Salvador, 22 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Agosto Dourado: 4 mitos e verdades sobre amamentação e o tratamento do câncer

Oncologista esclarece dúvidas frequentes sobre o aleitamento materno para mulheres que enfrentam ou já superaram a doença

O Agosto Dourado é o mês dedicado à conscientização sobre a importância do aleitamento materno, prática fundamental para a saúde e o desenvolvimento do bebê. No entanto, quando a maternidade cruza com um diagnóstico de câncer, uma série de dúvidas, medos e inseguranças toma conta das pacientes.

Para Bárbara Marques, oncologista da Oncomed-BH, o diagnóstico de câncer em mulheres em idade fértil exige um olhar humanizado e um planejamento cuidadoso por parte da equipe médica. “O desejo de ser mãe e de amamentar é uma parte muito importante da vida de muitas mulheres. Quando o câncer surge nessa fase, é comum que a paciente sinta que esse sonho foi interrompido. A informação correta é o primeiro passo para acolher essa mulher, desmistificando medos e garantindo a segurança tanto da mãe quanto do bebê”, explica a especialista.

Para ajudar a esclarecer o tema durante a campanha do Agosto Dourado, a especialista listou quatro mitos e verdades sobre a relação entre amamentação e oncologia:

Mulheres que tiveram câncer de mama nunca mais poderão amamentar: Mito
A possibilidade de amamentar após o câncer de mama depende muito do tipo de tratamento realizado. Mulheres que passaram por uma mastectomia unilateral, a retirada de uma das mamas, podem amamentar com a mama saudável, que é capaz de produzir leite suficiente para nutrir o bebê. Já na mama que recebeu radioterapia, a produção de leite costuma ser afetada ou inexistente devido à fibrose dos tecidos. O fundamental é ter o acompanhamento conjunto do oncologista e do obstetra.

É proibido amamentar durante o tratamento com quimioterapia: Verdade
Durante as sessões de quimioterapia, o aleitamento materno deve ser suspenso. Os medicamentos quimioterápicos são sistêmicos e passam para o leite materno. Como são drogas potentes, elas podem causar efeitos colaterais graves e toxicidade no bebê. Nesses casos, o desmame seguro e o suporte psicológico à mãe são essenciais, além da introdução de fórmulas infantis adequadas com orientação do pediatra.

Amamentar após o tratamento aumenta o risco de o câncer voltar: Mito
Não há nenhuma evidência científica que comprove que a amamentação aumente o risco de retorno do câncer. Amamentar tem um efeito protetor no organismo da mulher, ajudando a reduzir os riscos de desenvolvimento de tumores nas mamas e nos ovários no futuro, devido à regulação hormonal e à renovação celular que ocorrem nesse período.

É necessário aguardar um período após o fim do tratamento para engravidar e amamentar: Verdade
Após a conclusão do tratamento oncológico, os médicos geralmente recomendam um período de espera antes que a paciente tente engravidar. Esse tempo varia de acordo com o tipo de tumor, o estadiamento e as medicações utilizadas. Em tumores de mama hormonais, por exemplo, o tratamento de bloqueio hormonal pode durar anos, e a gravidez precisa ser planejada junto à equipe médica para uma pausa segura na medicação. Além disso, o corpo precisa de tempo para se recuperar da toxicidade dos tratamentos e eliminar completamente os resíduos da medicação.

A médica ressalta, por fim, que cada caso é único e o planejamento deve ser sempre individualizado e acompanhado por uma equipe multidisciplinar. “É fundamental que a mulher não se sinta culpada caso a amamentação não seja possível ou precise ser interrompida. O vínculo de amor e afeto entre mãe e bebê transcende o aleitamento e pode ser construído de inúmeras outras formas. O mais importante é garantir que essa mãe realize o tratamento adequado de forma segura, mantendo sua saúde para poder acompanhar o crescimento e o desenvolvimento do seu bebê”, conclui a oncologista da Oncomed-BH.

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