Salvador, 20 de janeiro de 2026
Editor: Chico Araújo

Setembro Amarelo: como as doenças ginecológicas afetam a saúde mental

O mês de setembro traz sempre uma discussão muito importante sobre o suicídio e também sobre a saúde mental. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgados no último dia 2 de setembro, o suicídio figura entre as principais causas de óbito de jovens, independentemente do país ou condição socioeconômica. Transtornos de saúde mental, como ansiedade e depressão, são altamente prevalentes em todos os países e comunidades. “É a segunda maior causa de incapacidade a longo prazo, gerando perda de qualidade de vida”, destaca a OMS.

Mesmo diante de dados alarmantes, este assunto ainda é muito evitado, assim como o cuidado com a saúde mental costuma ser negligenciado. “Muitos distúrbios psicológicos podem estar relacionados às condições ginecológicas. Precisamos falar sobre isso, não só em setembro, como o ano todo. Além disso, essa pauta deve ser assunto de todas as especialidades, afinal, não é possível falar de saúde sem considerar a mente”, comenta Dr. Thiers Soares, especialista em miomas, adenomiose e endometriose.

Como as doenças ginecológicas podem afetar a saúde mental

A partir da primeira menstruação até a menopausa, as mulheres podem sofrer com transtornos mentais específicos para o sexo feminino, como transtorno disfórico pré-menstrual, depressão perinatal e depressão perimenopáusica. Além disso, existem as mudanças de humor – sintomas depressivos e de ansiedade que são consequências de doenças ginecológicas. Endometriose, menopausa precoce, ovário policístico, miomas, entre outras doenças, podem afetar a saúde mental.

Os transtornos mentais podem se desenvolver com mais facilidade em pessoas que já sofrem com outras doenças. Desta forma, no momento em que uma mulher é diagnosticada com algum problema ginecológico, ela também pode entrar na zona de risco para desenvolver algum distúrbio psicológico.

Além disso, algumas patologias interferem significativamente na vida pessoal, profissional e íntima das mulheres, comprometendo a vida social, afetiva e familiar. Essa característica também pode ser a origem de doenças mentais, como depressão, ansiedade e estresse.

Muitos profissionais negligenciam essa correlação entre diagnósticos – o que pode comprometer o sucesso do tratamento da paciente. Portanto, além de entender a condição física da paciente, é fundamental investigar sua saúde mental e, se necessário, encaminhá-la para o tratamento psicológico e/ou psiquiátrico.

Saúde mental e doenças ginecológicas

Algumas doenças ginecológicas podem gerar sintomas ou patologias psicológicas. São elas:

Endometriose: doença de característica inflamatória, ocorre devido às glândulas endometriais que se espalham por outros órgãos do corpo, como intestino, bexiga e ovários. Pacientes com essa doença podem sentir dores crônicas, além de ter dificuldade para engravidar. É comum o aparecimento de sintomas de ansiedade e depressão.

Menopausa precoce: acontece quando os ovários param de produzir óvulos antes dos 40 anos. Entre os diversos sintomas, está a mudança hormonal, que afeta não só o corpo, mas também a mente da mulher. Após a menopausa precoce, a produção do hormônio estrogênio reduz muito, o que causa alterações de humor, falta de disposição e pode levar ao surgimento da depressão.

Miomas: são tumores benignos que crescem dentro do útero durante a idade reprodutiva da mulher. Essa doença possui sintomas como sangramento anormal e cólicas intensas. Tudo isso gera muito medo e pode afastar a mulher do seu companheiro, familiares e amigos. Além disso, em último caso, uma das formas de tratamento de miomas mais graves é a histerectomia (remoção do útero), o que pode afetar muito a mulher que deseja engravidar. A histerectomia deve ser reservada a pacientes que não desejam engravidar, mas, infelizmente, algumas mulheres que querem ter filhos são submetidas a esse procedimento. Esses acontecimentos também podem afetar o psicológico e gerar transtornos mentais. Procurar ajuda é o primeiro passo.

De acordo com o especialista, com o acompanhamento correto, essas condições podem ser totalmente tratadas. “É fundamental procurar um ginecologista especializado e deixar o medo de lado. Isso porque muitas mulheres deixam de realizar as consultas ginecológicas por vergonha ou por receio de um possível diagnóstico ruim. Todo diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso no tratamento. Além disso, um profissional capacitado será responsável por guiar, orientar e acolher”, acrescenta Soares.

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