Salvador, 25 de julho de 2026
Editor: Chico Araújo

Janeiro Branco: Saúde mental no trabalho exige mais escuta, menos ego e ambientes mais humanos; afirma especialista

Group of business colleagues having a headache while working on laptop and trying to solve the problems during a meeting.

Este mês é marcado pela campanha Janeiro Branco, movimento nacional que convida a sociedade a refletir sobre a importância da saúde mental e emocional. No ambiente corporativo, a proposta ganha ainda mais relevância diante do aumento expressivo de afastamentos do trabalho relacionados a transtornos psicológicos, como ansiedade, depressão e Síndrome de Burnout. De acordo com dados do Ministério da Previdência Social, mais de 470 mil licenças médicas por transtornos mentais foram concedidas no Brasil em 2024, revelando um cenário que exige atenção urgente das empresas.

“O adoecimento emocional impacta não apenas a produtividade, mas também as relações interpessoais, o clima organizacional e a qualidade de vida dos trabalhadores”, afirma a médica do trabalho e especialista em Saúde e Bem-estar, Ana Paula Teixeira, que recentemente lançou o livro “Quando o trabalho dói”, disponível na Amazon – que relata, justamente, como o ambiente corporativo pode impactar negativamente a saúde dos colaboradores.

Ainda de acordo com a médica, que também é consultora e idealizadora do “Escutaris”, o Janeiro Branco propõe mais do que discursos simbólicos. “Ele convida empresas e trabalhadores a repensarem comportamentos, rotinas e relações. Ambientes corporativos saudáveis são aqueles que estimulam o diálogo, o respeito, a empatia e a cooperação – valores que reduzem conflitos e fortalecem vínculos”, explica.

“Criar espaços de escuta, capacitar lideranças para lidar com questões emocionais e incentivar relações baseadas no apoio mútuo são medidas fundamentais. Cercar-se de boas companhias no trabalho, colegas colaborativos, gestores acessíveis e equipes solidárias são fatores determinantes para o equilíbrio emocional no dia a dia profissional”, conforme alerta a especialista.

Reflexão, propósito e metas que fazem sentido

Mais do que cobranças por desempenho ou disputas internas, o Janeiro Branco propõe um olhar para dentro. É um período oportuno para que cada trabalhador reflita sobre suas metas pessoais e profissionais, baseando-se naquilo que realmente mobiliza o coração, gera propósito e bem-estar; e não em frustrações, comparações ou egos feridos.

De acordo com Ana Paula Teixeira, quando empresas respeitam esse processo e estimulam o autoconhecimento, contribuem para ambientes mais leves e produtivos. Metas alinhadas a valores pessoais fortalecem o engajamento e reduzem o estresse emocional dos trabalhadores.

Ana Paula Teixeira também alerta que o Janeiro Branco deve reforçar a ideia de que as empresas devem voltar o olhar aos cuidados com a saúde mental dos trabalhadores de forma contínua e apenas pontual. “Este deve ser um compromisso permanente. As empresas que investem em ambientes emocionalmente seguros constroem equipes mais engajadas, resilientes e produtivas. Promover o bem-estar no trabalho é, acima de tudo, um exercício de humanidade. Quando há mais empatia, propósito e respeito, todos crescem, pessoas e organizações”.

Ana Paula Teixeira também alerta que o Janeiro Branco deve reforçar a ideia de que as empresas precisam voltar o olhar para os cuidados com a saúde mental dos trabalhadores de forma contínua e não apenas pontual. “Este deve ser um compromisso permanente a partir de 2026, inclusive por uma exigência legal com a nova NR-1 que trata do reconhecimento e gerenciamento de tudo que estressa demasiadamente o ambiente de trabalho. As empresas que investem em ambientes emocionalmente seguros constroem equipes mais engajadas, resilientes e produtivas e ainda mitigam passivos trabalhistas. Promover o bem-estar no trabalho é, acima de tudo, um exercício de humanidade. Quando há mais empatia, propósito e respeito, todos crescem: pessoas e organizações”.

Algumas atitudes simples podem transformar o cotidiano corporativo. Abaixo, a especialista cita alguma delas:

– Reconhecer e mitigar os fatores psicossociais, utilizando questionários anônimos ou escuta qualificada com especialistas

– Praticar a escuta ativa: ouvir com atenção, sem julgamentos ou interrupções.

– Estimular relações respeitosas: divergências não precisam se transformar em conflitos pessoais.

– Valorizar o trabalho coletivo: reconhecer esforços individuais e da equipe.

– Evitar ambientes competitivos tóxicos: foco em colaboração, não em rivalidades.

– Respeitar limites emocionais e físicos: pausas e equilíbrio são essenciais.

– Incentivar hábitos saudáveis: cuidado com o corpo, mente e emoções.

Veja também

Secult_cobertura_Protagonismo_Negro_Nosso_Mês_Preta_Preta_Pretinha_Julho_das_Pretas_Foto_Juliano_Sarraf_4
Julho das Pretas leva arte e debate sobre protagonismo negro ao Centro Cultural Barra do Pojuca
Foi por meio da arte que a iniciativa “Protagonismo Negro” reuniu mulheres e promoveu um diálogo sobre...
unnamed (2)
Novo reforço da Inter de Limeira, Heitor Roca vive expectativa de estreia diante de ex-clube e reforça confiança em acesso
Mesmo na liderança da Série C, a Internacional de Limeira segue reforçando o seu elenco com o intuito...
unnamed (1)
Daniel dos Anjos é anunciado como novo reforço do Becamex e inicia novo capítulo no futebol vietnamita
O atacante Daniel dos Anjos foi anunciado nesta quinta-feira como novo reforço do Becamex, do Vietnã,...
23_07_2026_Prefeitura promove protecao e desobstrucao de canteiros_Fot Bruno Concha_Secom_Pms (7)
Prefeitura inicia programa de recuperação de canteiros arbóreos com serviços na Rua Portugal, no Comércio
A Prefeitura de Salvador deu início, nesta semana, ao Programa de Proteção e Desobstrução de Canteiros...

Opinião

advs
Eleições na era digital: o uso da Inteligência Artificial nas eleições de 2026