dados das pesquisas reforçam a urgência de se repensar o modelo atual de trabalho. “Felicidade não é sinônimo de acúmulo. Ela está ligada ao equilíbrio entre áreas da vida, ao tempo de qualidade com pessoas importantes, ao sono regular, ao lazer, ao autocuidado”, destaca. “É legítimo e cada vez mais comum que profissionais escolham trajetórias menos lucrativas, mas emocionalmente mais sustentáveis”, conclui.

Quem é Ana Chaves

Neurocientista e psicanalista renomada, Ana Chaves se dedica a estudar o funcionamento do cérebro humano e a capacitar indivíduos a alcançarem seu potencial máximo. Através de uma abordagem holística e científica, Ana inspira e orienta aqueles que buscam crescimento pessoal e profissional. Colabora com o UOL e Valor Econômico com colunas mensais sobre equilíbrio emocional e desenvolvimento humano. Também realiza palestras e mentorias, já tendo impactado a vida de mais de 5 mil pessoas.

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