Categoria: Mundo

  • Caso Epstein: ex-príncipe Andrew é detido por suspeitas de má conduta

    Caso Epstein: ex-príncipe Andrew é detido por suspeitas de má conduta

    Ele teria enviado documentos confidenciais a Jeffrey Epstein

    A Polícia do Vale do Tâmisa prendeu na manhã desta quinta-feira (19), em Norfolk, o ex-príncipe Andrew, irmão mais novo do Rei Charles III.

    As autoridades não divulgaram o nome do detido “conforme as diretrizes nacionais”, argumentando que “é importante proteger a integridade e a objetividade da investigação”.

    A BBC e o The Guardian, no entanto, confirmaram tratar-se dele. Andrew Mountbatten-Windsor é suspeito de ter enviado documentos confidenciais do governo do Reino Unido ao financista e líder de uma rede de prostituição e pedofilia Jeffrey Epstein.

    “Como parte das investigações, prendemos hoje um homem na casa dos 60 anos, de Norfolk, suspeito de má conduta em cargo público. Também são feitas buscas em endereços em Berkshire e Norfolk. O homem permanece em custódia nesse momento”, publicou a polícia na conta oficial na rede X.
    Segundo a Reuters, TVs e jornais locais informaram mais cedo que seis carros descaracterizados da polícia foram a Wood Farm, em Sandringham, onde Andrew mora atualmente.

    Relatórios comerciais
    Andrew, que completa hoje 66 anos, nega que tenha cometido as irregularidades das quais é acusado, mas a divulgação recente de milhões de documentos ligadas ao caso Epstein, complicam a vida do segundo filho da Rainha Elizabeth.

    Os documentos sugerem que ele teria encaminhado a Epstein, em 2010, relatórios comerciais confidenciais sobre Vietnã, Cingapura e outros lugares que visitou em viagens oficiais quando era representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional.

    Além de ser citado várias vezes nos documentos, Andrew também aparece em fotos comprometedoras com meninas supostamente menores de idade. Não se sabe ao certo o contexto das imagens.

    Em outubro de 2025, o Rei Charles retirou o título de príncipe do irmão. Ele também teve de deixar a casa em Windsor, onde vivia. Tudo isso ocorreu após as denúncias de seu envolvimento na rede de pedofilia de Jeffrey Epstein.

    Agência Brasil

  • Embaixador de Cuba chama de genocídio medidas de Trump sobre petróleo

    Embaixador de Cuba chama de genocídio medidas de Trump sobre petróleo

    Representante do governo cubano criticou endurecimento do bloqueio
    O embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, classifica o bloqueio econômico e energético dos Estados Unidos (EUA) contra a ilha caribenha como uma “política genocida” que busca privar a população dos seus meios de subsistência. O representante do governo cubano recebeu a Agência Brasil na embaixada do país, em Brasília, para falar sobre o endurecimento do bloqueio econômico a ilha. O embargo já dura 66 anos, com as primeiras medidas adotadas logo após a Revolução Cubana, de 1959.

    “Sem energia, tudo fica comprometido. O que eles fizeram foi condenar o povo cubano ao extermínio. Um país como Cuba, que precisa de petróleo para gerar eletricidade, simplesmente não pode importá-lo no exercício de seu direito soberano. A soberania do resto do mundo também foi violada pelos EUA, não apenas a de Cuba”, afirmou Curbelo.

    No último 29 de janeiro, o presidente norte-americano Donald Trump editou nova Ordem Executiva classificando Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança de Washington, citando, como justificativa, o alinhamento de Havana com Rússia, China e Irã.

    A decisão prevê a imposição de tarifas comerciais aos produtos de qualquer país que forneça ou venda petróleo a Cuba. A ameaça tem agravado a crise energética do país, que dependia, até 2023, de derivados de petróleo para cerca de 80% da energia consumida, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

    Em 5 de fevereiro, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel denunciou a decisão de Trump como mais uma tentativa para derrotar a Revolução Cubana, que viria a instalar o primeiro governo de inspiração comunista na América Latina, desafiando a política de Washington para o continente.

    Durante a entrevista, o embaixador Adolfo Curbelo destacou que Cuba vive uma situação de guerra não convencional, o que explicaria as atuais dificuldades enfrentadas pela população. Para o diplomata, a nova medida tem efeitos “devastadores” sobre a ilha, que tem adotado medidas de austeridade extrema e tem apostado na ampliação da energia solar e na solidariedade internacional.

    Confira abaixo a entrevista exclusiva:

    12.02.2026 – Brasília – Entrevista exclusiva com o Embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, na Embaixada de Cuba em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
    Entrevista exclusiva com o Embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo – Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
    Agência Brasil: Como a nova medida dos EUA contra o comércio de petróleo prejudica a economia e a sociedade cubanas?

    Adolfo Curbelo: Há um acúmulo de fatores. Viemos de um bloqueio de 67 anos, reforçado durante o primeiro mandato de Trump, com mais 243 medidas adicionais que permaneceram em vigor durante toda a presidência de Biden.

    Nós vivemos sob um bloqueio rigoroso que incluiu, por muitos anos, medidas de guerra não convencional para atingir, por exemplo, navios que transportavam petróleo para Cuba, ou companhias de seguros para navios. Muitas embarcações foram abordadas para impedir que o petróleo chegasse a Cuba.

    Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA emitiu decreto que diz que qualquer país que vendesse petróleo a Cuba estaria sujeito a sanções. Eles já haviam garantido que nenhum petróleo da Venezuela chegaria a Cuba. Toda essa medida busca, precisamente, subjugar Cuba. Dizemos que é uma medida que constitui genocídio declarado.

    Agência Brasil: Por que é um genocídio?

    Adolfo Curbelo: Porque priva o povo cubano de seus meios de subsistência. A economia de um país depende de energia. Com energia, o país se move, cuida dos doentes nos hospitais, produz alimentos, movimenta e transporta a população. Sem energia, tudo isso fica comprometido. O que eles fizeram foi condenar o povo cubano ao extermínio. Acho que essas coisas precisam ser chamadas pelo nome.

    Um país como Cuba, que precisa de petróleo para gerar eletricidade, simplesmente não pode importá-lo no exercício de seu direito soberano. Agora, a soberania do resto do mundo também foi violada pelos EUA, não apenas a de Cuba. Os efeitos disso na economia e no país são devastadores. Agora, isso não significa que estejamos indefesos.

    Agência Brasil: Como Cuba pretende enfrentar esse momento?

    Adolfo Curbelo: A situação é muito tensa. O país teve que tomar medidas de austeridade extremas para priorizar a proteção do que é mais necessário. Em primeiro lugar, a população. Embora haja longos apagões em todo o país, foram adotadas medidas de organização do trabalho para que as pessoas trabalhem de casa, priorizando aqueles que mais precisam sair para trabalhar.

    Foram feitos trabalhos de eletrificação em áreas que exigem proteção especial: hospitais, escolas, e até casa com crianças que, devido às suas condições de saúde, precisam de eletricidade. Essas casas estão sendo priorizadas.

    Estamos trabalhando para aumentar a extração e o refino de petróleo no país. Temos trabalhado para aumentar a instalação de painéis solares no país para gerar eletricidade a partir de energia fotovoltaica. No ano passado, conseguimos instalar painéis solares para gerar 1.000 megawatts. Essa instalação nos permitiu ter agora quase 40% da geração de eletricidade diurna do país proveniente de painéis solares.

    Esse investimento permitiu aumentar a porcentagem da geração total de eletricidade nacional, a partir de energia solar fotovoltaica, de 3% para 10%. O sistema bancário, hospitais, escolas e centros de produção de alimentos estão sendo protegidos com painéis solares.

    Isso não quer dizer que estamos bem, pois ainda há um déficit muito agudo na geração de eletricidade, que está ligado à falta de combustível. Ainda não temos a capacidade de armazenamento necessária para distribuir essa eletricidade. A maior parte da infraestrutura de geração instalada no país consiste em usinas termelétricas e a maioria delas possui tecnologia obsoleta que não podemos modernizar porque é muito caro.

    Agência Brasil: Algumas empresas de aviação suspenderam os voos para Cuba por falta de combustível para retornar, como empresas do Canadá. Qual é o efeito desse bloqueio sobre o turismo?

    Adolfo Curbelo: O turismo é uma das principais atividades do país para obtenção de divisas. Com as divisas obtidas, importa-se inclusive petróleo. Quando não tem petróleo, não tem combustível para abastecer os aviões que transportam turistas.

    Os EUA também estão tentando interromper o fluxo turístico para o nosso país e impedir a entrada de dinheiro. É por isso que falei de genocídio, porque o objetivo dessa medida é justamente privar o povo cubano de seus meios de subsistência. O bloqueio é parte de uma política de genocídio.

    12.02.2026 – Brasília – Entrevista exclusiva com o Embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, na Embaixada de Cuba em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
    Entrevista exclusiva com o Embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo – Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
    Agência Brasil: Como você avalia a resposta da comunidade internacional a essa nova medida do governo Trump?

    Adolfo Curbelo: Há uma rejeição generalizada da política dos EUA no mundo. Ninguém aceita as tarifas, ninguém aceita a agressão, ninguém aceita nada disso, a política de chantagem.

    Também acredito que a solidariedade aumentará com a resistência do povo cubano. Houve uma significativa condenação internacional. O Movimento Não Alinhado, que engloba a maioria dos países do mundo — o chamado Sul Global — emitiu uma declaração rejeitando a ordem do governo do presidente dos EUA. Países importantes como a Rússia e a China, entre outros, emitiram fortes declarações de rejeição e solidariedade a Cuba, afirmando que prestarão auxílio ao país. A China doou 70 mil toneladas de arroz para Cuba.

    O México tem mantido uma posição firme, defendendo, digamos, seu direito de ajudar Cuba. Há dois dias, vários navios da Marinha mexicana enviaram mais de 900 toneladas de ajuda humanitária para Cuba. Enviados especiais de Cuba visitaram a China e o Vietnã, e Cuba recebeu importantes visitas da Rússia.

    Agência Brasil: Mas as medidas práticas de ajuda internacional não seriam ainda tímidas?

    Adolfo Curbelo: Acreditamos que a mobilização internacional é muito importante. A denúncia e o diálogo político são muito importantes, mas também acreditamos que a solidariedade prática é importante, a possibilidade de ajudar e apoiar o povo cubano a resistir.

    José Martí, o apóstolo da independência cubana, disse que fazer é a melhor maneira de falar. Todos nós podemos desempenhar um papel. Não devemos nos limitar a contar uma história, mas devemos agir para mudar essa história para derrotar a política dos EUA.

    Isso não tem apenas a ver com uma defesa de Cuba, mas como uma defesa da América Latina, de todos nós. O ataque contra Cuba não é apenas contra Cuba. O ataque contra Cuba e a Venezuela é um ataque contra todos nós. Declaramos a América Latina uma zona de paz. E eles querem transformar isso em um espaço de guerra, de conflito, da imposição da lei do mais forte. Nós resistiremos e venceremos.

    Agência Brasil: Até onde o governo cubano acredita que irá a política de bloqueio dos EUA?

    Adolfo Curbelo: A decisão de Cuba de defender sua soberania e independência, mesmo com o uso de armas se necessário, é inabalável. Somos uma nação pacífica. Sempre declaramos nossa disposição em manter uma relação respeitosa com os EUA, inclusive com o atual governo americano, e nossa disposição em dialogar em pé de igualdade.

    No entanto, não podem ser impostas condições, não pode haver interferência nos assuntos internos de Cuba, nem qualquer tentativa de subjugar ou subordinar nosso país aos interesses dos EUA. A independência e a soberania de Cuba são inegociáveis.
    Agência Brasil

  • Ataque a tiros em escola no Canadá deixa 10 mortos

    Ataque a tiros em escola no Canadá deixa 10 mortos

    Tiroteio está entre os mais mortais da história do país
    Dez pessoas, incluindo a suspeita de praticar o crime, morreram depois que uma mulher abriu fogo em uma escola secundária no oeste do Canadá nessa terça-feira (9), em um dos eventos com maior número de vítimas da história recente do país.

    O incidente levou ao Canadá o tipo de tiroteio em massa mais comum nos Estados Unidos, e foi realizado por um atirador do sexo feminino, informou a polícia.

    Seis pessoas foram encontradas mortas dentro de uma escola secundária na cidade de Tumbler Ridge, na Colúmbia Britânica, duas em uma residência que se acredita estar relacionada ao incidente, e outra pessoa morreu a caminho do hospital, segundo a Polícia Montada Real Canadense.

    Pelo menos mais duas pessoas foram hospitalizadas com ferimentos graves ou com risco de vida, e cerca de 25 estão sendo tratadas por ferimentos sem risco de vida.

    A suposta atiradora também foi encontrada morta, aparentemente por ferimento autoinfligido, informou a polícia, acrescentando que não acredita haver mais suspeitos ou ameaças contínuas ao público.

    “É difícil saber o que dizer em uma noite como essa. É o tipo de coisa que parece ocorrer em outros lugares e não perto de casa”, disse o primeiro-ministro da Colúmbia Britânica, David Eby, aos repórteres.

    A polícia não divulgou detalhes sobre a atiradora, exceto para dizer que a pessoa foi descrita como uma mulher — desenvolvimento potencialmente incomum, já que os tiroteios em massa na América do Norte são quase sempre realizados por homens.

    Um alerta da polícia sobre um atirador ativo disse que a suspeita foi descrita como “uma mulher vestida com um vestido e cabelos castanhos”. O superintendente da polícia, Ken Floyd, confirmou mais tarde, em entrevista, que a suspeita descrita no alerta era a mesma pessoa encontrada morta na escola. A polícia não informou quantas vítimas são menores de idade.

    Comunidade unida
    Tumbler Ridge é um pequeno município com uma população de 2.400 pessoas no norte da Colúmbia Britânica, aproximadamente a 1.150 km a nordeste de Vancouver. Imagens da cidade mostram uma paisagem coberta de neve e repleta de pinheiros.

    A Tumbler Ridge Secondary School tem 160 alunos do 7º ao 12º ano, com idades entre 12 e 18 anos, de acordo com seu site. A escola foi fechada pelo resto da semana e mais informações são disponibilizadas para aqueles que precisarem, disseram afministradores da escola.

    A pequena força policial da cidade chegou ao local dois minutos após receber a chamada e as vítimas ainda estavam sendo avaliadas horas após o incidente.

    “Esta é uma comunidade pequena e unida, com pequeno destacamento da RCMP (Polícia Montada Real Canadense), que respondeu em dois minutos, sem dúvida salvando vidas”, disse Nina Krieger, ministra da Segurança Pública da Colúmbia Britânica, aos repórteres.

    O tiroteio está entre os mais mortais da história do Canadá.
    Agência Brasil

  • Porto Rico: entenda situação da terra de Bad Bunny em relação aos EUA

    Porto Rico: entenda situação da terra de Bad Bunny em relação aos EUA

    De colônia espanhola à protetorado dos EUA, ilha tem status ambíguo

    Com 8,9 mil quilômetros quadrados (km²), o equivalente a um Distrito Federal (DF) e meio, a ilha de Porto Rico, terra natal do cantor Bad Bunny, tem status político ambíguo.

    Oficialmente, é um território que pertence aos Estados Unidos (EUA) no meio do Caribe com cerca de 3,2 milhões de habitantes onde predominam o idioma espanhol e a cultura latino-americana.  

    Apesar dos porto-riquenhos terem livre trânsito nos EUA e poderem eleger o governador da ilha, Porto Rico não é um estado dos EUA. Por isso, os eleitores não podem votar para presidente e não têm representantes, com direito a voto, no Congresso estadunidense.

    Ao mesmo tempo, Porto Rico tem que se submeter as leis federais do país da América do Norte, os habitantes servem às Forças Armadas dos EUA e a nação abriga bases militares de Washington, mas não participa das relações internacionais.

    Essa situação faz com que especialistas e movimentos políticos considerem a ilha uma colônia de Washington, e não um “Estado livre associado”, termo utilizado oficialmente para se referir a situação jurídico-política do território latino que é parte dos EUA.

    Para as Nações Unidas (ONU), a autonomia administrativa impede classificar Porto Rico como colônia clássica, conforme explicou à Agência Brasil o professor de relações internacionais da Universidade Católica de Brasília (UCB), Gustavo Menon.

    O especialista em América Latina, por outro lado, avalia que a ilha caribenha, apesar de ter alguns mecanismos de governo autônomo, segue subordinado às decisões de Washington sem ter todos os direitos dos demais moradores dos EUA. Gustavo Menon explica que é uma espécie de colônia dos EUA, apesar de uma soberania administrativa restrita.

    “Os porto-riquenhos não votam para presidente, não têm representação política no Congresso dos EUA, mas estão sujeitos às leis federais e decisões de Washington, sendo frequentemente descrito como uma verdadeira colônia. É um resquício neocolonial que persiste nessa primeira metade do século 21”, concluiu o especialista.

    Bad Bunny no Super Bowl

    Nesse domingo (9), Bad Bunny, um dos artistas mais conhecidos do mundo, fez o show do intervalo do Super Bowl em São Francisco, nos EUA, em um show cantado em espanhol pela primeira vez nesse tipo de evento. Na apresentação, o cantor enalteceu as culturas latino-americanas dos imigrantes.

    O Super Bowl é o jogo anual do principal campeonato de futebol americano dos EUA. A partida costuma ter a maior audiência da televisão do país, com dezenas de milhões de espectadores.

    Conhecido crítico da política anti-imigração do presidente dos EUA, Donald Trump, o porto-riquenho Bad Bunny usou no show o slogan Deus abençoe a América, que está inscrito nos dólares estadunidenses, para, logo em seguida, citar o nome de todos os países latino-americanos, pedindo assim que a benção seja para todas as nações americanas.  

    Bandeiras de Porto Rico, Cuba, Brasil, Venezuela e todos os países das Américas tremularam no estádio ao lado da bandeira dos EUA. A apresentação de Bad Bunny irritou o presidente Donaldo Trump, que classificou a apresentação como “absolutamente terrível”.

    “Não faz sentido nenhum, é uma afronta à grandeza da América e não representa nossos padrões de sucesso, criatividade ou excelência. Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo, e a dança é repugnante”, afirmou Trump, em uma rede social.

    Porto Rico e Havaí

    O canto de Bad Bunny tem se notabilizado pela defesa da cultura latina de Porto Rico e a denúncia da influência dos EUA na ilha. Em canção que tocou no show do Super Bowl, Bad Bunny cita o exemplo do Havaí, que virou um estado dos EUA, mas que teria perdido a identidade indígena original.

    “Eles querem tirar meu rio e minha praia também. Eles querem meu bairro e que a vovó vá embora. Não, não solte a bandeira nem se esqueça do lelolai [técnica de canto presente na música folclórica de Porto Rico]. Porque eu não quero que façam com vocês o que aconteceu com o Havaí”, diz a letra do cantor porto-riquenho.

    De colônia espanhola à território dos EUA

    Com a decadência do Império Espanhol e as guerras de independências dos países latino-americanos ao longo do século 19, o governo de Madri chegou ao final daquele século com apenas Cuba e Porto Rico como colônias na América Latina.

    Ao mesmo tempo, os EUA surgiam como nova potência global. A guerra hispano-americana, entre EUA e Espanha, em 1898, expulsou os espanhóis dos últimos territórios que controlavam no continente.

    Com isso, Porto Rico, Cuba e Filipinas se tornaram colônias dos EUA. Em 1917, os porto-riquenhos tornaram-se cidadãos estadunidenses. Em 1952, a ilha Porto Rico ganha um novo status políticos ao se tornar Estado Livre Associado, ganhando autonomia administrativa interna.

    O professor Gustavo Menon acrescentou à Agência Brasil que, para a elite política de Washington, o território é um “protetorado” dos EUA. Ele lembra que Porto Rico nunca foi independente e avalia que Bad Bunny exerce uma espécie de soft power, termo usado para se referir a uma influência política “branda”, geralmente no campo simbólico.

    “É por isso que, nessas representações artísticas, do ponto de vista do soft power, há uma tentativa de Porto Rico de se associar às mais de 30 nações latino-americanas. Cada vez mais Porto Rico vem sendo uma pedra no sapato para o governo de Donald Trump”, completou.

    Posição da ONU

    A Ilha de Porto Rico não está atualmente na lista de “Territórios Não Autônomos” da ONU, o que significa que a Assembleia Geral da ONU e o direito internacional não consideram o território uma colônia formal desde 1952, quando foi declarado “Estado Livre Associado”.

    Ao todo, a ONU reconhece 17 colônias, muitas no Caribe, como Bermuda, Ilhas Virgens Britânicas e Ilhas Cayman, sob controle do Reino Unido, além das Malvinas (Ilhas Falkland) que também está sob controle de Londres, mas é reclamado pela Argentina.

    Por outro lado, o Comitê Especial sobre Descolonização da ONU, órgão independente da ONU, vem classificando Porto Rico como um caso de “situação colonial”. O relator especial do Comitê Koussay Aldahhak, em relatório publicado em março de 2025, afirma que a dominação colonial é exercida por meio da imposição de uma estrutura de governo civil sob leis adotadas nos EUA.

    “A dominação tem sido exercida e continua a ser exercida através da subordinação às disposições da Constituição dos Estados Unidos. O chamado autogoverno do Estado Livre Associado, incluindo os processos eleitorais, é controlado pelas disposições da Constituição dos Estados Unidos e pelas decisões tomadas pelo Congresso dos Estados Unidos no exercício da soberania sobre Porto Rico”, explicou o especialista da ONU.

    Ainda segundo Aldahhak, o estabelecimento do governo constitucional em Porto Rico nos anos 1950 manteve a autoridade dos EUA sob a ilha caribenha.

    “O Congresso dos EUA detém plenos poderes sobre Porto Rico, inclusive nas áreas de defesa, relações internacionais, comércio exterior, assuntos monetários e outros, enquanto a ilha detém autoridade local sobre um número limitado de áreas designadas”, diz o informe.

    Referendos de Porto Rico

    A ilha caribenha de Porto Rico fez sete referendos desde 1967, de caráter consultivo, para saber a opinião da população sobre o status político do território.

    No último referendo, em 2024, 58% votaram para se tornar um estado dos EUA, 29% votaram para ter status de “livre associação com os EUA” e 11% escolheram a opção da independência política.

    No referendo anterior, de 2020, os eleitores tiveram que escolher entre duas opções: entre a favor ou contra a anexação de Porto Rico como Estado dos EUA, com 52% votando para virar um estado, e 47% votando contrário.

    As consultas feitas à população de Porto Rico não têm efeito prático, pois não são reconhecidas como vinculantes pelo Congresso estadunidense. Elas servem apenas para conhecer a posição dos moradores da ilha sobre o status legal do país, mas são geralmente questionadas pela baixa participação ou pelo desenho das perguntas a serem feitas à população.

    Agência Brasil

  • Lula parabeniza vitória de António Seguro em Portugal

    Lula parabeniza vitória de António Seguro em Portugal

    Brasil seguirá trabalhando para fortalecer relações bilaterais

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou António José Seguro pela vitória nas eleições de Portugal. Em seu perfil na rede social X, Lula classificou o triunfo como expressivo e citou vitória da democracia.

    “Uma eleição que se desenvolveu de forma pacífica e representa a vitória da democracia num momento tão importante para a Europa e o mundo. E consolida a posição de Portugal de apoio ao acordo Mercosul-União Europeia,” afirmou Lula.

    No post, ele disse, ainda, que o Brasil seguirá trabalhando em parceria com o presidente eleito e o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, pelo fortalecimento das relações bilaterais, em defesa do multilateralismo e do desenvolvimento sustentável.

    Como foi a vitória

    O socialista António José Seguro foi eleito neste domingo (8) presidente de Portugal, ultrapassando a marca de três milhões de votos. Ele derrotou o candidato da extrema-direita André Ventura, no segundo turno das eleições.

    Com mais de 11 milhões de cidadãos aptos a votar, Seguro tinha conseguido, até as 21h30 (horário local), mais de 3,3 milhões de votos. Seu adversário, André Ventura, somava 1,6 milhão de votos. A abstenção estava próxima dos 50%.

    Agência Brasil

  • Trump posta vídeo racista com casal Obama como macacos

    Trump posta vídeo racista com casal Obama como macacos

    Imagem de 2 segundos foi incluída em vídeo sobre eleição de 2022
    O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, publicou em uma rede social, na madrugada desta sexta-feira (6), um vídeo com teor racista onde aparecem representados como macacos o ex-presidente dos EUA Barack Obama e a ex-primeira dama Michelle Obama. Obama foi o primeiro presidente negro da história dos EUA.

    A imagem de 2 segundos foi incluída ao final de um vídeo de cerca de 1 minuto, com teorias da conspiração que repercutem denúncias não comprovadas de fraude nas eleições de 2020, quando Trump perdeu para o presidente democrata Joe Biden e não reconheceu os resultados.

    Em resposta a publicação, o líder dos democratas da Câmara de Representantes dos EUA, o deputado negro Hakeem Jeffries, defendeu Obama e Michelle como “o melhor deste país”.

    “Donald Trump é um verme vil, desequilibrado e maligno. Por que líderes republicanos como John Thune continuam a apoiar esse indivíduo doente? Todos os republicanos devem denunciar imediatamente o fanatismo repugnante de Donald Trump”, defendeu.

    Falsas denúncias de fraude
    O vídeo foi um dos 60 posts que o presidente Trump fez durante apenas três horas, boa parte com acusações de fraudes na eleição de 2020 que nunca chegaram a ser comprovadas.

    No vídeo em que Obama aparece como macaco aparecem as acusações já desmentidas de que a empresa de contagem de votos Dominion Voting Systems teria ajudada a fraudar a eleição.

    Por ter veiculado essa falsa acusação, a emissora trumpista Fox News fez um acordo extrajudicial de US$ 787 milhões com a Dominion para suspender um processo de difamação movido pela empresa de tecnologia citada.

    Risco eleitoral de Trump
    O reforço na tese de fraude eleitoral em 2020 por parte do presidente dos EUA ocorre em meio a avaliações de que Trump pode perder a pequena maioria que mantem na Câmara e no Senado estadunidenses nas eleições de novembro deste ano.

    No último sábado, o democrata Taylor Rehmet conquistou uma cadeira no Senado estadual do Texas que era ocupada por um republicano desde a década de 1990, informou a historiadora Heather Cox Richardson, da Universidade de Boston.

    “[O democrata] venceu com uma margem de 14,4 pontos percentuais em um distrito que Trump venceu em 2024 por 17 pontos. A virada de 32 pontos percentuais deixou os republicanos ‘em pânico total’”, disse a especialista.

    Ainda nesta semana, o estrategista trumpista Steve Bannon afirmou que o governo deve colocar agentes da polícia de imigração ICE, alvo dos recentes protestos nos EUA, repetindo outra alegação não comprovada de que os imigrantes ilegais “corrompem a eleição”.

    No ano passado, republicanos alteraram os limites dos distritos eleitorais no Texas e no Missouri, prática conhecida como “gerrymandering”, ou “manipulação eleitoral”, em tradução livre.

    O gerrymandering consiste no redesenho das fronteiras dos distritos eleitorais para favorecer determinada visão política. Por exemplo, o redesenho pode dividir uma região de maioria negra e urbana em dois distritos diferentes, onde a população negra passa a ser minoria diante de populações brancas e rurais que foram incluídas na mesma área.
    Agência Brasil

  • Desordem mundial de Trump: ONG alerta para autoritarismo em 100 países

    Desordem mundial de Trump: ONG alerta para autoritarismo em 100 países

    Human Rights Watch divulgou relatório anual sobre Direitos Humanos
    A organização não-governamental Human Rights Watch (HRWE) alerta para o aumento do autoritarismo e o retrocesso da democracia em mais de 100 países, apontando sobretudo o caso dos EUA, mas também Rússia e China.

    Em seu relatório anual, divulgado nesta quarta-feira (4), a ONG considera que as salvaguardas e proteções dos direitos humanos em todo o mundo “têm sido devastados pelo presidente dos Estados Unidos”, Donald Trump, e pelo crescente autoritarismo, pedindo às democracias que formem “uma aliança estratégica para preservar a ordem internacional baseada em regras”.

    “[É preciso] conter a onda autoritária que varre o mundo”, pediu o diretor executivo da HRW, Philippe Bolopion, citado no relatório, no qual acrescentou que esse “é o desafio de uma geração”.

    “O sistema global de Direitos Humanos está em perigo. Sob grande pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e persistentemente minada pela China e pela Rússia, a ordem internacional regida por leis está sendo destruída”, diz o documento.

    “Os recentes abusos dos EUA – desde os ataques à liberdade de expressão até a deportação de pessoas para países terceiros onde podem sofrer tortura – mostram o ataque do governo ao Estado de Direito.”

    As ações da administração Trump, somadas aos “esforços antigos” da China e da Rússia para enfraquecer a ordem global baseada em regras, “têm enormes repercussões em todo o mundo”, afirmou a organização.

    Administração Trump
    Para a HRW, a situação foi impulsionada sobretudo pelos EUA e, em particular, por Donald Trump, que “reduziu a responsabilização do governo, atacou a independência judicial, desrespeitou ordens judiciais, cortou drasticamente a ajuda alimentar e subsídios de saúde, revogou os direitos das mulheres, obstruiu o acesso ao aborto, minou as medidas de reparação por danos raciais, retirou as proteções às pessoas trans e intersexo e corroeu a privacidade”.

    Além de tudo isso, o atual mandatário tem “usado o poder do governo para intimidar adversários políticos, meios de comunicação social, escritórios de advocacia, universidades, sociedade civil e até mesmo comediantes”.

    A política externa da administração Trump também é criticada pelo diretor executivo da HRW:

    “Alegando um risco de apagamento civilizacional na Europa e apoiando-se em estereótipos racistas para retratar populações inteiras como indesejáveis nos EUA, a Administração Trump adotou políticas e retórica que se alinham com a ideologia nacionalista branca.”

    Concretamente, a ONG se refere às ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), cujos agentes usam “força excessiva, aterrorizando comunidades, prendendo indevidamente dezenas de cidadãos e, mais recentemente, matando injustificadamente duas pessoas em Minneapolis”.

    “A mensagem é clara: na nova desordem mundial de Trump, o poder dita o que é certo e atrocidades não são impedimentos para acordos”, considera a HRW.

    A política externa de Trump “subverteu os fundamentos da ordem internacional baseada em regras que procura promover a democracia e os direitos humanos. Trump vangloriou-se de não precisar do direito internacional como restrição, apenas da sua própria moralidade”, acusou ainda.

    “O governo [de Trump] cancelou abruptamente quase toda a ajuda externa dos EUA, incluindo o financiamento para ajuda humanitária vital e retirou os EUA de instituições multilaterais essenciais para a proteção global dos direitos humanos, incluindo o Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas e o Acordo de Paris sobre o Clima”, criticou Philippe Bolopion.

    “Recessão democrática”
    No caso da Ucrânia, onde “os esforços de paz de Trump têm consistentemente minimizado a responsabilidade da Rússia por graves violações”, em vez de exercer uma pressão significativa sobre o presidente russo, Vladimir Putin, para que ponha fim a estes crimes, “Trump repreendeu publicamente o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, exigiu um acordo exploratório de minerais e pressionou a Ucrânia a ceder grandes extensões de território”.

    Com os EUA a virarem as costas aos direitos humanos, alguns dos países que poderiam ter liderado a luta para os preservar foram enfraquecidos por forças internas não liberais, prosseguiu Philippe Bolopion, citado no documento que faz uma retrospectiva dos direitos humanos no último ano.

    Os países são também impedidos pelo receio de antagonizar os EUA e a China, e muitos consideram os direitos humanos e o Estado de direito como um obstáculo, em vez de um benefício, à segurança e ao crescimento econômico, de acordo com a HRW.

    No entanto, “para ser justo, o declínio antecede a reeleição de Trump”, escreveu Bolopion:

    “A onda democrática que começou há mais de 50 anos foi seguida pelo que os estudiosos chamam de ‘recessão democrática’. A democracia está agora de volta aos níveis de 1985, de acordo com alguns estudos, com 72% da população mundial vivendo atualmente sob regimes autoritários. A Rússia e a China são menos livres hoje do que há 20 anos”.

    Diante de tal cenário, a organização internacional e o seu diretor executivo apelam à união dos Estados que valorizam os direitos humanos para que possam “tornar-se uma força política poderosa e um bloco econômico substancial”.
    Agência Brasil

  • Espanha vai proibir acesso às redes sociais para menores de 16 anos

    Espanha vai proibir acesso às redes sociais para menores de 16 anos

    Plataformas terão de implementar sistemas de verificação de idade
    A Espanha planeja proibir o acesso às redes sociais para menores de 16 anos e as plataformas serão obrigadas a implementar sistemas de verificação de idade. A informação foi dada pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez nesta terça-feira (3), ao anunciar medidas para garantir um ambiente digital seguro.

    O governo de coalizão de esquerda de Sánchez tem reclamado repetidamente da proliferação de discursos de ódio, conteúdo pornográfico e desinformação nas redes sociais, afirmando que isso tem efeitos negativos sobre os jovens.

    “Nossos filhos estão expostos a um espaço em que nunca deveriam navegar sozinhos. Não aceitaremos mais isso”, disse Sánchez ao discursar na Cúpula Mundial de Governo em Dubai, pedindo a outros países europeus que implementem medidas semelhantes.

    “Vamos protegê-los do Velho Oeste digital”, acrescentou.

    Em dezembro, a Austrália se tornou o primeiro país a proibir as redes sociais para menores de 16 anos, uma medida que está sendo acompanhada de perto por outros países que consideram medidas semelhantes baseadas na idade, como o Reino Unido e a França.

    Sánchez disse que a Espanha se juntou a mais cinco países europeus que ele chamou de “Coalizão dos Digitalmente Dispostos” para coordenar e aplicar regulamentações transfronteiriças.

    A coalizão fará sua primeira reunião nos próximos dias. Sánchez não revelou quais os países que fazem parte do grupo, e seu gabinete não respondeu imediatamente a um pedido de esclarecimento.

    “Sabemos que esta é uma batalha que excede em muito as fronteiras de qualquer país”, declarou o premiê.

    A Espanha também apresentará um projeto de lei, na próxima semana, para responsabilizar os executivos das redes sociais por conteúdos ilegais e de incitação ao ódio, bem como para criminalizar a manipulação algorítmica e a amplificação de conteúdos ilegais, disse Sánchez.

    Entre as medidas que ele propôs está um sistema para rastrear o discurso de ódio online, enquanto as plataformas seriam obrigadas a introduzir sistemas de verificação de idade que “não fossem apenas caixas de seleção”, afirmou.

    Ele acrescentou que os promotores vão mostrar formas de investigar possíveis infrações por parte do Grok, de Elon Musk, TikTok e Instagram.
    Agência Brasil

  • Lula anuncia apoio à Michelle Bachelet para secretária-geral da ONU

    Lula anuncia apoio à Michelle Bachelet para secretária-geral da ONU

    Candidatura também é apoiada por Chile e México
    O governo brasileiro vai apoiar a candidatura da ex-presidente do Chile Michelle Bachelet para secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Em publicação nas redes sociais, nesta segunda-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, em oito décadas de história, é hora de a organização “finalmente” ser comandada por uma mulher.

    De acordo com Lula, a trajetória de Bachelet é marcada pelo pioneirismo. Na publicação, ele destacou seu currículo, como a primeira mulher a presidir o Chile, por duas vezes, e a primeira a ocupar os cargos de ministra da Defesa e da Saúde em seu país. Lembrou ainda que ela exerceu funções de alto nível no sistema multilateral.

    “No sistema das Nações Unidas, teve papel decisivo na criação e consolidação da ONU Mulheres, como sua primeira diretora-executiva, dando escala institucional à agenda da igualdade. Como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, trabalhou para proteger os mais vulneráveis, avançar no reconhecimento do direito humano a um meio ambiente limpo, saudável e sustentável, e dar voz a quem mais precisa ser ouvido”, escreveu Lula.

    “Sua experiência, liderança e compromisso com o multilateralismo a credenciam para conduzir a ONU, em um contexto internacional marcado por conflitos, desigualdades e retrocessos democráticos”, completou o presidente brasileiro.

    Atualmente, o português António Guterres comanda o secretariado das Nações Unidas. Ele foi reeleito em 2021 para um segundo mandato de 5 anos (2022-2026), após iniciar sua gestão em janeiro de 2017.

    O novo secretário-geral assume o cargo em 1º de janeiro de 2027.

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    Apoio conjunto
    Em nota, o Ministério das Relações Exteriores explicou que a candidatura de Bachelet foi apresentada formalmente, nesta segunda-feira, pelos governos do Chile, do Brasil e do México.

    “Essa candidatura reflete a vontade compartilhada de nossos países de contribuir ativamente para o fortalecimento do sistema multilateral e de promover uma liderança capaz de responder aos desafios atuais”, diz o documento.

    “A ampla experiência da ex-presidenta Bachelet na condução de processos políticos complexos, sua reconhecida capacidade de facilitar o diálogo e seu compromisso com os valores fundamentais das Nações Unidas constituem uma contribuição substantiva para avançar em direção a uma organização mais eficaz, representativa e orientada para o bem-estar das pessoas”, acrescenta.

    O Itamaraty ainda cita o atual cenário internacional de “grande complexidade” e o papel da ONU como principal espaço para o diálogo e a construção de soluções coletivas em matéria de paz e segurança internacional, desenvolvimento sustentável, promoção e proteção dos direitos humanos e ação para reverter a mudança do clima.

    “Reafirmamos nosso compromisso com o multilateralismo como pilar fundamental para uma governança global baseada na cooperação internacional e no respeito à autodeterminação dos povos”, finaliza a nota.
    Agência Brasil

  • Delcy Rodríguez apresenta proposta de anistia geral na Venezuela

    Delcy Rodríguez apresenta proposta de anistia geral na Venezuela

    Lei deve passar pela Assembleia Geral do país

    A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta sexta-feira (30) uma proposta de lei de anistia geral para centenas de presos no país. “Estou anunciando uma lei de anistia geral e instruindo que essa lei seja levada à Assembleia Nacional para promover a coexistência pacífica na Venezuela”, disse ela em um evento no Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela.

    “Que seja uma lei que sirva para curar as feridas que o confronto político deixou, da violência ao extremismo. Que sirva para restabelecer a justiça em nosso país e para restabelecer a convivência entre venezuelanos e venezuelanas”, acrescentou.

    Segundo ela, a lei vai cobrir o que chamou de “todo o período político, de violência política”, que vai de 1999 até os dias atuais. Foi em 1999 que Hugo Chávez chegou ao poder, após ser eleito no final de 1998. Em seu discurso, Delcy afirma que a lei de anistia traz “o espírito de Hugo Chávez”.

    “E aí está também o espírito de Chávez, quando chegou ao poder na Venezuela para dizer a uma vasta maioria do país, que havia sido excluída pelas elites políticas, que deveria haver igualdade, inclusão, equidade e justiça social”.

    A proposta não contempla condenados por homicídio, tráfico de drogas, corrupção e violações graves aos direitos humanos.

    Delcy Rodríguez chegou ao poder após o sequestro do presidente Nicolás Maduro pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, em 3 de janeiro. Maduro se encontra preso no país norte-americano. Ao mesmo tempo em que dialoga com o governo de Donald Trump, no intuito de estabelecer alguma relação entre os dois países, a presidente interina da Venezuela condena o rapto de Maduro.

    Nesta semana, ao anunciar a criação de um plano de defesa nacional, ela afirmou que seu país está disposto ao diálogo, mas não a outra agressão.
    Agência Brasil