“Julho Amarelo” é o mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais. Em 28/07, celebra-se o dia mundial de luta em torno da causa, instituído em 2010 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A condição atinge o fígado, causando alterações leves, moderadas ou graves. Em grande parte das vezes, não costuma apresentar sintomas.
“Para se fazer o diagnóstico específico, é necessário solicitar as sorologias virais. Às vezes, as manifestações são comuns de um quadro viral”, alerta o médico hepatologista Allan Rêgo, da Hapvida. De acordo com ele, há marcadores específicos para as hepatites virais no sangue.
O especialista, membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia, destaca as evoluções nas terapias contra a doença. “No passado, o tratamento era muito ineficaz e cheio de efeitos colaterais. Hoje, há opções fornecidas, inclusive pelo SUS, para as hepatites B e C. No caso da hepatite B, não se consegue erradicar o vírus, mas ele fica inativo, a carga viral fica zerada e o indivíduo vive a vida toda, tomando remédio, na maioria das vezes, sem nenhuma manifestação da doença. No caso da hepatite C, a medicação é utilizada por 3 a 6 meses, com alta efetividade, com medicamentos com alta efetividade e com chances de erradicação do vírus de 99%, sem efeitos colaterais”, pontua.
A transmissão da hepatite A ocorre pela ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes. Seus principais sintomas incluem fadiga, dor abdominal, icterícia (olhos e pele amarelados) e urina escura. Já a hepatite B é transmitida principalmente por via sexual, mas também pode ocorrer transmissão vertical, da mãe para o bebê no parto. A hepatite C, por sua vez, acontece predominantemente por via parenteral, ou seja, por contato com sangue ou seus derivados. Há a recomendação de que todas as pessoas com mais de 40 anos realizem o teste anti-HCV ao menos uma vez na vida.
De acordo com o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), a maior concentração de pessoas infectadas pelo vírus C está dentro da faixa etária entre 50 e 64 anos (46,8% do total de casos). Em segundo lugar, aparecem as idades de 35 a 49 anos (24,7%). Em terceiro, 65 a 79 anos (16,1%). O médico adverte sobre o perigo da exposição ao contágio. “Os indivíduos mais jovens têm um percentual relativamente alto ainda. Lembrando que se deve evitar o uso compartilhado de seringas e escolher lugares seguros para a realização de tatuagens”, exemplifica.
O impacto das hepatites virais é expressivo e ocasiona cerca de 1,4 milhão de mortes anuais no mundo, seja por infecção aguda, câncer hepático ou cirrose. A mortalidade da hepatite C, por exemplo, é comparável à do HIV e à da tuberculose, segundo o Ministério da Saúde. O especialista reitera a importância da agilidade com o diagnóstico e tratamento para a longevidade do paciente. “Quanto mais precocemente o tratamento acontecer, mais interessante, porque deixa de haver a possibilidade de evolução da doença. As hepatites B e C se relacionam com cirrose e câncer de fígado. Hoje, as doenças virais são uma importante causa de transplante hepático, então é importante que o diagnóstico e o tratamento aconteçam antes da evolução da doença para uma condição de cirrose ou, eventualmente, uma complicação com câncer de fígado”, alerta.