Salvador, 19 de janeiro de 2026
Editor: Chico Araújo

Cardiologia de alta complexidade ganha espaço no interior da Bahia

Procedimentos minimamente invasivos aceleram recuperação e ampliam sobrevida

As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no Brasil, responsáveis por cerca de 30% dos óbitos. Em 2024, estimativas mantiveram o patamar anual próximo de 400 mil mortes, o que reforça a urgência de expandir serviços de alta complexidade para além das capitais, garantindo diagnóstico precoce e acesso a tratamentos modernos também nas cidades do interior.

Nesse contexto, o Serviço de Hemodinâmica do Hospital Mater Dei EMEC (HMDE), em Feira de Santana, desponta como exemplo regional ao oferecer intervenções que vão da angioplastia com stent à correção de defeitos estruturais do coração, incluindo o implante transcateter de válvula aórtica (TAVI). A cardiologia intervencionista, realizada em modernas salas de hemodinâmica, permite tratar doenças graves de forma menos invasiva, reduzindo tempo de internação e acelerando a recuperação.

“A rapidez no atendimento é decisiva em quadros de infarto. Em minutos, definimos a estratégia e abrimos a artéria, o que pode significar a diferença entre salvar ou perder uma vida”, afirma o cardiologista intervencionista e coordenador do serviço de hemodinâmica do HMDE, Gustavo Novaes.

Segundo o especialista, a unidade realiza intervenções coronarianas em cenários diversos, inclusive emergenciais, em sequência rápida de atendimento, com impacto direto no prognóstico e na sobrevida dos pacientes. “O arsenal terapêutico inclui recursos de imagem intravascular coronariana e fisiologia invasiva de obstruções arteriais, compatíveis com as melhores evidências científicas atuais”, completa.

O serviço contempla, ainda, cirurgias cardíacas de alta complexidade, como revascularização do miocárdio, troca ou reparo de válvulas cardíacas e tratamento de doenças estruturais congênitas ou adquiridas. O implante de dispositivos eletrônicos (marcapassos, cardiodesfibriladores e ressincronizadores) amplia as possibilidades terapêuticas em pacientes com insuficiência cardíaca grave e arritmias complexas.

“Nosso objetivo é oferecer integralidade no cuidado, do diagnóstico ao tratamento mais avançado, assegurando que cada paciente receba a conduta adequada ao seu caso”, acrescenta Novaes.

O contexto estadual ajuda a dimensionar o desafio: a Bahia registrou 26.526 mortes por doenças cardiovasculares em 2022 (187,5 por 100 mil habitantes), com maior impacto entre idosos e concentração na região leste. O dado indica a necessidade de interiorizar terapias avançadas e organizar linhas de cuidado. Além do ganho de acesso, a adoção de técnicas minimamente invasivas reduz sequelas quando comparadas às cirurgias convencionais.

Especialistas lembram, ainda, que as doenças do coração não impactam apenas a saúde, mas também a economia. Estimativas da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apontam que as complicações cardiovasculares geram bilhões de reais em custos diretos e indiretos por ano, entre internações, reabilitação e perda de produtividade. Nesse sentido, ampliar a rede de serviços especializados no interior pode aliviar a pressão sobre grandes centros urbanos e reduzir gastos dos sistemas público e privado de saúde.

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