Salvador, 2 de novembro de 2026
Editor: Chico Araújo

Dificuldade para engolir ou engasgos frequentes? Saiba quando procurar um especialista

Sensação de alimento parado na garganta, engasgos com líquidos ou sólidos e até falta de ar ao comer não devem ser ignorados. Esses sintomas podem indicar disfagia, condição que afeta a capacidade de engolir de forma segura e eficiente. O alerta é da otorrinolaringologista e especialista em laringologia, Érica Campos, que destaca a importância de procurar avaliação médica quando esses sinais se tornam frequentes ou persistentes.

“A deglutição envolve um processo neuromuscular bastante complexo. Quando ocorre uma alteração nesse mecanismo, o paciente pode apresentar tosse após engolir, engasgos repetidos, sensação de alimento parado na garganta ou dor ao deglutir. Esses sinais não devem ser ignorados”, afirma a médica.

A disfagia é a dificuldade ou dor para engolir alimentos e líquidos. Em muitos casos, o paciente descreve a sensação de que o alimento “prende” na garganta ou no peito, ou que engole errado com frequência. A condição é dividida em dois tipos:

  • Disfagia orofaríngea: ocorre logo no início da deglutição, com engasgos, tosse ou sufocamento.

  • Disfagia esofágica: ocorre quando há sensação de que o alimento ou líquido está parado na base da garganta ou no peito, mesmo após já ter iniciado o ato de engolir.

As causas são variadas e envolvem desde alterações estruturais até doenças neurológicas. A condição é comum em idosos e em pessoas com doenças como Parkinson e Alzheimer — estudos estimam que 80% dos pacientes com Parkinson e dois terços dos com Alzheimer podem desenvolver disfagia. Tumores, doenças como o divertículo de Zenker, sequelas de AVC e até traumas ou cirurgias na região da cabeça e pescoço também estão entre os fatores de risco.

Além da tosse ou engasgos frequentes, Érica conta que outros sintomas podem estar associados e ser um sinal de alerta para buscar ajuda médica:

  • Excesso de salivação;

  • Dor ou sensação de obstrução ao engolir;

  • Regurgitação;

  • Azia frequente;

  • Problemas na fala;

  • Perda de peso sem causa aparente.

O diagnóstico é clínico, mas pode incluir exames como videoendoscopia da deglutição, nasofibrolaringoscopia, endoscopia digestiva alta ou manometria. O tratamento depende da causa, podendo envolver fonoaudiologia, medicação, dilatação ou cirurgia. Em alguns casos, a disfagia pode ser curada com ajustes no padrão alimentar e reabilitação.

 

“A boa notícia é que, quando identificada precocemente e tratada de forma adequada, a disfagia tem controle e, em muitos casos, cura. O mais importante é que o paciente não minimize os sintomas”, reforça Érica.

 

Algumas medidas simples podem ajudar a prevenir complicações durante o tratamento da disfagia, como preferir alimentos macios e bem cozidos, evitar alimentos secos ou de difícil mastigação, cortar os alimentos em pedaços pequenos, manter a postura ereta ao se alimentar e evitar deitar-se logo após comer.

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