Professora de Nutrição da Unijorge orienta sobre as melhores formas de incluir o alimento na alimentação e os cuidados na hora da compra
Amendoim cozido, torrado ou tipo japonês. O petisco está sempre presente nas mesas de festas juninas e nos encontros para assistir os jogos da Copa do Mundo. Além do sabor e da diversidade de preparo, tem elevado valor nutricional e é fonte de proteínas vegetais, gorduras insaturadas, principalmente mono e poli-insaturadas, fibras, vitaminas do complexo B, vitamina E e minerais como magnésio, fósforo, potássio e zinco.
Renata Oliveira, professora do curso de Nutrição da Unijorge e doutora em Ciência dos Alimentos, acrescenta que o amendoim tem entre seus benefícios o auxílio à saúde cardiovascular, devido à presença de gorduras insaturadas que contribuem para o controle dos níveis de colesterol. Proporciona aumento da saciedade, favorecendo o controle do apetite por combinar proteínas, fibras e gorduras saudáveis.
Também apresenta ação antioxidante, especialmente pela presença de vitamina E e compostos fenólicos, que ajudam a combater o estresse oxidativo. Auxilia na manutenção da massa muscular e participa do metabolismo energético e do funcionamento do sistema nervoso, devido às vitaminas do complexo B e ao magnésio. “Quando inserido em uma alimentação equilibrada, pode ser nutritivo e funcional”, diz.
Para que o consumo seja bem aproveitado, a nutricionista esclarece que as diferenças estão principalmente no processamento e nos ingredientes adicionados. O amendoim in natura, que pode ser cozido ou torrado, mantém suas características nutricionais originais. Não contém adição de sal, açúcar ou gordura na sua composição, sendo a opção mais indicada para quem busca maior controle sobre os ingredientes consumidos.
O amendoim torrado sem sal preserva grande parte dos nutrientes do amendoim natural. O processo de torra pode reduzir pequenas quantidades de vitaminas sensíveis ao calor, mas geralmente não compromete de forma significativa o valor nutricional. Quando é feito torrado e salgado apresenta teor elevado de sódio, que pode ser um fator de atenção para pessoas com hipertensão arterial, doenças cardiovasculares ou retenção de líquidos. Já o amendoim japonês é revestido por uma camada de farinha, amido e temperos. Tem maior teor de carboidratos, calorias e sódio e a proporção de proteínas, fibras e gorduras saudáveis por porção tende a ser menor, devido ao revestimento.
Se a escolha for o amendoim in natura, a professora alerta para a atenção na hora da compra. Ele precisa ter aparência uniforme, sem sinais de mofo, manchas escuras ou alterações de cor; ausência de odor rançoso e desagradável, que não esteja úmido e precisa apresentar grãos íntegros. É importante observar as condições de armazenamento no ponto de venda, e se o produto está protegido da umidade e do calor. “Um cuidado essencial é a prevenção da contaminação por aflatoxinas, substâncias produzidas por determinados fungos que podem se desenvolver em condições inadequadas de armazenamento. Essas toxinas representam risco à saúde, especialmente quando consumidas de forma frequente e em grandes quantidades”, alerta Renata.
Alergias e moderação
O amendoim está entre os itens mais frequentemente associados a alergias alimentares. Em pessoas alérgicas ao alimento, mesmo pequenas quantidades podem desencadear sintomas que variam de coceira e urticária até quadros graves de anafilaxia. Indivíduos com diagnóstico da condição devem evitar completamente o consumo e ficar atentos à contaminação cruzada em com outros itens industrializados.
Outro ponto de atenção é a quantidade. Embora seja saudável, é preciso evitar excessos, já que possui alta densidade energética devido ao teor de gorduras. O consumo exagerado pode contribuir para ganho de peso quando não há equilíbrio na alimentação. Sempre que possível, deve-se optar por versões sem sal ou com baixo teor de sódio.
Porções em torno de 25 a 30 gramas por dia, aproximadamente um punhado, costumam ser suficientes para aproveitar seus benefícios sem excesso calórico. Já as versões salgadas podem fornecer quantidades significativas de sódio.
“De forma geral, para a população sem restrições médicas, o amendoim pode fazer parte de uma alimentação saudável, desde que consumido em quantidades adequadas e preferencialmente em versões menos processadas”, finaliza a especialista.


