A Baía de Todos-os-Santos completa 525 anos neste domingo (1º), data que marca a chegada das embarcações portuguesas à região, em 1º de novembro de 1501, dia de Todos os Santos na tradição católica. Mais do que um marco histórico e paisagístico, a baía tem papel estratégico para Salvador, tanto pela riqueza ambiental quanto pelo potencial de geração de emprego e renda.
Para fortalecer essa relação, a Prefeitura vem ampliando as políticas públicas voltadas ao desenvolvimento náutico, à valorização das comunidades tradicionais e à estruturação da economia do mar, trabalho que começou com a criação do Comitê Náutico de Salvador, em 2016, e ganhou uma estrutura especializada com a Secretaria do Mar (Semar), na gestão do prefeito Bruno Reis.
Criado durante a gestão do então prefeito ACM Neto, o Comitê Náutico foi estabelecido para discutir propostas e identificar oportunidades de desenvolvimento para o setor. O colegiado reúne representantes dos governos municipal, estadual e federal, da sociedade civil organizada, clubes náuticos, iniciativa privada e academia.
Atualmente, é presidido pela secretária do Mar, Maria Eduarda Lomanto, e funciona como órgão consultivo para a análise de propostas relacionadas à economia náutica, que podem ser encaminhadas ao Executivo municipal.
Entre as iniciativas discutidas pelo Comitê está o Manual de Licenciamento e Legalização de Marinas e Similares, elaborado para facilitar a orientação e a regularização de empreendimentos do setor. Também integram essa agenda ações de proteção dos banhistas no Porto da Barra, incentivo à realização de eventos náuticos e projetos voltados à melhoria da infraestrutura de acesso ao mar.
Infraestrutura – A Semar trabalha na elaboração dos projetos de marinas de Salvador e na recuperação de nove rampas da orla, localizadas em pontos como São Tomé de Paripe, Porto da Barra, Itapuã, Porto dos Tainheiros, Ribeira e Baixa do Bonfim. A agenda inclui ainda a requalificação dos píeres da Ilha de Maré e intervenções nas colônias de pesca da cidade.
“A Semar está finalizando os projetos de marinas de Salvador, a recuperação das nove rampas da orla da cidade, em São Tomé de Paripe, Porto da Barra, Itapuã, Porto dos Tainheiros, Ribeira e Baixa do Bonfim, a requalificação dos píeres da Ilha de Maré. Estamos realizando também a requalificação das colônias de pesca e finalizando o programa Pro Pesca, voltado para prover melhor condição de trabalho para os pescadores e marisqueiras da nossa cidade”, contou Duda Lomanto.
O conjunto de ações busca melhorar a infraestrutura utilizada por quem trabalha e circula na baía, além de fortalecer atividades tradicionais ligadas à pesca e mariscagem. O programa Pró Pesca, citado pela secretária, tem como foco a melhoria das condições de trabalho de pescadores e marisqueiras, segmentos importantes para a economia local e para a identidade cultural de Salvador.

Qualificação – A política municipal para a economia do mar também inclui a formação profissional. Por meio do programa Treinar para Empregar, na Trilha Náutica, a Prefeitura já qualificou mais de 500 pessoas em cursos voltados ao setor. A iniciativa busca ampliar as possibilidades de inserção no mercado de trabalho em atividades relacionadas à náutica e aos serviços associados ao ambiente marítimo.
Outra frente é a elaboração de um Calendário de Eventos Náuticos, com competições, provas, regatas internacionais e salões especializados. A proposta é ampliar a realização de atividades na cidade, atrair visitantes e movimentar a cadeia econômica ligada ao turismo e aos serviços náuticos.
De acordo com dados municipais, a economia do mar em Salvador cresceu 6% em 2025. O resultado reforça a relevância de um setor que reúne diferentes atividades econômicas, desde a pesca e o turismo até os serviços náuticos e a realização de eventos, com potencial para gerar emprego e renda.
Patrimônio natural – Com aproximadamente 1.233 quilômetros quadrados, a Baía de Todos-os-Santos é a segunda maior baía navegável do mundo e abrange áreas relacionadas a 18 municípios. Parte desse território integra a Área de Proteção Ambiental (APA) Baía de Todos-os-Santos, que contribui para a conservação dos ecossistemas e dos recursos naturais da região.
As águas da baía sustentam pescadores, marisqueiras, comunidades tradicionais, trabalhadores do turismo e famílias que mantêm uma relação histórica com o mar. Por isso, o desenvolvimento da economia marítima exige conciliar a criação de oportunidades econômicas com a preservação ambiental, o ordenamento das atividades e a melhoria da infraestrutura.
