Salvador, 31 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Corrida, CrossFit e musculação: escape de urina durante o exercício merece atenção

Fisioterapeuta pélvica Priscila Barreto explica por que a perda urinária pode aparecer durante treinos de maior intensidade e alerta que o problema não deve ser normalizado_

A prática de atividade física é fundamental para a saúde, mas algumas mulheres percebem um incômodo durante os treinos que, muitas vezes, acabam tratando como algo normal: a perda involuntária de urina ao correr, saltar, levantar peso ou realizar exercícios de maior impacto. Embora seja relativamente frequente, o escape urinário durante a atividade física merece investigação.

De acordo com a fisioterapeuta pélvica Priscila Barreto, corredoras e praticantes de CrossFit estão entre as pacientes que chegam com frequência ao consultório relatando esse tipo de queixa.

“Corrida e CrossFit são duas modalidades em que recebo muitas mulheres com perda urinária. São atividades que exigem bastante do corpo e aumentam a pressão exercida sobre a região pélvica. Quando existe alguma alteração na função do assoalho pélvico, o escape pode aparecer durante o esforço”, explica.

Na musculação, especialmente em treinos com cargas elevadas, também é importante observar a forma como o corpo responde. A questão, segundo a especialista, não significa que a mulher precise abandonar a atividade física, mas compreender se o assoalho pélvico está preparado para suportar aquela demanda.

“Não se trata simplesmente de fortalecer mais. O assoalho pélvico precisa ter força, mas também coordenação, capacidade de relaxamento e de responder adequadamente ao esforço. Cada paciente precisa ser avaliada individualmente”, destaca Priscila.

A incontinência urinária de esforço acontece quando há perda de urina durante situações que aumentam a pressão abdominal, como tossir, espirrar, correr, pular ou levantar peso. Apesar de poder atingir mulheres de diferentes faixas etárias, o sintoma ainda é cercado por constrangimento e muitas vezes demora a chegar ao consultório.

Para Priscila, um dos principais alertas é justamente não considerar o escape urinário uma consequência inevitável do exercício, da idade ou da maternidade. “Se existe perda de urina, mesmo que seja pequena ou aconteça apenas durante o treino, é importante procurar avaliação. Há tratamento, e a fisioterapia pélvica tem um papel muito importante tanto na prevenção quanto na reabilitação”, afirma.

Além das consequências físicas, a incontinência pode interferir diretamente na rotina e no bem-estar. Algumas mulheres passam a evitar exercícios, encontros sociais, viagens ou outras situações por medo de um episódio de perda urinária.

“Existem mulheres que deixam de sair, de encontrar amigos ou de fazer atividades que gostam por causa da incontinência. Quando um sintoma começa a limitar a vida, ele também repercute na autoestima, na segurança e na saúde emocional. Cuidar disso é também recuperar liberdade e qualidade de vida”, conclui a fisioterapeuta.

A fisioterapia pélvica atua por meio de avaliação individualizada e recursos voltados à melhora da função dos músculos do assoalho pélvico, contribuindo para que a mulher possa manter uma rotina ativa com mais segurança e confiança.

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