O tumor, considerado o mais letal no Brasil e no mundo, é o terceiro mais frequente em homens e o quarto em mulheres
Tosse seca e persistente ou tosse com sangue, rouquidão, perda de apetite e dificuldade para respirar ou sensação de falta de ar podem ser sintomas de câncer de pulmão e devem ser investigados. O Agosto Branco é o mês dedicado à conscientização sobre a doença, que tem o tabagismo como principal fator de risco. De acordo com estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 35.380 novos casos desse tipo de tumor que afeta pulmão, brônquio e traqueia, sendo 1590 diagnósticos previstos na Bahia. O tumor, considerado o mais letal, é o terceiro mais frequente em homens (atrás de próstata e colorretal) e o quarto em mulheres (atrás de mama, colo do útero e colorretal) sem considerar o câncer de pele não melanoma.
Para a oncologista Clarissa Mathias, referência mundial em câncer de pulmão e líder do Cancer Center Hospital Santa Izabel Oncoclínicas, há dois desafios no combate à doença: “Primeiro, conscientizar a população sobre os riscos do tabagismo para a saúde e sobre a importância de nunca fumar o primeiro cigarro; também é essencial conscientizar as pessoas do grupo de alto risco para a doença, mesmo sem sintomas, sobre a necessidade do rastreamento para diagnóstico precoce”.
O grupo de risco inclui fumantes ativos e passivos e ex-fumantes com idade acima de 50 anos. Com o exame de Tomografia Computadorizada de Baixas Doses (TCBD) é possível detectar lesões iniciais no pulmão, quando a chance de cura pode ser superior a 90%. Trata-se de um exame rápido, não invasivo e com baixa radiação. No caso dos ex-fumantes, o exame é indicado para quem deixou de fumar há menos de 15 anos.
“Com o rastreamento é possível diminuir a mortalidade pela doença”, ressalta Clarissa Mathias.
“A ideia do rastreamento em indivíduos assintomáticos é justamente detectar tumores em fases muito iniciais, quando eles não apresentam nenhum sintoma e o tratamento pode ser menos invasivo e com maior chance de cura”, esclarece a oncologista Larissa Moura, da Oncoclínicas.
“O diagnóstico do tumor em fase inicial permite que ele tenha 90% de chance de cura”, reforça a oncologista Carolina Rocha Silva, da Oncoclínicas.
Sintomas não devem ser negligenciados
Grande parte dos diagnósticos do câncer de pulmão são feitos tardiamente porque muitas pessoas confundem os sintomas com problemas respiratórios e acabam negligenciando sua própria condição de saúde.
Sintomas como tosse seca e persistente ou tosse com sangue, rouquidão prolongada, perda de apetite e dificuldade para respirar ou sensação de falta de ar devem ser investigados. Além de possibilitar um tratamento menos invasivo e com menos efeitos colaterais, a detecção precoce da doença aumenta a chance de cura e a sobrevida do paciente.
“Quando um fumante ou ex-fumante apresenta um sintoma, como tosse persistente ou rouquidão, não significa que ele tem um câncer de pulmão, mas ele precisa buscar ajuda médica para investigar”, esclarece o oncologista Filipe Visani, da Oncoclínicas.
Avanços na oncologia
Apesar dos inúmeros avanços no diagnóstico e tratamento do câncer de pulmão nos últimos anos, o tumor ainda é considerado o mais letal no Brasil e no mundo, sendo responsável globalmente por cerca de 1,8 milhão de mortes anuais, de acordo com o Global Cancer Observatory, entidade vinculada à Organização Mundial de Saúde, e cerca de 30 mil mortes no Brasil, de acordo com o *Ministério da Saúde*.
Dentre os inúmeros avanços, o uso da Inteligência Artificial para dar mais precisão nos exames de rastreamento (imagem e biópsia), a genômica que permite identificar as alterações moleculares e indicar um tratamento com mais precisão e o arsenal de terapias que inclui radioterapia, cirurgia robótica e terapias de alta precisão, como a imunoterapia, a terapia-alvo e os anticorpos conjugados.
