Salvador, 3 de novembro de 2026
Editor: Chico Araújo

Agosto Dourado: especialista dá dicas e esclarece dúvidas sobre o aleitamento materno

Informações sobre pega correta, produção de leite, uso de chupetas e mamadeiras ajudam a enfrentar desafios comuns da amamentação

No dia 1º de agosto é celebrado o Dia Mundial da Amamentação, e a campanha Agosto Dourado chama atenção para a importância do leite materno, considerado um alimento completo para os primeiros meses de vida do bebê. Esse momento tão importante para mães e filhos também pode ser acompanhado por dúvidas, desafios e inseguranças. Entre os questionamentos mais frequentes estão a ideia de “leite fraco”, o uso de chupetas e mamadeiras, a preparação dos seios durante a gestação e a dificuldade em saber se o bebê está mamando o suficiente.

Para esclarecer o que é mito e o que é verdade, a professora de Enfermagem da Unijorge, enfermeira obstetra e consultora de aleitamento materno, Railene Pires, destaca os principais pontos. Um dos mitos mais comuns é o chamado “leite fraco”. Segundo a professora, o leite materno contém todos os nutrientes necessários para o crescimento do bebê, além de anticorpos que protegem contra doenças como diarreia, infecções respiratórias e alergias.

“O aleitamento materno também ajuda na recuperação e na saúde da mãe, como auxiliar o útero a voltar ao tamanho normal mais rapidamente após o parto, reduzir o risco de hemorragias e ainda proteger contra o câncer de mama e o desenvolvimento de diabetes tipo 2”, explica a especialista.

Saber se o bebê está mamando o suficiente também costuma gerar dúvidas. Mas há sinais que podem ser observados. O bebê começa a mamada tenso, com as mãozinhas fechadas e, à medida que vai se alimentando, as mãos começam a abrir; o bebê também pode soltar o peito quando está saciado. A troca de fraldas também indica boa alimentação. Cerca de cinco dias após o parto, o bebê alimentado terá a troca de seis a oito fraldas molhadas por dia e ocorrerá a mudança na coloração do mecônio, que é a primeira eliminação intestinal.

Outro ponto de dúvida é o uso de mamadeiras e chupetas durante o período de amamentação. De acordo com Railene, a confusão de bicos ocorre quando o bebê, que está aprendendo a mamar no peito, também recebe mamadeira ou chupeta. “Como a forma de sugar o bico artificial é bem diferente da sucção no seio materno, ele pode ‘desaprender’ ou ter dificuldade de pegar o peito depois”, diz.

A professora também orienta aspectos práticos essenciais para o sucesso da amamentação, como certificar a pega do bebê e a efetividade da sucção. “Apesar de ser um ato reflexo, o bebê precisa aprender a retirar o leite do peito. O mais importante é a pega correta, que previne fissuras e dor”, aponta. Ela recomenda roupas que permitam boa movimentação e uma posição confortável, com o bebê de frente para a mama e a barriga encostada na da mãe.

Um mito comum é que seja necessário preparar as mamas durante a gestação com massagens, fricção ou uso de buchas. As evidências atuais, segundo a OMS, o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria, mostram que o corpo já se prepara naturalmente, com o escurecimento da aréola e dos mamilos e o aumento da produção das glândulas de Montgomery, que lubrificam e protegem a pele, por isso a fricção e o uso de produtos podem causar lesões.

Para ajudar na amamentação, a orientação é que a mãe observe se a mama está muito cheia. Nesses casos, será preciso massagear e ordenhar. “A massagem é realizada com o dedo indicador e médio, fazendo movimentos circulares, começando pela aréola e massageando por toda a mama”, detalha. A mãe deve levar o bebê ao peito, e não o peito ao bebê, buscando a posição que for mais confortável para os dois, sendo as mais utilizadas a tradicional, a invertida e a deitada.

“A amamentação pode apresentar desafios iniciais para ambos, e em casos de dificuldades, é altamente recomendado que a mãe procure ajuda o mais rápido possível, com orientação de obstetras, pediatras, enfermeiras e consultoras de aleitamento. O suporte adequado pode fazer toda a diferença e fazer com que este momento seja gratificante”, conclui.

Veja também

flica2026
Escritoras internacionais debatem violência política, racismo e crises migratórias na FLICA 2026
A ruandesa Scholastique Mukasonga e a venezuelana María Elena Morán compartilham suas trajetórias na...
sem_titulo-3
Forças do Ceará intervêm para garantir água após ameaça de facção
Comerciantes teriam sido ameaçados por integrantes do Comando Vermelho As forças de segurança do Ceará...
pzzb3511
Novas regras de atendimento ao consumidor começam a valer hoje
Novo decreto do SAC exige contato direto por telefone e outros canais A partir desta segunda-feira (2),...
jornalistas
ONU ressalta importância de proteger jornalistas e acesso à informação
Guterrez: jornalistas pagam preço exorbitante por dizer a verdade “Em todo o mundo, jornalistas...

Opinião

ucsal
UCSal: semeando saberes e sonhos ao longo de 65 anos