Salvador, 17 de janeiro de 2026
Editor: Chico Araújo

Câncer de pulmão: especialista alerta que rastreamento não deve ser feito apenas por fumantes

O câncer de pulmão é uma das principais causas de morte por câncer no mundo. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), 1,8 milhão de mortes são registradas por ano decorrentes da doença. Embora o tabagismo seja o principal fator de risco, chegando a representar 80% a 90% dos casos, outros fatores também podem culminar na doença, mesmo entre não fumantes. Dados disponíveis no Registro de Câncer Hospitalar (RHC) de pacientes acima de 18 anos atendidos no SUS mostram que, em determinadas faixas etárias, especialmente acima dos 65 anos, o índice de pacientes não fumantes com câncer de pulmão chega a 26%.

De acordo com a pneumologista Dra Larissa Abrahão, do Centro Integrado do Tórax, os fatores de risco além do tabagismo incluem: exposição ao gás radônio, histórico familiar da doença, tabagismo passivo, que pode elevar o risco em até 25%, poluição do ar e exposições ocupacionais, como asbesto e sílica e doenças pulmonares prévias, como DPOC e fibrose pulmonar. Ela destaca a necessidade de uma abordagem mais ampla: “É crucial expandir a discussão sobre quem deve realizar o rastreamento. O perfil de risco para câncer de pulmão é mais amplo do que se imagina, e não podemos limitar essa análise apenas aos fumantes.”

O rastreamento é realizado por tomografia computadorizada de tórax de baixa dose (TCBD), um exame indolor e com baixa exposição à radiação. A recomendação é que fumantes ou ex-fumantes entre 50 e 80 anos realizem o exame anualmente.

Atualmente, as diretrizes de rastreamento são voltadas para fumantes e ex-fumantes. “Para nunca fumantes, ainda não há recomendações para rastreamento populacional de rotina”, explica a Dra. Abrahão. Entretanto, ela sugere que o rastreamento individualizado deve ser discutido em casos de:

– Idade igual ou superior a 50 anos.
– Forte histórico familiar de câncer de pulmão.
– Exposição ocupacional intensa a carcinógenos.
– Radioterapia torácica prévia em dose significativa.
– Doença pulmonar estrutural importante.

No Brasil, os desafios para o diagnóstico precoce do câncer de pulmão incluem acesso desigual a exames e a alta prevalência de doenças que podem causar achados inespecíficos. “É essencial integrar o rastreamento a políticas de controle do tabagismo e capacitar as equipes de saúde”, conclui a médica.

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