Salvador, 17 de janeiro de 2026
Editor: Chico Araújo

Hábitos preventivos: por que alimentação e exames de rotina ajudam a afastar o risco de câncer

Biotecnologista explica os fatores por trás dos diversos tipos da doença, além de como dieta equilibrada e check-up médico podem evitá-los

O Dia Nacional de Combate ao Câncer, celebrado em 27 de novembro, chama atenção para uma doença que pode se tornar, até 2029, a maior causa de morte no Brasil. Segundo registros da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), ao longo do ano passado, mais de 12 mil baianos foram a óbito por conta de tumores malignos presentes em diferentes regiões do corpo.

Embora existam mais de 100 tipos de neoplasias, há dois grupos de fatores de risco que aumentam as chances de desenvolvimento. O primeiro inclui condições que podem ser evitadas, como tabagismo, consumo excessivo de álcool, alimentação inadequada, obesidade e exposição à radiação ultravioleta. Já entre os chamados fatores não modificáveis estão idade avançada, histórico familiar e mutações genéticas.

“Muitos tumores compartilham fatores de risco que interferem nos processos iniciais de transformação celular, conhecidos como iniciação tumoral. Geralmente esses fatores atuam promovendo alterações no DNA, originando mutações que comprometem a regulação do ciclo celular. A partir dessa primeira lesão genética, a célula passa por etapas subsequentes de promoção e progressão, até adquirir o fenótipo plenamente neoplásico”, explica Nathan Sellis, biotecnologista e professor do curso de Medicina da UniFG.

Independentemente do órgão afetado, alguns sintomas acendem o alerta para o problema. Perda de peso inexplicada, fadiga persistente, febre de origem indeterminada, anemia, sudorese noturna, dores inespecíficas, aumento de linfonodos, alterações cutâneas, sangramentos anormais e alterações neurológicas são indícios que apontam a necessidade de investigação. “Diversas neoplasias não apresentam sintomas nas fases iniciais, o que dificulta sua detecção precoce. Por isso, é fundamental buscar orientação médica regularmente, sobretudo diante de fatores de risco conhecidos ou mudanças persistentes no estado de saúde”, alerta o especialista.

Influências da alimentação

Estudos recentes mostram que certos padrões alimentares influenciam no surgimento de cânceres, enquanto outros ajudam a preveni-los. O biotecnologista ressalta que uma dieta equilibrada, ou seja, composta por frutas, verduras, legumes, fibras, peixes e demais fontes de ômega-3, fornece vitaminas, antioxidantes e compostos bioativos capazes de proteger o DNA contra danos, modular a microbiota intestinal e atenuar processos inflamatórios crônicos.

Em contrapartida, o consumo excessivo de carne vermelha, embutidos como salsicha, bacon, salame e presunto, alimentos ultraprocessados – caracterizados pelo baixo valor nutricional e alto teor de açúcar, sal, gorduras saturadas, aditivos químicos e conservantes –, além de preparações muito defumadas ou queimadas tem ligação direta com o aparecimento de tumores.

“Nitritos e nitratos presentes em carnes processadas, por exemplo, podem formar nitrosaminas, substâncias reconhecidamente carcinogênicas, especialmente relacionadas ao câncer colorretal. As técnicas de fritura, cura, defumação e aquecimento utilizadas também podem gerar compostos tóxicos, como aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, que lesam o DNA”, afirma Nathan Sellis.

Estratégias preventivas no cotidiano

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) reforça que, quando detectados no primeiro estágio, mais de 90% dos cânceres podem ser controlados ou curados. De acordo com o professor da UniFG, a identificação precoce pode ocorrer através de duas vias complementares: rastreamento, que consiste na realização de exames periódicos mesmo na ausência de sintomas, com o objetivo de verificar alterações sugestivas; e diagnóstico.

“Neste caso, não se trata de examinar pessoas assintomáticas, mas sim de reconhecer manifestações iniciais e agir com rapidez para confirmar ou descartar o câncer. A depender do tipo, os exames indicados para detecção precoce incluem mamografia, pesquisa de sangue oculto nas fezes, citopatológico e DNA-HPV, colonoscopia e toque retal e/ou PSA”, destaca.

Assim como o rastreamento, alimentação equilibrada e a prática regular de atividade física, outros hábitos preventivos podem ser incorporados à rotina. Entre as estratégias mais eficazes estão:

Evitar o consumo de álcool e o tabagismo;
Usar filtro solar diariamente, dificultando a exposição excessiva ao sol e recorrendo a barreiras físicas como roupas e chapéus;
Vacinar-se contra o HPV (Papilomavírus Humano) e hepatite B;
Evitar exposição a agentes químicos e ambientais, a exemplo de poluentes ocupacionais, fumaça, solventes e pesticidas, diminuindo o risco de mutações induzidas por tóxicos;
Manter check-ups médicos em dia, além de boas práticas de sono e redução do estresse.

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