Os afastamentos por burnout cresceram 823% no Brasil entre 2021 e 2025, segundo dados da Previdência Social. O número acende um alerta para uma crise que deixou de ser apenas uma questão individual e passou a impactar empresas, produtividade e a economia. Entre os grupos mais afetados estão as mulheres. Elas têm idade média de 41 anos e representam cerca de 64% dos afastamentos relacionados a transtornos mentais.
Para a especialista em desenvolvimento humano e bem-estar Renata Matos, o aumento dos casos tem causas multifatoriais, mas a sobrecarga feminina ocupa papel central nesse cenário. “Muitas mulheres cuidam simultaneamente dos filhos, dos pais idosos, da carreira, da casa e ainda assumem grande parte da gestão emocional da família”, explica.
Segundo a especialista, essa sobrecarga acontece justamente em uma fase marcada por transformações importantes. Além das múltiplas responsabilidades, elas enfrentam o ninho vazio, o envelhecimento dos pais, passam por divórcios ou crises conjugais, lidam com pressões profissionais e começam a questionar identidade, propósito e envelhecimento.
Mudanças hormonais
Somam-se a isso as mudanças hormonais do climatério, que podem afetar áreas do cérebro responsáveis pela regulação do humor, do sono e da resposta ao estresse, tornando o sistema nervoso mais sensível e reativo.
“O corpo passa a funcionar em estado de alerta constante. Muitas mulheres relatam taquicardia sem motivo, irritabilidade intensa, insônia, sensação de nervos à flor da pele e dificuldade de relaxar, mesmo sem um problema real acontecendo”, afirma Renata.
Para ela, a combinação entre fatores biológicos e emocionais cria um terreno fértil para o esgotamento. “Muitas mulheres acreditam que estão fracassando ou perdendo a capacidade de lidar com a vida, quando na verdade estão enfrentando uma sobrecarga real associada a alterações que impactam o funcionamento do sistema nervoso”, observa.
Prevenção envolve mudanças
Apesar do avanço dos casos, existem caminhos para prevenção. A prática regular de atividade física, técnicas de respiração, terapia ajudam a regular o sistema nervoso e reduzir os níveis de estresse. Avaliação hormonal com médico também é indicada.
Para Renata Matos, a principal mudança precisa acontecer antes que o corpo entre em colapso. “O burnout não surge de uma semana difícil. Ele é resultado de anos ultrapassando os próprios limites”.
Sobre Renata Matos
Renata Matos é jornalista, especialista em desenvolvimento humano e bem-estar e fundadora da Viva Bem-estar Integral, consultoria que atende pessoas e empresas com ferramentas baseadas na Psicologia Positiva, na Inteligência Espiritual e na Ciência da Felicidade. É também mentora de mulheres e executivas que buscam equilibrar carreira e vida pessoal, reconectar com a própria essência e cultivar uma maturidade plena, com autonomia e amor-próprio.
Autora do livro Passei dos 40. E Agora?, Renata não fala do alto de uma teoria distante. Ela fala de dentro. Atravessou o ninho vazio, reinventou a carreira depois dos 45 e enfrentou os sintomas assustadores da perimenopausa. Foi dessa travessia, aliada a anos de estudo e formações, que nasceu sua missão: mostrar que a maturidade não é sobre perder, mas sobre florescer com mais sentido.

