Salvador, 28 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Dino retira sigilo de investigação sobre produtora de filme ‘Dark Horse’

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o levantamento do sigilo de todo o material encaminhado pela Polícia Civil de São Paulo relacionado à investigação sobre a Go Up Entertainment Ltda., produtora do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na decisão, publicada neste domingo (13), Dino citou despachos do presidente do STF, Edson Fachin, e do ministro André Mendonça em processos relacionados à produção do longa-metragem e ao Banco Master.

A investigação conduzida pelas autoridades paulistas apura a existência de um suposto esquema envolvendo o desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, contratos firmados com a Prefeitura de São Paulo e pessoas ligadas ao deputado federal Mário Frias (PL-SP). Entre os nomes investigados está Karina Ferreira da Gama, sócia-administradora da produtora.

Na quinta-feira (10), Mário Frias comentou a operação de busca e apreensão realizada em sua residência. O parlamentar classificou a ação como uma “cortina de fumaça” e afirmou que agentes da Polícia Federal apreenderam celular, documentos e computador. Segundo Frias, não houve prisão porque não existia mandado de prisão contra ele.

Investigação passa a ser relatada por Dino

Em sua decisão, Flávio Dino determinou a reunião das investigações relacionadas aos supostos desvios sob sua relatoria. Segundo o ministro, existem indícios de conexão entre os diferentes inquéritos.

Dino afirma haver suspeitas de que uma única organização criminosa tenha sido estruturada para “captar, disseminar e ocultar” recursos provenientes de verbas públicas. O ministro também aponta a necessidade de apurar possíveis vínculos entre os investigados e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O relator determinou ainda que os investigadores tenham acesso a relatórios financeiros solicitados pela Polícia Civil de São Paulo à Justiça estadual em maio, mas cujo compartilhamento não havia sido autorizado. Um novo pedido foi apresentado em 4 de setembro.

Ao justificar a decisão, Dino também fez referência a entendimentos recentes de Fachin e Mendonça, que classificou como uma “viragem jurisprudencial”, indicando uma mudança de entendimento sobre o tema. O ministro afirmou que pretende se adaptar às novas orientações em respeito ao princípio da colegialidade.

“Com isso, creio que estou a zelar pela igualdade de todos perante a lei”, escreveu Dino na decisão.

Suspeitas envolvendo Mário Frias

Segundo o ministro, a investigação reúne “fortes indícios” de que Mário Frias seria o “agente central” da organização que, conforme a apuração, teria sido criada para captar, distribuir e ocultar recursos públicos.

A investigação aponta que o deputado teria destinado R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) por meio de duas emendas parlamentares. A entidade é presidida por Karina Gama, também ligada à produtora do filme Dark Horse.

O ICB mantém um contrato de aproximadamente R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para implantação e manutenção de pontos de acesso gratuito à internet em comunidades periféricas. Segundo os documentos, a contratação ocorreu por meio de chamamento público, e o instituto subcontratou empresas para a execução dos serviços, entre elas a Complexsys Apoio Administrativo, a Ultra IP Tecnologia e Serviços e a Urban Connect Serviços e Tecnologia.

A investigação da Polícia Federal aponta que a Complexsys teria recebido transferências diretamente relacionadas a Mário Frias e, posteriormente, realizado repasses financeiros ao próprio instituto contratante. A empresa também teria transferido valores considerados expressivos para a Academia Nacional de Cultura (ANC), organização sem fins lucrativos igualmente presidida por Karina Gama.

Para Flávio Dino, a movimentação financeira identificada não seria compatível, em princípio, com relações comerciais independentes e justificadas economicamente. Na avaliação do ministro, os dados indicariam a existência de um circuito financeiro envolvendo o parlamentar, a entidade responsável pelo contrato, empresas contratadas e outras organizações ligadas ao núcleo investigado.

Dino também apontou indícios de “confusão patrimonial” entre o Instituto Conhecer Brasil, as empresas contratadas e pessoas físicas relacionadas aos investigados.

As suspeitas ainda são objeto de investigação e deverão ser esclarecidas no decorrer do processo. A existência de indícios apontados nos autos não significa, por si só, que os investigados tenham sido considerados culpados.

Veja também

55617475742_7d9dc0baf2_k
Bahia faz boa partida, vence o São Paulo e retoma sexta colocação
O Bahia conseguiu um bom resultado na noite desta quarta-feira, pela 33ª rodada do Brasileirão. O tricolor...
FotoDivulgação Serin
Governo do Estado monitora municípios e rodovias atingidos por fortes chuvas na Bahia
Em razão das fortes chuvas que atingiram cidades de diversas regiões da Bahia nesta terça e quarta-feira...
Trump
Trump diz que não vai se "envolver", após carta de Flávio Bolsonaro
Presidente dos EUA voltou a questionar sem provas a eleição brasileira O presidente dos Estados Unidos,...
Senador diz que carta golpista de Flávio Bolsonaro foi um "desabafo"
Coordenador de campanha do PL admite não ter prova de fraude eleitoral
Senador diz que carta golpista de Flávio Bolsonaro foi um “desabafo” O senador Rogério Marinho...

Opinião

ucsal
UCSal: semeando saberes e sonhos ao longo de 65 anos