Salvador, 23 de setembro de 2026
Editor: Chico Araújo

Com crescimento anual de 7%, indústria da moda internacional reformula passarelas e estratégias voltadas à Geração Z

Mônica Mota - Foto Patrícia Vasconcelos

Mônica Mota explica que o crescimento da GenZ na moda internacional transformou os critérios de consumo e de outros nichos do mercado, como fashion weeks, comerciais e os desfiles em passarelas globais.

À beira de uma reformulação global, a indústria da moda dá os primeiros passos em direção às Gerações Z e Alpha. Representando a fatia de R$ 1,4 trilhão somente no ano passado, dados da Fortune Business Insights estimam que o mercado global de moda voltado à Geração Z deva influenciar as estratégias de marcas como Nike, Shein, Zara, Gucci e H&M.

O crescimento dessa indústria atraiu os holofotes de gigantes internacionais para os novos moldes e trends por parte dos jovens. Com o setor crescendo a 7,4%, ditada pela taxa de crescimento anual composta (CAGR), as marcas notaram o interesse e a conexão da Geração Z com valores sociais e culturais, ao se verem representadas em campanhas internacionais.

As mudanças, no entanto, vão além do consumo. Ditando as tendências das fashion weeks, passarelas, publicidades e assumindo os “novos rostos” de maisons como Dior, Schiaparelli, Chanel, Giambattista Valli e Valentino, a Geração Z trouxe a representatividade que estava no consumo para dentro dos desfiles de moda.

Com o mercado se renovando ano após ano, modelos brasileiras como Luma Vitória (24 anos), Bruna Souza (22) e Josefa Santos (21) provam que os novos rostos das passarelas, nos últimos anos, passaram a refletir origens e narrativas, aproximando as grandes maisons de um público cada vez mais conectado às redes sociais e à representatividade.

Esse movimento é sentido pela empresária Mônica Mota, que acompanha de perto o avanço da internacionalização de modelos brasileiras como uma estratégia cada vez mais presente dentro da Model Club Agency. Segundo a profissional, o mercado internacional exige uma operação estruturada, com planejamento financeiro, análise de perfil e acompanhamento contínuo das modelos.

“Existe uma preparação estratégica muito profunda antes das modelos desfilarem. A avaliação passa por maturidade emocional, estrutura familiar e adaptação, além do perfil comercial de cada uma. O mercado internacional exige responsabilidade e visão empresarial, porque estamos falando de carreiras construídas desde muito cedo, e que dialogam com o perfil mais jovem e menos preparado para o mercado de trabalho, a priori”, explica Mônica.

Para passar pelo obstáculo do despreparo para o mercado de trabalho, Mônica lista uma rede multidisciplinar que acompanha o desenvolvimento pessoal e profissional das adolescentes. Com a GenZ chegando agora ao grande mercado, a empresária revela que as jovens passam por uma rotina de estudos de inglês, educação alimentar, controle emocional, disciplina com horários e preparação técnica para fotografia e desfiles nacionais e internacionais.

Segundo a empresária, o mercado também ampliou espaço para perfis mais comerciais, o que diversificou as oportunidades fora do Brasil e abriu portas para modelos que antes não se encaixavam exclusivamente no padrão fashion tradicional. Em muitos casos, contratos fechados em moeda estrangeira tornam o retorno financeiro internacional mais competitivo do que o mercado nacional, especialmente em polos como Londres, Milão, Seul e Xangai.

A transformação estética e cultural impulsionada pela Geração Z também mudou a lógica de atuação das agências internacionais. Para Mônica, a ascensão de modelos com perfis mais diversos acompanha uma mudança direta no comportamento das grandes marcas, que passaram a buscar profissionais capazes de representar estilos de vida, posicionamentos e conexões reais com o público jovem.

“Hoje, o mercado internacional observa para além da imagem. A forma como a modelo se comunica, se posiciona e entende o ambiente em que está inserida passou a ter impacto direto na construção da carreira. O inglês deixou de ser um diferencial há muito tempo. Entender contratos, participar de reuniões, compreender direcionamentos criativos e conseguir se adaptar culturalmente faz parte da rotina de quem deseja construir uma trajetória sólida fora do Brasil. Existe uma preparação silenciosa que acontece antes da passarela e que, muitas vezes, é o que sustenta a permanência dessas modelos nos grandes mercados”, conclui.

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