O deputado federal André Janones (Rede-MG) teve papel central na estratégia digital da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições deste domingo. À frente do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, o parlamentar coordenou ações de mobilização de apoiadores nas redes sociais, em uma tentativa de ampliar a presença da esquerda no ambiente digital, historicamente marcado pela força do bolsonarismo.
Com mais de 10 milhões de seguidores, o canal foi utilizado para distribuir orientações diárias à militância. As chamadas “missões” incluíam o compartilhamento de vídeos, a divulgação de hashtags contrárias a Flávio Bolsonaro e pesquisas direcionadas no Google para favorecer conteúdos relacionados a Lula. Janones também incentivou a participação em tendências nas redes sociais, como publicações de eleitores exibindo a bandeira do Brasil e fazendo o gesto do “L”.
Na reta final da campanha, o deputado apostou em transmissões ao vivo com a participação de Lula e artistas. Algumas lives chegaram a durar até 24 horas na véspera da votação. Além da mobilização on-line, ele também estimulou a presença de apoiadores nas ruas.
Da advocacia à Câmara dos Deputados
Antes de ingressar na política, Janones trabalhou como cobrador de ônibus enquanto cursava Direito como bolsista. Natural de Ituiutaba, no interior de Minas Gerais, ganhou notoriedade por atuar voluntariamente como advogado de pacientes que buscavam atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Em 2016, disputou a prefeitura do município. Dois anos depois, foi eleito deputado federal com quase 179 mil votos, impulsionado pela popularidade nas redes sociais.
Sua projeção nacional aumentou durante a greve dos caminhoneiros de 2018, quando passou a divulgar informações sobre a paralisação por meio de transmissões ao vivo, apesar de não integrar a categoria. Em 2020, voltou a ganhar visibilidade ao liderar uma campanha pela manutenção do auxílio emergencial de R$ 600, pago pelo governo federal durante a pandemia de Covid-19.
Atuação na campanha de 2022
Em 2022, Janones chegou a se apresentar como pré-candidato à Presidência da República pelo Avante, mas desistiu da disputa para apoiar Lula. Naquele ano, concentrou sua atuação digital na defesa do petista e no enfrentamento à desinformação.
Entre as iniciativas, o parlamentar rebateu rumores disseminados em setores religiosos de que igrejas poderiam ser fechadas em um eventual governo de esquerda. Também procurou reforçar a mensagem de que Lula respeitaria a liberdade religiosa e governaria para todos. Outra frente de atuação foi a tentativa de reduzir os efeitos eleitorais das medidas de transferência de renda adotadas pelo governo de Jair Bolsonaro (PL), incluindo o Auxílio Brasil.
O estilo combativo de Janones, porém, gerou preocupações entre integrantes da campanha petista. Um dos episódios de maior repercussão ocorreu durante um debate na TV Bandeirantes, quando o deputado protagonizou um bate-boca com o então deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP).
Controvérsias e atuação no Congresso
Apesar da participação na campanha presidencial, Janones não conquistou espaço na Esplanada dos Ministérios após a posse de Lula e permaneceu na Câmara dos Deputados, integrando a base de apoio ao governo.
Em 2024, foi alvo de um pedido de cassação relacionado a uma acusação de prática de “rachadinha” em seu gabinete. O caso foi arquivado pelo Conselho de Ética da Câmara. Em 2025, no entanto, o colegiado aprovou a suspensão de seu mandato por três meses em razão de declarações ofensivas dirigidas ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Presença na campanha deste ano
Na campanha presidencial deste ano, Janones voltou a concentrar esforços na produção de conteúdos para as redes sociais e acompanhou Lula em compromissos em Minas Gerais. Também esteve presente no debate da Band, o primeiro entre o presidente e Flávio Bolsonaro.
Após o programa, o parlamentar passou mal e precisou ser internado em uma unidade de terapia intensiva (UTI) de um hospital em São Paulo, em decorrência de um quadro de arritmia cardíaca.
A atuação de Janones reforçou o peso das estratégias digitais nas campanhas eleitorais e consolidou sua posição como um dos principais articuladores da mobilização virtual em torno de Lula.
