Salvador, 18 de setembro de 2026
Editor: Chico Araújo

Amamentação reduz risco de doença cardíaca na mãe

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Produção de leite libera hormônios que melhoram funções do coração

A amamentação reduz em cerca de 11% a chance de a mulher desenvolver uma doença cardiovascular em relação a mulher que não amamenta, destaca a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

A queda dos fatores de risco está ligada ao período de amamentação.

“As publicações giram em torno de 18 meses de amamentação. A mulher que amamenta por mais tempo tem também redução desses fatores de risco: 12% menos risco de acidente vascular cerebral (AVC), 14% menos risco de infarto. Viu-se que a amamentação traz essa proteção para a mulher”, destaca a vice-presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC, Alexandra Oliveira de Mesquita.

A médica esclarece que isso não significa que a mulher que não amamenta tenha risco aumentado para esse tipo de doença.

Durante a gestação, a mulher sofre alterações hormonais, como alta da resistência à insulina e elevação dos lipídios e do colesterol, principalmente do LDL (colesterol ruim).

Já na lactação ocorre um reset metabólico, uma espécie de reinicialização do organismo, pois a produção de leite atua na regulação do açúcar, ao melhorar o efeito sobre o metabolismo glicídico e aumentar a sensibilidade à insulina; usa glicose do corpo, reduzindo o risco de diabetes; e o alívio cardíaco, uma vez que reduz a pressão arterial e diminui a frequência cardíaca da mãe, permitindo que o coração trabalhe com menos esforço para bombeamento do sangue.

Liberação de hormônios
O período de lactação ativa a liberação de hormônios específicos, como a ocitocina, a prolactina, os glicocorticoides, a grelina e o hormônio do crescimento, que atuam como uma proteção ao miocárdio contra possíveis lesões cardíacas.

Um dos principais destaques é a ocitocina. Conhecido como o “hormônio do amor”, a ocitocina protege o coração contra a falta de oxigênio por meio da ativação de receptores cerebrais e de uma via que envolve estruturas responsáveis pela geração de energia celular, oferecendo uma barreira extra de cardioproteção à mãe.

“Tudo isso promove uma melhora da função endotelial, que é a função da parede interior das artérias. Também a liberação de oxitocina, nessa fase de lactação, faz uma vasodilatação, melhorando a circulação dessa mãe. Então, as alterações hormonais produzidas durante a gestação ficam meio que “resetadas” na fase de lactação, que é o que vai causar realmente essa redução de riscos”, explicou a médica, acrescentando que a resistência à insulina, se não for controlada, pode evoluir para o diabetes.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia aponta que, na gravidez, o corpo da mulher acumula naturalmente reservas de gordura. A lactação utiliza esses depósitos, o que reduz diretamente o risco de doenças cardíacas e um infarto.

Risco alto para mulheres
Alexandra Mesquita cita que as doenças cardiovasculares respondem por 33% da mortalidade feminina, superior aos óbitos por câncer de mama.

“Ainda se pensa que a maior causa de mortalidade feminina é câncer de mama, mas a doença cardiovascular mata sete vezes mais que o câncer de mama”, disse.

A maior parte dos fatores de risco – diabetes, pressão alta e sedentarismo – é comum a homens e mulheres. No entanto, podem ser piores entre as mulheres.

Porém, há fatores de risco próprios do sexo feminino. Entre eles, por exemplo, a cardiologista citou a primeira menstruação precoce (9 ou 10 anos) ou tardia (15 e 16 anos); a menopausa precoce, com menos de 45 anos; endometriose; ovários policísticos; uso de anticoncepcional oral; alterações da gravidez, como hipertensão induzida pela gestação, diabete gestacional ou bebê de baixo peso.

Dia Internacional da Amamentação
Neste sábado (1º), será comemorado o Dia Internacional da Amamentação. O tema da Semana Mundial do Aleitamento Materno 2026 é “Amamentação para um começo de vida sustentável: Fortaleça o que funciona.”

A campanha global do Agosto Dourado é coordenada pela instituição World Alliance for Breastfeeding Action (WABA) e tem como objetivo reforçar a importância de proteger, promover e apoiar o aleitamento materno para um futuro mais saudável para crianças, famílias e comunidades.

A pediatra Carmen Elias, idealizadora da Sala de Apoio ao Aleitamento Materno do Instituto de Educação Médica (Idomed), aponta dez benefícios da amamentação para mãe e para a criança:

Proteção contra doenças
Recuperação pós-parto
Desenvolvimento infantil
Maior vínculo afetivo
Formação dos dentes
Fácil adaptação
Prevenção de tumores
Planejamento familiar
Construção de hábitos alimentares
Benefício financeiro, sem a necessidade de comprar leites e suplementos infantis

lana Gandra – Repórter da Agência Brasil

Veja também

SUS
SUS vai ofertar canetas emagrecedoras para pacientes com obesidade
Medicamento obedecerá protocolo clínico, diz Ministério da Saúde Medicamentos da classe dos agonistas...
combustivel
Sindicombustíveis Bahia alerta para novo aumento dos combustíveis no Estado
Sindicato esclarece pontos sobre o atual cenário do mercado de combustíveis e os impactos para a economia...
Tempero Bahia 2026
Festival Tempero Bahia promove intercâmbio de sabores à mesa com os Biomas da Mata Atlântica Baiana, de 17 a 27 de setembro
Valorizando à gastronomia, à cultura e impulsionando os trades econômico e turístico da Bahia, o Festival...
Mudei_De_Nome_Volta_no_Parque_Foto_BrunoConcha_Secom_PMS-8_8_11zon (1)
Pipoca do Mudei de Nome leva música e folia ao Parque dos Ventos neste domingo (20)
A orla de Salvador vai ganhar uma manhã de música e folia neste domingo (20), com a Pipoca do Mudei de...

Opinião

jolivaldo
Do Supremo do Império ao STF: crise de confiança atravessa os séculos