Salvador, 18 de janeiro de 2026
Editor: Chico Araújo

Psicóloga destaca a importância de falar sobre morte e luto na infância

A morte é um fenômeno que faz parte da vida, sentir a perda de alguém que se ama é natural, sendo inevitável que haja tristeza, dor e sofrimento. Mas de um modo geral, a morte é também um assunto muito evitado na sociedade, pois o ser humano ainda não sabe lidar com esse episódio.

Se para o adulto é difícil lidar com a morte e encarar o luto, imagine como esse fato pode ser um processo para as crianças e torna-se um problema psicossomático em suas vidas ao longo dos anos.

De acordo com a psicóloga Bianca Reis, “as doenças psicossomáticas são causadas por problemas emocionais do indivíduo e representam a ligação direta entre a saúde emocional e a física. Tudo que a gente não fala, comunica ou elabora cresce e acha um caminho de manifestação e, em muitos casos esse caminho é o adoecimento.”

De certa forma é preciso criar o hábito de falar da morte, assim como o de falar e vivenciar o luto. Ser transparente, trazer recordações positivas da pessoa que morreu, abordar o assunto de forma lúdica, procurar ajuda de um profissional, são algumas alternativas que podem ajudar e auxiliar nesse momento tão delicado e difícil.

A especialista acrescenta que, “a morte é um desafio emocional com o qual a criança tem que lidar, e por vezes pode desencadear diversos tipos de comportamento, inclusive dificuldades de expressar e identificar os sentimentos”. Cada criança vai lidar com a morte e o luto de uma forma, a depender da idade, temperamento, condução e apoio dos adultos. É preciso respeitar a particularidade de cada uma das crianças que enfrenta essa situação.

É importante que a família desenvolva o hábito de falar da vida e da morte, que não negue o luto e que use recursos como filmes e livros para contextualizar e falar sobre o assunto, antes mesmo de acontecer algum episódio.

“A criança está em desenvolvimento cognitivo e emocional e, embora quando sofra uma perda significativa ela perceba que a morte é uma coisa irreversível, há questões que ela só vai compreendendo e revendo à medida que cresce”, complementa Bianca Reis.

Precisamos lembrar que o luto é um processo, não um evento. A gente vive/sobrevive apesar do luto. Ele é fluido e presente de forma mais ou menos ativa a depender de muitas circunstâncias.

As crianças, assim como os adultos, vão passar ou estar nesse processo por um tempo indeterminado, e é preciso todo cuidado e observação.

Sobre Bianca Reis

Psicóloga 03/11.152, Psicoterapeuta, Palestrante e Facilitadora de Grupos. Bianca é Mestra em Família, Especialista em Psicoterapia Junguiana e Pós-graduada em Estimulação Precoce e pós-graduanda em Neuropsicologia: avaliação e Reabilitação neuropsicológica, Pós-graduanda em Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem e Formada em Terapia do Esquema. Atua há mais de 12 anos na área clínica, tratando de pacientes com demandas voltadas aos relacionamentos familiares e românticos, sexualidade, gênero, infância, ansiedade, depressão e outras importantes questões psicológicas e humanas.

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