Salvador, 7 de fevereiro de 2026
Editor: Chico Araújo

Fevereiro Roxo expõe desafios de doenças sem cura

Campanha chama atenção para Alzheimer, lúpus e fibromialgia

Fevereiro ganha a cor roxa para lançar luz sobre três doenças crônicas, progressivas e sem cura — Alzheimer, lúpus e fibromialgia — que afetam milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que mais de 55 milhões de pessoas vivem atualmente com Alzheimer em todo o planeta, enquanto a fibromialgia atinge entre 2% e 4% da população mundial. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que cerca de 1,2 milhão de brasileiros convivam com Alzheimer, e estudos nacionais apontam que o lúpus acomete aproximadamente 65 mil pessoas, principalmente mulheres em idade reprodutiva.

Na Bahia, o avanço do envelhecimento populacional e o maior reconhecimento clínico dessas doenças têm ampliado a demanda por atendimentos neurológicos e reumatológicos nas redes pública e privada de saúde, especialmente em Salvador e na Região Metropolitana, segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab).

Alzheimer avança, mas tratamento evolui

Principal causa de demência no mundo, o Alzheimer se caracteriza pela perda progressiva da memória, alterações de comportamento e comprometimento da autonomia. Para o neurologista Ricardo Alvim, coordenador do Serviço de Neurologia e da UTI Neurológica do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), os avanços científicos dos últimos anos têm mudado o olhar sobre a doença. “Hoje, conseguimos identificar o Alzheimer em fases mais iniciais, o que permite planejar melhor o tratamento e retardar a progressão dos sintomas. O diagnóstico precoce é decisivo para preservar funções cognitivas e qualidade de vida”, afirma.

O neurologista Jamary Oliveira Filho, coordenador da UTI Neurológica do HMDS, reforça que o cuidado deve ser contínuo e multidisciplinar. “O tratamento vai além da medicação. Envolve estimulação cognitiva, controle de fatores de risco, suporte familiar e acompanhamento especializado. A medicina avançou muito no entendimento dos mecanismos da doença”, explica.

Fibromialgia causa dor crônica e impacto invisível

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dor musculoesquelética difusa e persistente, associada a fadiga intensa, distúrbios do sono, alterações de memória, ansiedade e depressão. Apesar de não provocar inflamações visíveis ou alterações em exames laboratoriais, a doença causa grande impacto funcional e emocional.

Segundo a reumatologista Kércia Carneiro, do Hospital Mater Dei Emec (HMDE), o diagnóstico é essencialmente clínico. “A fibromialgia não aparece em exames de imagem ou laboratoriais. O diagnóstico é feito a partir da história do paciente e da exclusão de outras doenças. Reconhecer a síndrome evita sofrimento prolongado e tratamentos inadequados”, explica.

O tratamento inclui abordagem multidisciplinar, com atividade física regular, fisioterapia, medicamentos para controle da dor e do sono, além de acompanhamento psicológico. “Não existe cura, mas é possível controlar os sintomas e devolver qualidade de vida ao paciente”, destaca a especialista.

Lúpus exige acompanhamento contínuo

Diferentemente da fibromialgia, o lúpus é uma doença autoimune sistêmica, na qual o sistema imunológico ataca tecidos saudáveis do próprio corpo. Pode comprometer a pele, articulações, rins, pulmões, coração e sistema nervoso central, apresentando períodos de crise e remissão.

De acordo com Kércia Carneiro, os sintomas mais comuns incluem fadiga intensa, dores articulares, manchas na pele, sensibilidade ao sol e alterações renais. “O lúpus exige acompanhamento médico contínuo. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado reduzem o risco de complicações graves e melhoram o prognóstico”, afirma.

O tratamento envolve o uso de imunossupressores, corticosteroides e medicamentos específicos para controlar a atividade da doença, além de mudanças no estilo de vida, como proteção solar rigorosa e monitoramento regular da função renal.

Tratamento foca controle e qualidade de vida

Embora Alzheimer, fibromialgia e lúpus não tenham cura, os avanços terapêuticos permitem controle dos sintomas, redução de complicações e melhora significativa da qualidade de vida. “O cuidado personalizado, aliado ao acompanhamento contínuo, é o principal caminho para lidar com essas doenças de forma mais humana e eficaz”, resume Kércia Carneiro.

Com o lema “Se não há cura, que haja conforto”, o Fevereiro Roxo reforça a importância da informação, da empatia e do acesso ao cuidado especializado. Para médicos e pacientes, ampliar o debate sobre essas doenças é fundamental para reduzir estigmas, incentivar o diagnóstico precoce e fortalecer redes de apoio a quem convive diariamente com condições crônicas e muitas vezes invisíveis.

Veja também

morto
Adolescente agredido em briga no DF morre após 16 dias internado
Caso teve repercussão nacional e agressor Pedro Turra está preso O adolescente Rodrigo, de 16 anos, agredido...
06_02_2026_Simulado para acidentes no carnaval_Fot Bruno Concha_Secom_Pms (28)
Simulado de incidente com múltiplas vítimas testa resposta de emergência para o Carnaval
Um exercício simulado de Incidente com Múltiplas Vítimas (IMV) foi realizado no circuito Barra–Ondina,...
Visita às Obras Sociais Irmã Dulce
Nova sala cirúrgica do Hospital Santo Antônio reforça atendimento do SUS com apoio dos governos da Bahia e Federal
A rede pública de saúde da Bahia ganhou um reforço com a entrega de uma nova sala de cirurgias gerais...
Travessia-Plataforma-Ribeira_Foto_Jefferson-Peixoto_Secom_Pms-3-scaled
Travessia Salvador–Morro de São Paulo registra movimento muito bom no Terminal Náutico da Bahia
A Travessia Salvador–Morro de São Paulo apresenta intenso fluxo de passageiros neste sábado (7), com...

Opinião

clube-da-esquina
Os sonhos não envelhecem: uma análise de “Clube da Esquina” e a resistência contra a Ditadura Militar