Salvador, 31 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Julho tem menor área queimada dos últimos sete anos

Fogo consumiu 748 mil hectares, uma extensão 40% menor que em 2024

O mês de julho de 2025 registrou uma queda de 40% em área queimada do território brasileiro, na comparação com o mesmo mês de 2024. Foram 748 mil hectares, a menor área alcançada pelo fogo para o mês de julho desde 2019, quando o MapBiomas iniciou a série histórica do Monitor do Fogo.

Segundo a coordenadora técnica do MapBiomas Fogo, Vera Arruda, ainda é cedo para afirmar que já há uma mudança de tendência consolidada.

“Essa redução pode estar associada a diferentes fatores. Entre eles, o retorno das chuvas em algumas regiões, como na Amazônia, a intensificação da fiscalização em áreas críticas e até uma postura mais cautelosa do uso do fogo após os prejuízos dos anos anteriores”, destaca.

A vegetação nativa foi a mais atingida no mês e representou 76,5% do total de área queimada, enquanto áreas de uso agropecuário e pastagens responderam por 14,3% do total do que foi queimado no país.

O tipo de vegetação mais afetada foi a formação savânica, que respondeu por 36% do que foi consumido pelo fogo em todo o Brasil. Constituída por formações campestres, arbustos e árvores de médio e pequeno porte, essa é a vegetação predominante no bioma Cerrado.

Biomas
Em julho, o Cerrado perdeu 571 mil hectares para o fogo, enquanto a Amazônia teve 143 mil hectares queimados. Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa tiveram afetados respectivamente 24,4 mil hectares, 6,8 mil hectares, 1.272 e 1.277 hectares.

Tocantins teve 203 mil hectares queimados no mês, Mato Grosso, 126 mil hectares, e Maranhão foi afetado pelo fogo em 121 mil hectares. Os municípios com maior extensão queimada foram Lagoa da Confusão (TO), com 52,6 mil hectares; Mirador (MA), com 38,5 mil hectares; e Formoso do Araguaia (TO) com 34,8 mil hectares.

Vera Arruda destaca que o início da estação seca para o Cerrado é o período mais crítico, marcado pelo acúmulo de material combustível seco e pelo maior risco de grandes incêndios. “É justamente nesse momento que a prevenção deve ser intensificada, já que as principais fontes de ignição têm origem humana”, diz.
Acumulado
Entre janeiro a julho de 2025, o país já acumula 2,45 milhões de hectares de área queimada. A extensão representa uma redução de 59% em relação ao mesmo período de 2024.

O Cerrado também foi o bioma mais alcançado pelo fogo no período e soma metade de toda a área queimada no país em 2025: 1,2 milhão de hectares. Assim como em julho, o percentual de vegetação nativa brasileira incendiada foi alto no acumulado desde janeiro: 75%.

Tocantins e Maranhão também lideram a lista de estados mais afetados nos primeiros seis meses do ano, com 467 mil hectares e 329,7 mil hectares respectivamente. Para o período, Roraima também encabeçou a lista com 426,6 mil hectares queimados.

Agência Brasil

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