Salvador, 7 de novembro de 2026
Editor: Chico Araújo

Dois terços das mulheres do Rio sofreram violência obstétrica

Toques vaginais inadequados foram a reclamação mais frequente

Aproximadamente dois terços das mulheres do Rio de Janeiro ouvidas pela Pesquisa Nascer no Brasil 2 relataram ter sofrido pelo menos um tipo de violência obstétrica durante o parto. Os toques vaginais inadequados foram a forma de violência mais frequente, sofridos por 46% das participantes. Em seguida vem os relatos de negligência, feitos por 31%, e de abuso psicológico, por 22%.

Os dados fazem parte da segunda edição do maior inquérito sobre parto e nascimento do Brasil, feito pela Fundação Oswaldo Cruz. O suplemento sobre a situação do Rio de Janeiro foi divulgado nesta quarta-feira (03), com informações de 1923 mulheres, admitidas em 29 maternidades, públicas, privadas e mistas, de todas as regiões do estado entre 2021 e 2023. Os dados completos do país serão revelados no ano que vem.

A maior parte das mulheres que foram vítimas de toques inadequados contou que eles foram feitos sem explicação ou consentimento. Também são numerosos os relatos de exames vaginais feitos sem privacidade. Já os relatos de negligência mais frequentes foram a longa espera por atendimento e sentimento de que estavam sendo ignoradas pela equipe do hospital. Na categoria de abuso psicológico, chama a atenção a quantidade de mulheres que foram repreendidas ou ouviram alguma bronca dos profissionais.

“Quem é que sofreu o maior número de violências? Mulheres que eram jovens, adolescentes e as mais velhas; mulheres que tinham baixa escolaridade e as que recebiam benefícios sociais do governo, ou seja, as mais pobres. Quanto ao financiamento do parto, é maior a violência no setor público. Também é maior a violência no parto vaginal, porque a mulher fica em contato com os profissionais de saúde por mais tempo. Inclusive, quanto mais tempo ela ficar no hospital, maior a chance de ter uma violência obstétrica” complementa a coordenadora-geral da pesquisa, Maria do Carmo Leal.

A pesquisa também mostra que 53 parturientes passaram pela chamada manobra de Kristeller, quando o profissional empurra ou sobe em cima da pessoa durante o parto vaginal, para acelerar a saída do bebê. O procedimento é proibido por lei estadual desde 2016 e desaconselhado pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde, por causa dos danos que pode causar à parturiente e o bebê.

O estudo destaca que, se a prevalência da pesquisa for projetada para todos os nascimentos ocorridos no estado em 2022, “cerca de 5,6 mil mulheres sofreram uma das formas mais graves de violência física durante o parto no estado.”

Agência Brasil

Veja também

VIC
No Barradão: Vitória é goleado pelo Fluminense e aumenta perigo de rebaixamento
Na primeira partida sem o técnico Jair Ventura,demitido após derrota para Coritiba, o Vitoria decepcionou...
unnamed (3)
Vacinação contra o HPV na pré-adolescência enfrenta tabus sobre sexualidade e prevenção
Imunização antes do início da vida sexual é estratégia para prevenir infecções associadas a diferentes...
Shopping Bela Vista apresenta versão inclusiva de espetáculo natalino neste domingo - Divulgação
Shopping Bela Vista apresenta versão inclusiva de espetáculo natalino neste domingo (08/11)
Natal é tempo de celebrar a vida, reconhecer a beleza dos pequenos momentos, valorizar as conquistas...
unnamed (1)
Boulevard Shopping inicia contagem regressiva para inauguração "Estação do Noel" com chegada do Papai Noel e programação gratuita para toda a família
Evento aberto ao público acontece no dia 7 de novembro, às 18h, e conta com personagens animados, cenário...

Opinião

ucsal
UCSal: semeando saberes e sonhos ao longo de 65 anos