O personal trainer André Albuquerque mostra caminhos reais para transformar o “vou começar” em hábito
Com a chegada de um novo ano, cresce a vontade de tirar os planos do papel e finalmente começar a praticar atividade física. Seja por saúde, estética, bem-estar emocional ou simplesmente para se sentir melhor no próprio corpo, o primeiro passo costuma ser o mais difícil. Mas, segundo o personal trainer, mestre em Educação Física e consultor da Probiótica, André Albuquerque, iniciar do zero pode ser mais simples e muito mais seguro do que parece.
Para o especialista, o erro mais comum entre iniciantes é tentar fazer tudo de uma vez. “Muita gente começa empolgada e aposta em treinos longos e intensos para compensar o tempo parado. Isso aumenta o risco de lesões, gera dores desnecessárias e acaba afastando a pessoa da prática”, explica. O caminho mais eficiente, segundo ele, passa pela progressão: sessões mais curtas, movimentos básicos, foco na técnica e frequência moderada.
Os primeiros 30 dias são considerados fundamentais para que o corpo se adapte ao novo estímulo. Nesse período, o objetivo não é buscar resultados estéticos imediatos, mas construir regularidade. “Constância vem antes da intensidade. Quando o treino é seguro, os primeiros sinais aparecem rápido: mais disposição, melhora do sono, ganho de mobilidade e um corpo que responde melhor ao movimento”, afirma André.
Entre as atividades mais indicadas para quem está começando estão os exercícios de fortalecimento, como a musculação, e os aeróbicos, como caminhada ou corrida leve. Para a maioria dos iniciantes, duas a três sessões por semana, com treinos de 30 a 40 minutos, já são suficientes para iniciar esse processo de adaptação, sem sobrecarga.
Outro ponto essencial é respeitar o próprio ritmo. Comparações com quem já treina há anos ou a tentativa de reproduzir treinos avançados vistos nas redes sociais costumam
atrapalhar mais do que ajudar. “Cada organismo responde de um jeito. Começar devagar não significa evoluir pouco, significa evoluir de forma consistente”, reforça o personal.
Para evitar dores e lesões, André destaca a importância de controlar a intensidade, priorizar a execução correta dos movimentos e respeitar os dias de descanso. Dores musculares leves podem fazer parte do início, mas desconfortos persistentes ou articulares não devem ser ignorados.
A constância, segundo o especialista, também está ligada à realidade da rotina. Treinar perto de casa, estabelecer metas possíveis e criar horários que caibam no dia a dia facilitam a continuidade. “Pequenas vitórias, como se sentir mais disposto ou executar melhor um exercício, ajudam a manter a motivação nos primeiros dias.”
Para pessoas muito sedentárias ou com restrições de movimento, a recomendação é começar com exercícios simples, amplitudes menores e cargas leves, sempre com acompanhamento. “Nesses casos, a orientação de um profissional de Educação Física é fundamental para garantir segurança, adaptação correta e evolução ao longo do tempo”, afirma.
No fim das contas, começar devagar é o que permite ir mais longe. “Quem respeita esse processo cria uma base sólida de movimento e hábito. Isso gera resultados muito mais consistentes ao longo do ano do que começar intenso e parar cedo”, conclui André.