Salvador é a 4ª capital brasileira com pior qualidade de vida, apontou o relatório do Índice de Progresso Social (IPS) de 2026. O estudo foi divulgado nesta quarta-feira (20) e a capital baiana ficou atrás apenas de Porto Velho (RO), Macapá (AP) e Maceió (AL).
A cidade teve um IPS médio geral de 62,18, considerado abaixo da média nacional, que é 63,40. O pior índice da capital diz respeito às necessidades básicas dos moradores, onde foram analisadas questões como nutrição, cuidados médicos, saneamento, moradia e segurança pessoal.
O g1 conversou com os sociólogos Ailton Ferreira, especializado em comunicação, mobilização e cidadania, e Rosival Carvalho, professor de Direito da Universidade Católica do Salvador, para entender o que pode ter colocado a capital em posição negativa no ranking. Para ambos, um dos pontos centrais da questão é a segurança.
Capitais com melhor qualidade de vida
Ranking Capital IPS
1 Curitiba (PR) 71,29
2 Brasília (DF) 70,23
3 São Paulo (SP) 70,64
4 Campo Grande (MS) 69,77
5 Belo Horizonte (MG) 69,66
6 Goiânia (GO) 69,47
7 Palmas (TO) 68,91
8 Florianópolis (SC) 68,73
9 João Pessoa (PB) 67,73
10 Cuiabá (MT) 67,22
11 Rio de Janeiro (RJ) 67,00
12 Porto Alegre (RS) 66,94
13 Natal (RN) 66,82
14 Aracaju (SE) 66,35
15 Vitória (ES) 66,02
16 Teresina (PI) 66,02
17 São Luís (MA) 65,64
18 Fortaleza (CE) 65,15
19 Boa Vista (RR) 64,49
20 Manaus (AM) 63,91
21 Belém (PA) 63,90
22 Rio Branco (AC) 63,44
23 Recife (PE) 63,22
24 Salvador (BA) 62,18
25 Maceió (AL) 61,96
26 Macapá (AP) 59,65
27 Porto Velho RO) 58,59
Fonte: Relatório IPS Brasil 2026
Rosival Carvalho atrela o crescimento das organizações criminosas ao aumento da violência na cidade. Para ele, o impacto disso na qualidade de vida acontece de forma direta, com trocas de tiros e mortes, por exemplo, como também de forma indireta, no acesso ao lazer.
“Não existe vida noturna em Salvador, o que é um reflexo natural de uma cidade refém da violência”, avaliou.
Ailton Ferreira concorda que a sensação de insegurança tem provocado a diminuição da vida noturna da e até mesmo o fechamentos de comércios, situação que também impacta no turismo.
Ele aponta que a alternativa para o diminuir a sensação de insegurança não é aumentar o efetivo de agentes de segurança nas ruas, mas sim proporcionar para a população o acesso à cultura, lazer e esportes, um projeto de longo prazo.
“Não existe lugar violento, existe lugar violentado. Existem lugares em Salvador que são violentados por ausências. Existem bairros que não têm praças, quadras, que não têm lazer”.
Por outro lado, o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que quatro a cada 10 habitantes (42,7%) de Salvador moravam em favelas em 2022. A proporção era a terceira maior entre as capitais.
“O poder aquisitivo da população é baixo e o custo de vida da cidade é elevadíssimo, ou seja, a conta não fecha”, analisou Carvalho.
A alta de preços e a violência podem, inclusive, estar fazendo com que mais pessoas deixem a cidade. Em 2022, o IBGE divulgou que, entre as capitais brasileiras, Salvador teve o teve o pior índice de evasão.
Outro fator apontado pelos sociólogos está relacionado ao custo de vida. Salvador foi a capital com a maior alta no preço médio de imóveis residenciais no Brasil em 2025, segundo dados do Índice FipeZAP, indicador que acompanha o preço médio de imóveis em 56 cidades brasileiras.
Como o índice foi feito?
O índice é composto por 57 indicadores separados em três grupos principais. São eles ⬇️
Necessidades Humanas Básicas: avalia se o brasileiro tem acesso à comida, saúde, moradia, segurança.
Fundamentos do Bem-Estar: analisa acesso à educação fundamental, vida saudável, contato com a natureza.
Oportunidades: analisa os dados a respeito de direitos individuais e acesso ao ensino superior.
➡️ Para calcular o IPS, que mede e classifica a qualidade de vida nos 5.570 municípios brasileiros, o levantamento cruzou esses indicadores. O estudo é produzido pelo Instituto IPS, Social Progress Imperative, Imazon, Amazônia 2030, Fundación Avina e Centro de Empreendedorismo da Amazônia.
G1