Salvador, 2 de novembro de 2026
Editor: Chico Araújo

Por que a amizade é essencial para a saúde emocional

Estar cercado de bons amigos pode fazer mais pela saúde do que muitos imaginam. Estudos mostram que vínculos afetivos estáveis reduzem o risco de depressão, fortalecem a imunidade e até aumentam a expectativa de vida – tema que ganha ainda mais visibilidade no mês em que se comemora o Dia do Amigo.

Uma pesquisa da Harvard Medical School, que acompanhou mais de 700 pessoas ao longo de 75 anos, concluiu que relacionamentos de qualidade são o fator mais importante para a felicidade e a longevidade, mais até do que dinheiro ou fama.

De acordo com a neurocientista e psicanalista Ana Chaves, as amizades verdadeiras atuam como um poderoso fator de proteção contra o estresse crônico, a ansiedade e até mesmo a depressão. “Quando nos sentimos emocionalmente conectados e aceitos por alguém, o cérebro libera neurotransmissores como a ocitocina e a serotonina, que promovem bem-estar e reduzem os níveis de cortisol, o hormônio do estresse”, explica.

Esse impacto positivo das conexões sociais também tem sido amplamente reconhecido por órgãos de saúde. Em 2023, o Cirurgião-Geral dos Estados Unidos, Vivek Murthy, publicou um relatório oficial alertando para uma “epidemia de solidão e isolamento social”, cujos efeitos sobre a saúde são comparáveis aos de fumar 15 cigarros por dia. Segundo o documento, a ausência de vínculos significativos aumenta o risco de doenças cardiovasculares, depressão, ansiedade, declínio cognitivo e morte precoce. “Conexões humanas são tão essenciais quanto alimentação e exercícios”, afirmou Murthy.

Ana reforça que, em momentos de crise emocional, contar com uma rede de apoio pode fazer toda a diferença. “Conversar com um amigo de confiança pode trazer alívio imediato, ampliar a percepção sobre o problema e impedir o agravamento de estados de sofrimento psíquico. Amizade não é só companhia: é cuidado mútuo.”

Além dos benefícios emocionais, as conexões sociais influenciam positivamente o corpo. Pesquisas indicam que pessoas com boas relações interpessoais têm menor risco de desenvolver doenças, apresentam melhor resposta imunológica e vivem mais tempo. “A solidão prolongada, por outro lado, já é considerada um fator de risco tão grave quanto o tabagismo ou a obesidade”, afirma Ana.

A recomendação da especialista é cultivar amizades com presença e escuta genuína. “Relações superficiais ou tóxicas não produzem os mesmos efeitos positivos. A qualidade do vínculo é mais importante do que a quantidade de amigos. O essencial é saber que existe alguém com quem contar e por quem se pode estar presente também.”

Quem é Ana Chaves

Neurocientista e psicanalista renomada, Ana Chaves se dedica a estudar o funcionamento do cérebro humano e a capacitar indivíduos a alcançarem seu potencial máximo. Através de uma abordagem holística e científica, Ana inspira e orienta aqueles que buscam crescimento pessoal e profissional. Colabora com o UOL e Valor Econômico com colunas mensais sobre equilíbrio emocional e desenvolvimento humano. Também realiza palestras e mentorias, já tendo impactado a vida de mais de 5 mil pessoas.

Veja também

flica2026
Escritoras internacionais debatem violência política, racismo e crises migratórias na FLICA 2026
A ruandesa Scholastique Mukasonga e a venezuelana María Elena Morán compartilham suas trajetórias na...
sem_titulo-3
Forças do Ceará intervêm para garantir água após ameaça de facção
Comerciantes teriam sido ameaçados por integrantes do Comando Vermelho As forças de segurança do Ceará...
pzzb3511
Novas regras de atendimento ao consumidor começam a valer hoje
Novo decreto do SAC exige contato direto por telefone e outros canais A partir desta segunda-feira (2),...
jornalistas
ONU ressalta importância de proteger jornalistas e acesso à informação
Guterrez: jornalistas pagam preço exorbitante por dizer a verdade “Em todo o mundo, jornalistas...

Opinião

ucsal
UCSal: semeando saberes e sonhos ao longo de 65 anos