Categoria: Mundo

  • Filho de Ali Khamenei é o novo Líder Supremo do Irã

    Filho de Ali Khamenei é o novo Líder Supremo do Irã

    Aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei substituirá o pai, morto em ataque
    A assembleia dos Especialistas (ou dos Peritos) do Irã definiu que o novo líder supremo do país é o aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, morto em um ataque dos Estados Unidos, no final de fevereiro.

    A informação de que o novo líder havia sido escolhido havia sido adiantada por um dos representantes da assembleia, Mohsen Heidari Alekasir, no início deste domingo (8). “A opção mais adequada, aprovada pela maioria da Assembleia de Especialistas, foi escolhida”. O nome, no entanto, não havia sido revelado.

    Seyyed Mojtaba Khamenei é o segundo filho de Ali Khamenei e tem 56 anos. A escolha indica uma decisão da Assembleia de manter a linha já adotada pelo antecessor.

    Mojtaba acumulou poder sob o comando de seu pai como uma figura sênior próxima às forças de segurança e ao vasto império de negócios que elas controlam. Ele se opôs aos reformadores que buscam se envolver com o Ocidente, que tenta restringir o programa nuclear do Irã.

    Líder supremo
    No cargo de líder supremo há 36 anos, Ali Khamenei estava no topo da estrutura de Poder da República Islâmica do Irã que, além do Executivo, do Parlamento e do Judiciário, conta com o Conselho dos Guardiões, formado por seis indicados do próprio Aiatolá Khamenei e seis indicados pelo Parlamento.

    Outro órgão político típico da República Islâmica é a Assembleia dos Especialistas, ou dos Peritos, formada por 88 religiosos eleitos pelo voto popular. Essa assembleia é responsável por eleger o aiatolá que será o líder supremo do Irã. Apesar de o cargo ser vitalício, a Assembleia dos Especialistas pode destituí-lo.

    Israel promete assassinar escolhido
    Na última quarta-feira (4), o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse que o próximo líder Supremo do Irã será assassinado.

    “Será um alvo inequívoco para eliminação. Não importa qual seja o nome dele ou onde ele se esconda”, disse em uma rede social.

    Estima-se que a guerra de Israel e dos EUA contra o Irã já tenha custado a vida de, pelo menos, 1.332 civis, segundo autoridade iraniana. Entre as vítimas dos ataques, esteve uma escola de meninas, onde 168 crianças foram mortas, expondo os horrores que o conflito pode produzir.

    Agência Brasil

  • EUA formam coalizão militar com 12 países da América Latina

    EUA formam coalizão militar com 12 países da América Latina

    Objetivo seria combater cartéis e afastar “adversários” da região

    O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, recebeu nesse sábado (7), em Miami, presidentes de 12 países latino-americanos para formalizar a criação de uma coalizão militar chamada “Escudo das Américas”.

    O objetivo seria o de combater os cartéis de drogas na região, além de afastar do continente os “adversários” de Washington “de fora do Hemisfério”, em uma referência indireta a concorrentes como China e Rússia.

    “Neste dia histórico, nos reunimos para anunciar uma nova coalizão militar para erradicar os cartéis criminosos que assolam nossa região”, disse Trump.

    O presidente estadunidense comparou a novo acordo ao trabalho dos EUA no Oriente Médio.

    “Assim como formamos uma coalizão para erradicar o ISIS [grupo considerado terrorista] no Oriente Médio, devemos agora fazer o mesmo para erradicar os cartéis em nossos países”, completou.

    Estavam presentes os presidentes de Argentina, El Salvador, Paraguai, Equador, Panamá, Honduras, Guiana, Bolívia, Trinidad e Tobago, Costa Rica, República Dominicana e Chile. A cerimônia não transmitiu falas dos presidentes latino-americanos.

    Na semana passada, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, ameaçou “agir sozinho” nos países latino-americanos “se necessário”, para supostamente combater cartéis, o que violaria a soberania nas nações da região sob o próprio território.

    A Casa Branca publicou, também nesse sábado, uma proclamação do presidente Trump sobre a Coalização das Américas contra os Cartéis.

    “Os Estados Unidos treinarão e mobilizarão os militares das nações parceiras para alcançar a força de combate mais eficaz necessária para desmantelar os cartéis”, diz o documento.

    Além das organizações ligadas ao comércio de drogas, o documento cita o combate à influência de potências estrangeiras de fora do hemisfério, o que tem sido interpretado como parte da guerra comercial dos EUA contra a China.

    “Os Estados Unidos e os seus aliados devem manter as ameaças externas afastadas, incluindo as influências estrangeiras malignas provenientes de fora do Hemisfério Ocidental”, diz o documento oficial.

    Segurança dos EUA
    Para fazer a interlocução com os 12 países latino-americanos, o governo de Donald Trump nomeou a secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, responsável pelas fronteiras do país norte-americano.

    Segundo argumentou Noem, como as fronteiras dos EUA já estariam seguras, o governo Trump espera se concentrar na segurança dos “vizinhos” no combate aos cartéis e à influência “estrangeira”.

    “Vamos combater e reverter essas influências estrangeiras nocivas que se infiltraram em muitos de nossos negócios, nossas tecnologias e que vimos se infiltrar em diferentes áreas do nosso modo de vida”, disse Noem.

    México
    Durante o lançamento da coalizão, o presidente Trump citou o México, que não participou do acordo militar liderado pelos EUA. Ele disse que “tudo entra pelo México”, que, segundo Trump, estariam “controlado” pelos cartéis.

    “Não podemos permitir isso. Muito perto de nós”, disse, acrescentando que “gosta muito” da presidente mexicana. “Eu disse [ao México]: deixe-me erradicar os cartéis”, comentou Trump.

    A presidenta do México, Cláudia Sheinbaum, vem defendendo que o combate às drogas, em parceria com Washington, deve ser feito com “coordenação e sem subordinação, como iguais”, e tem rejeitado operações militares dos EUA dentro do território mexicano por questão de soberania.

    Venezuela e Cuba
    O mandatário estadunidense ainda elogiou o governo da chavista Delcy Rodríguez, na Venezuela, dizendo que eles estão conseguindo “trabalhar juntos” com Caracas, e voltou a ameaçar Cuba.

    “À medida que alcançamos uma transformação histórica na Venezuela, também aguardamos com expectativa a grande mudança que em breve chegará a Cuba. Cuba está no fim da linha”, completou.

    Relacionadas

  • Ataque a escola de meninas no Irã expõe horrores da guerra

    Ataque a escola de meninas no Irã expõe horrores da guerra

    Mulheres e meninas iranianas sofrem o impacto do conflito

    O ataque a uma escola de meninas iranianas, que causou a morte de 168 crianças, marcou o primeiro dia da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no último sábado (28). A tragédia expõe os horrores que o conflito no Oriente Médio pode produzir e seus impactos na vida de menina e mulheres nestes países. 

    Uma multidão vestida de preto compareceu ao velório das crianças, ocorrido na terça-feira (3). As imagens das valas abertas para receber os caixões enfileirados, acompanhados por milhares de pessoas, correu o mundo.

    Durante décadas, as violações de direitos humanos no Irã, inclusive contra as mulheres, foram usadas por potências ocidentais para justificar o isolamento internacional de Teerã, alvo de sanções econômicas que contribuíram para fragilizar sua economia.

    Em nome de uma suposta “libertação” do povo iraniano do regime dos aiatolás, um dos primeiros alvos de EUA e Israel nesta nova ofensiva foi justamente uma escola de educação infantil feminina na cidade de Minab, no sul do país persa. Além das dezenas de meninas mortas, mais de 90 crianças ficaram feridas. O caso aconteceu pela manhã, enquanto as alunas estavam em aula, segundo a agência de notícias.

    A socióloga Berenice Bento, professora da Universidade de Brasília (UnB) que estuda as relações de gênero no mundo muçulmano, afirma que o ataque revela justamente que a guerra não tem relação com direitos humanos ou democracia.

    Em razão do regime do país, as mulheres sofrem uma série de restrições no Irã, como o uso obrigatório do véu (hijab) para cobrir os cabelos, além de impedimentos para viagem e mobilidade, que geralmente precisam de autorização dos pais ou maridos. O desrespeito aos códigos é duramente punido pela chamada polícia da moralidade, ou Patrulha de Orientação da República Islâmica do Irã.

    A jornalista palestino-brasileira Soraya Misleh, doutora em Estudos Árabes pela Universidade de São Paulo (USP), afirma que mulheres iranianas lutam há décadas por seus direitos e destaca, em especial, o movimento Mulher, Vida e Liberdade. Ele foi criado em 2022 após a morte da estudante Mahsa Amini, detida em um protesto e espancada pela Patrulha de Orientação,

    “Mulheres iranianas organizaram um grande movimento, em 2022, o Mulher, Vida e Liberdade e seguem em luta há décadas. O povo iraniano, os povos árabes, o povo palestino devem decidir seu destino, não os EUA e Israel”, comentou.

    A história de luta das mulheres iranianas inclui vítimas de prisões e condenações por sua militância. Uma delas é a advogada e ativista Narges Mohammadi, vencedora do Nobel da Paz em 2023 “pela sua luta contra a opressão das mulheres”.

    Narges está atualmente presa no Irã, condenada a 7 anos e meio de reclusão por “conspiração”, segundo seu advogado. Mas, a socióloga Berenice Bento reafirma que a mobilização das mulheres no Irã não pede intervenção externa.

    “Quando você analisa as manifestações que aconteceram, nenhuma está dizendo que quer a volta da monarquia, ou que os Estados Unidos  e Israel vá libertá-las. Nunca. O que você tem é uma sociedade que está lutando”, ponderou.

    Pesquisadora do Núcleo de Pesquisa sobre as Relações do Mundo Árabe, do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade do Rio Grande do Sul (UFRGS), a professora Natália Ochôa explica que há um olhar do mundo Ocidental para a necessidade de salvar a mulher muçulmana que, no episódio da escola, foi o alvo.

    “Mulheres muçulmanas vistas e retratadas como oprimidas e sem capacidade de agência precisariam da salvação de mulheres ocidentais, sendo estas últimas o grande exemplo de liberdade a ser seguido. Ora, se um desses pilares é a educação, por que então logo uma escola de meninas, onde elas são alfabetizadas e aprendem sobre seus direitos, é um dos primeiros espaços a se tornarem alvos desses ataques? Se elas precisam de salvação, por que a última coisa que tem sido feita é salvá-las?”, questiona a pesquisadora em artigo.

    Apesar dos problemas da República Islâmica, a especialista pondera que houve avanços sociais nos últimos 47 anos. Dados do Banco Mundial e da Unesco apontam que a alfabetização das mulheres passou de cerca de 30%, nos anos 1970, para cerca de 85%, nos anos 2000.

    A participação das mulheres iranianas nas universidades subiu de 33%, na década de 1970, para cerca de 60%, nos anos 2000. Por outro lado, a participação delas no mercado de trabalho segue reduzida, algo em torno de 15% a 20% do total das pessoas empregadas.

    Autoria do ataque

    O ataque à escola de meninas de Minab foi condenado pela comunidade internacional e o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu uma investigação “rápida, imparcial e minuciosa” sobre as circunstâncias do ocorrido.

    Estados Unidos e Israel não reconheceram ainda a autoria do ataque. A Casa Branca diz que está investigando o caso. Já Israel informou que não encontraram “nenhuma ligação” do ataque com as operações militares de Tel Aviv.

    Berenice Bento cita a chamada Doutrina Dahiya, do exército israelense, que se baseia na destruição em larga escala de habitações e estrutura, para argumentar que o ataque deve ter sido intencional.

    “Com o ataque à escola, eles estão querendo dizer não vão deixar pedra sob pedra. É destruir tudo. Para que a própria população civil, diante daquela destruição, se coloque contra o poder local. Eles destruíram Gaza inteira para fazer com que a população de Gaza se posicione contra o Hamas”, avaliou.

    O nome da doutrina faz referência ao bairro Dahiya, zona densamente povoada de Beirute, no Líbano, onde o Hezbollah tinha uma das suas bases, e que foi amplamente bombardeado por Israel na guerra do Líbano de 2006.

    A jornalista palestino-brasileira Soraya Misleh, doutora em Estudos Árabes pela Universidade de São Paulo (USP), avalia que o ataque às escolas, hospitais e infraestrutura civil em Gaza abriu espaço para novos crimes em outros países do Oriente Médio.Para Misleh, as mulheres da região não precisam ser “salvas”, e sim de apoio e solidariedade.

    Estados Unidos e Israel não reconheceram ainda a autoria do ataque. A Casa Branca diz que está investigando o caso. Já Israel informou que não encontraram “nenhuma ligação” do ataque com as operações militares de Tel Aviv.

    O jornal norte-americano New York Times (NYT), após analisar imagens de satélites, publicações nas redes sociais e vídeos verificados, indica que a escola foi severamente danificada por ataque de precisão, que ocorreu simultaneamente a ofensivas dos EUA a uma base naval da Guarda Revolucionária Islâmica.

    “As declarações oficiais de que as forças americanas estavam atacando alvos navais perto do Estreito de Ormuz, onde está localizada a base da Guarda Revolucionária Islâmica, sugerem que eles provavelmente foram as responsáveis ​​pelo ataque”, avaliou o NYT.

    Levando em consideração a proximidade da escola em relação ao objetivo militar, o major-general português Agostinho Costa avalia que o bombardeio pode ter sido um erro de alvo.

    “Já estive em locais submetidos a ataques com mísseis Tomahawk podendo constatar que a margem de erro existe”, comentou o especialista em segurança e geopolítica.

    Agência Brasil
  • Guerra contra o Irã faz petróleo dos EUA saltar 12%

    Guerra contra o Irã faz petróleo dos EUA saltar 12%

    Preço do barril saltou US$ 9,89, chegando a US$ 90,90

    Os contratos futuros do petróleo negociados nos EUA subiram mais de 12% nesta sexta-feira (6), mas permaneceram abaixo do Brent, já que os compradores buscaram barris disponíveis, com a oferta do Oriente Médio limitada pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, em meio à guerra dos EUA e Israel contra o Irã, que se expande.

    Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam a US$ 92,69 por barril, com alta de US$ 7,28, ou 8,52%. O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) terminou a US$ 90,90 por barril, com alta de US$ 9,89, ou 12,21%.

    Foi o segundo dia consecutivo em que os ganhos dos futuros do petróleo dos EUA superaram os do contrato do Brent.

    “Os refinadores e as casas comerciais estão buscando barris alternativos, e os EUA são o maior produtor”, disse Giovanni Staunovo, analista do UBS.

    “Para evitar que os estoques nos EUA sejam reduzidos muito rapidamente por meio de exportações muito altas, o spread está voltando para os custos de transporte.”

    Janiv Shah, vice-presidente de análise de petróleo da Rystad Energy, apontou vários fatores para a divergência nos ganhos de quinta e sexta-feira entre o WTI e o Brent.

    “Parece que há alguma força potencial nas refinarias da Costa do Golfo dos EUA sobre as margens e arbitragens para a Europa, bem como Washington sobre os futuros”, disse Shah.

    Nesta sexta-feira, o petróleo teve seu maior ganho semanal desde a extrema volatilidade da pandemia de covid-19 em 2020, já que o conflito no Oriente Médio manteve interrompidos o transporte marítimo e as exportações de energia pelo vital Estreito de Ormuz.

    Barril acima de US$100?

    O ministro de energia do Catar disse ao Financial Times que espera que todos os produtores de energia do Golfo Pérsico fechem as exportações dentro de semanas, uma medida que, segundo ele, poderia levar o petróleo a US$150 por barril, de acordo com uma entrevista publicada hoje.

    “O pior cenário possível está se desenvolvendo diante de nossos olhos”, disse John Kilduff, sócio da Again Capital.

    “Acho que todas as previsões de US$100 por barril estão prestes a se concretizar.”

    O petróleo iniciou sua forte alta depois que os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã no último sábado, levando o Irã a interromper a passagem de navios-tanque pelo Estreito de Ormuz.

    O fornecimento de petróleo equivalente a cerca de 20% da demanda mundial normalmente passa por essa hidrovia todos os dias.

    Com o fechamento efetivo do estreito por sete dias, isso significa que cerca de 140 milhões de barris de petróleo — o equivalente a cerca de 1,4 dia da demanda global — não puderam chegar ao mercado.

    O conflito se espalhou pelas principais áreas de produção de energia do Oriente Médio, interrompendo a produção e forçando o fechamento de refinarias e usinas de gás natural liquefeito.

    Agência Brasil

  • EUA ameaça “agir sozinho” em países latinos-americanos

    EUA ameaça “agir sozinho” em países latinos-americanos

    País firmou acordo de combate a cartéis com 16 governos aliados

    Em meio aos ataques contra o Irã, o governo dos Estados Unidos firmou acordo com 16 países latino-americanos para “combate aos cartéis” na região e ameaçou “agir sozinho” na América Latina “se necessário”, o que violaria a soberania das nações latino-americanas sobre o próprio território.

    O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, liderou na última quinta-feira (5), em Doral, na Flórida, a Conferência das Américas de Combate aos Cartéis, da qual participaram 16 países latino-americanos.

    “Os Estados Unidos estão preparados para enfrentar essas ameaças e partir para o ataque sozinhos, se necessário. No entanto, nossa preferência — e o objetivo desta conferência — é que, no interesse deste hemisfério, façamos isso juntos; com vocês, com nossos vizinhos e com nossos aliados”, disse Hegseth.

    O secretário do governo Trump enfatizou que a “coalizão” firmada na Flórida expressa a política do Corolário Trump à Doutrina Monroe. Incluída na Estratégia de Segurança Nacional, anunciada em dezembro pelos Estados Unidos, a política reafirma a doutrina criada em 1823 e prega a “proeminência” de Washington sobre as Américas.

    “Ameaça gravíssima”

    O professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra Ronaldo Carmona disse à Agência Brasil que a fala de Hegseth é uma “ameaça gravíssima”.

    “Pois sob Trump, as ameaças costumam se materializar (vide Venezuela e agora Irã). Ao evocar a Doutrina Monroe, o faz propondo expurgar a presença de potências extrarregionais das Américas, em uma ameaça explícita à liberdade de ação das nações da América Latina”, comentou.

    O pesquisador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) acrescentou que o ingresso de drogas nos EUA deve ser uma tarefa interna ao Estado americano, que tenta “latino-americanizar” a questão como “pretexto” para intervenções abertas no continente, como ocorreu na Venezuela.

    “É difícil imaginar que as forças de segurança americana não tenham meios para proteger autonomamente suas próprias fronteiras”, completou Carmona.

    O combate aos cartéis foi a justificativa usada para o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Em seguida, Washington afastou-se do discurso do combate às drogas na Venezuela, priorizando a agenda do comércio petroleiro nas relações com Caracas.

    Conferência no Comando Sul

    Ao explicar a nova doutrina na Conferência da Flórida, o secretário de Defesa Pete Hegseth afirmou que os EUA querem “acesso irrestrito a áreas estratégicas e ao comércio, para que nossas nações possam se industrializar”.

    “Queremos impedir que potências externas ameacem nossa paz e independência em nossa região comum”, acrescentou.

    A Conferência ocorreu na sede do Comando Sul dos EUA, setor das Forças Armadas responsável por monitorar a América Latina e o Caribe.

    Da América do Sul, estavam presentes representantes da Argentina, Guiana, Bolívia, Equador, Paraguai, Chile e Peru. Da América Central, estavam Belize, Costa Rica, República Dominicana, El Salvador, Guatemala, Honduras, Jamaica, Panamá e Trinidad e Tobago.

    O Ministério da Defesa da Argentina informou que, além de uma declaração conjunta que não foi divulgada, foram firmados acordos bilaterais com os EUA. Tais acordos separados teriam permitido “adaptar o marco jurídico de cada nação, como um elemento substancial do que foi acordado”.

    O professor Carmona acrescentou que Washington tenta vincular os países latino-americanos aos desígnios estratégicos de Washington, “impedindo-as de manter relações abertas com os vários polos de poder mundial”.

    “Trata-se de um constrangimento à soberania inaceitável para a América Latina”.

    México e Brasil

    Os governos do México e do Brasil têm informado que o combate aos cartéis na América Latina tem que ser feito respeitando a soberania dos países da região.

    A presidente do México, Claudia Sheinbaum, destacou que o combate às drogas, em parceria com Washington, deve ser feito com “coordenação e sem subordinação, como iguais”.

    O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, incluiu o combate ao narcotráfico na agenda de negociações com o governo de Donald Trump.

    O pesquisador do Cebri Ronaldo Carmona afirma que o Brasil sempre diferenciou as atividades policiais, que seriam usadas para combater o narcotráfico, das atividades de Defesa, ligada à soberania territorial. Porém, os EUA tentam militarizar esse combate às drogas.

    “O Brasil precisa urgentemente, como uma prioridade nacional, enfrentar com todas as energias, a começar das forças de segurança, as organizações criminosas brasileiras, até para não oferecer pretexto a Washington de utilizá-las com fins de ameaça à soberania brasileira”, completou.

    Colômbia

    O presidente colombiano, Gustavo Petro, reagiu à declaração do secretário estadunidense, comentando que os EUA “não precisam agir sozinhos para acabar com os cartéis de droga, pois não saberiam como fazê-lo bem. Para destruir os cartéis da máfia, precisamos nos unir”.

    “Se alguém está interessado em destruir os cartéis, são a Colômbia e a América Latina, onde milhões de pessoas foram assassinadas e onde a democracia foi destruída em regiões que vivem sob o terror”, disse Petro.

    “Portanto, a aliança contra o tráfico de drogas é um Pacto pela Vida e pela Paz, e estamos prontos”, disse em uma rede social.

    Equador e Paraguai

    O Equador e o Paraguai estão entre os países que mais têm estreitado relação com Washington sob o argumento de combate ao narcotráfico.

    Um dia antes da Conferência na Flórida, o Senado do Paraguai aprovou acordo com os EUA que prevê a presença no país de militares enviados por Washington, com imunidade penal para operações no país sul-americano. O projeto ainda precisa de aprovação da Câmara dos Deputados paraguaia.

    Também nesta semana, o Equador e os EUA anunciaram operações militares conjuntas contra cartéis de drogas.

    Em novembro de 2025, o presidente do país, Daniel Noboa, tentou aprovar, em referendo, a permissão para instalar bases militares estrangeiras no país, mas a consulta foi rejeitada por 60% da população equatoriana que foi às urnas.

    Agência Brasil

  • China fixa meta de crescimento econômico entre 4,5% e 5% para este ano

    China fixa meta de crescimento econômico entre 4,5% e 5% para este ano

    Anúncio foi feito na abertura do Assembleia Nacional Popular

    A China estabeleceu meta de crescimento econômico entre 4,5% e 5% para este ano, ligeiramente abaixo dos objetivos definidos nos últimos anos, em um contexto marcado pela prolongada crise no setor imobiliário e por incertezas externas.

    A meta foi anunciada nesta quinta-feira (5) pelo primeiro-ministro chinês, Li Qiang, durante a apresentação do relatório de trabalho do governo na sessão de abertura da Assembleia Nacional Popular (ANP), o órgão máximo legislativo da China.

    O relatório estabelece o objetivo de crescimento nesse intervalo, acrescentando que o governo procurará “alcançar melhores resultados na prática”.

    “Embora reconheçamos as nossas conquistas, também temos plena consciência das dificuldades e desafios que enfrentamos”, diz o relatório.

    Nos últimos três anos, Pequim fixou metas de crescimento de “cerca de 5%”. Em 2025, a economia chinesa registrou uma expansão de 5%.

    Ao estabelecer um intervalo entre 4,5% e 5%, o governo procura dar maior margem de manobra para ajustar as políticas econômicas ao longo do ano.

    O documento destaca o aumento dos riscos geopolíticos e assinala que o comércio livre está sob forte ameaça.

    As exportações chinesas para os Estados Unidos foram afetadas pelas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embora a China tenha expandido as vendas para outras regiões do mundo.

    No plano interno, o relatório sublinha um desequilíbrio “acentuado” entre uma oferta forte e uma procura fraca, bem como o desafio de fazer a transição da economia para novos motores de crescimento.

    “Internamente, ainda enfrentamos diversos problemas e desafios, tanto antigos como novos”, acrescenta o documento.

    “Ao propor estas metas, levamos em conta a necessidade de deixar algum espaço para ajustes estruturais, prevenção de riscos e reformas no primeiro ano deste período do plano quinquenal, de modo a estabelecer uma base sólida para alcançar melhores resultados nos próximos anos”, refere o relatório.

    Assembleia Nacional Popular

    A sessão anual da ANP, que reúne cerca de 3 mil delegados e é considerada o principal evento político anual do país, deverá também aprovar um plano quinquenal que definirá as prioridades políticas e econômicas da China até 2030.

    O documento inclui também compromissos para reforçar a economia doméstica e, ao mesmo tempo, avançar com as ambições do Presidente chinês, Xi Jinping, de transformar o país num líder global em tecnologia.

    Agência Brasil

  • Europa apoia guerra dos EUA e Israel contra Irã; Espanha diverge

    Europa apoia guerra dos EUA e Israel contra Irã; Espanha diverge

    Principais líderes europeus justificam agressão contra Teerã

    Com exceção da Espanha, os principais países da Europa têm dado apoio político, ou mesmo de defesa, aos esforços de Israel e dos Estados Unidos (EUA) na guerra de agressão contra o Irã para promover “mudança de regime”.   

    O Reino Unido, a França e Alemanha não condenaram os ataques contra Teerã, que violam o direito internacional, mas buscaram justificar a guerra atribuindo ao Irã a responsabilidade pela deflagração do conflito. As potências europeias ainda exigem que o país persa aceite as condições impostas por EUA e Israel.

    O direito internacional permite o uso da força apenas por meio de autorização do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

    O Reino Unido não condenou os ataques contra o Irã, mas condenou as retaliações de Teerã contra bases dos EUA no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, Londres fornece suporte logístico das bases britânicas na região para Washington.

    A França, ao mesmo tempo que promete aumentar o próprio estoque de ogivas nucleares, condena o programa nuclear iraniano, que seria para fins pacíficos. O presidente Emmanuel Macron enviou dois navios de guerra para o Oriente Médio, a fim de participar de “operações defensivas” europeias.

    A Alemanha disse que não é hora de dar “lições” aos parceiros que agrediram o Irã; que Berlim compartilha dos objetivos dos EUA e de Israel de derrubar o governo de Teerã, se colocando ainda para contribuir com a “recuperação econômica do Irã”. 

    Em declaração conjunta, a Alemanha, França e o Reino Unido exigiram o fim dos “ataques imprudentes” do Irã e informaram que tomarão as ações “defensivas” necessárias para “destruir a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones em sua origem”.

    Por sua vez, Portugal deu autorização para os EUA usarem as bases militares dos portugueses no Açores, e a Itália tem costurado apoio de defesa aos países do Golfo, além de criticar a “repressão” do Irã contra a população civil.

    Europa assumiu um lado

    O historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Francisco Carlos Teixeira da Silva afirmou à Agência Brasil que a Europa, com exceção da Espanha, tomou posição na guerra a favor dos EUA e de Israel.

    “No momento em que a Europa denomina o governo e o Estado iranianos como criminosos, em plena guerra, ela já assumiu um lado. Se esse lado é de participação efetiva na guerra, ai é outra coisa”, comentou.

    Teixeira acrescenta que, em nenhum momento, França, Alemanha e Reino Unido, que são membros permanentes do Conselho de Segurança, convocaram alguma reunião na ONU.

    “Isso atende claramente a posição americana de não trazer a discussão para as Nações Unidas. Não há nem mesmo uma condenação ética da guerra como ela foi travada”, acrescentou.

    O especialista destaca que a posição da Europa é preocupante porque o ataque contra o Irã ocorreu em meio às negociações com os Estados Unidos.

    “Isso transforma o direito e a legalidade internacionais em algo extremamente frágil porque negociar com o adversário não tem mais nenhum sentido”, completou o historiador.

    Em resposta ao apoio europeu à guerra, a Guarda Revolucionária do Irã afirma que navios dos EUA, Israel e de países europeus não devem cruzar o Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do comércio mundial de petróleo.

    Barganha com os EUA

    Para o professor da UFRJ Chico Texeira, os países europeus tentam barganhar posição junto a Washington, “às custas do Irã”, em meio às ameaças de Trump de tomar um território europeu: a Groenlândia. 

    Para o especialista, a União Europeia tenta mostrar aos EUA que são aliados valiosos, que vão apoiar Israel, para, em troca, os EUA deixá-los em paz, não tomarem a Groenlândia, nem desmontarem a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

    “É uma velha política tradicional da Europa. Mas o que a gente viu até agora é que a Europa se tornou dispensável. Os Estados Unidos não precisam da Europa”, ponderou.

    Para Teixeira, a posição mais pró-EUA é da Alemanha, onde o premier Friedrich Merz foi à Casa Branca em meio ao conflito. 

    “Mostrou a subserviência da Alemanha, inclusive com o Merz falando que o governo do Irã é assassino e bárbaro, coisa que ele jamais disse do massacre de Israel em Gaza”, completou.

    O “não à guerra” da Espanha

    O governo espanhol de Pedro Sánchez teve posição divergentes dos seus parceiros europeus, fazendo duras críticas à guerra movida por Donaldo Trump e Benjamin Netanyahu, alegando que não se trata de apoiar o regime dos aiatolás.

    “A questão, no entanto, é se estamos ou não do lado do direito internacional e, portanto, da paz”, disse Sánchez, lembrando dos fracassos da Guerra do Iraque, movida pelos EUA.

    “A Guerra do Iraque levou a um aumento dramático do terrorismo jihadista, a uma grave crise migratória no Mediterrâneo Oriental e a uma subida generalizada dos preços da energia e, consequentemente, do custo de vida”, disse.

    A posição do primeiro-ministro espanhol fez o jornal britânico The Financial Times destacar que Sanchez disse ao presidente Trump “o que nenhum outro líder europeu se atreve a dizer”.

    A posição da Espanha irritou Trump, que ameaçou cortar relações comerciais com Madri. Em seguida, o governo dos EUA recuou, informando que a Espanha teria concordado em cooperar com a guerra. Porém, o governo espanhol negou “categoricamente” que a posição em relação à guerra tenha mudado.

    Portugal e Itália

    O governo de Portugal, por sua vez, concedeu acesso aos Estados Unidos (EUA) às suas bases militares nos Açores, apesar de destacar que não está envolvido nos ataques e cobra do Irã o fim do programa nuclear.

    “Portugal foi formalmente instado a conceder autorização para a utilização da base, tendo o governo dado uma autorização condicionada”, informou o primeiro-ministro português Luís Montenegro.

    A Itália também não condenou a agressão contra o Irã, mas sim as retaliações de Teerã que atingiram bases dos EUA no Oriente Médio, fornecendo apoio aos países do Golfo para suas defesas.

    O governo italiano ainda prestou solidariedade à “população civil” iraniana que, “corajosamente”, exige o respeito a seus direitos “apesar de sofrer repressão violenta e injustificável”.

    Agência Brasil

  • Conflito no Oriente Médio pode alterar mercado de óleo e gás

    Conflito no Oriente Médio pode alterar mercado de óleo e gás

    Alerta é do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis
    O aprofundamento do conflito bélico no Oriente Médio pode alterar mercado de óleo e gás, principalmente, por causa do fechamento do Estreito de Ormuz, alerta, em nota, o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).

    Por lá, circulam diariamente cerca de 25% do petróleo exportado mundialmente, além de volumes expressivos de gás natural de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Omã.

    Para o instituto, um dos reflexos esperados dessa situação é a alteração do nível dos preços do petróleo e do gás natural. Além disso, eventuais bloqueios ou ataques à infraestrutura da região podem causar severas interrupções, ao atingir prioritariamente o abastecimento de grandes economias asiáticas como China, Índia e Japão.

    “A perda de competitividade dessas economias e a pressão sobre os preços do petróleo e gás natural são consequências diretas caso as hostilidades se prolonguem.”

    Nesse cenário, o Brasil se apresenta como um fornecedor seguro e confiável em um ambiente de negócios estável. O país pode ainda, segundo a entidade, “oferecer um petróleo de excelente qualidade, com baixo teor de enxofre e baixa emissão de carbono”.

    O Brasil vem ampliando sua produção, além de ser o 9º maior exportador mundial e destinar 67% de seu volume exportado de petróleo para a Ásia.

    Investimentos
    A entidade defende que, diante das instabilidades geopolíticas externas, é importante que o Brasil mantenha investimentos constantes em exploração e produção para a descoberta de novas fronteiras, como a Margem Equatorial.

    “[Tudo isso] para a garantia da segurança energética, aumento da oferta exportadora e para se evitar que o país volte à condição de importador de petróleo na próxima década.”
    Agência Brasil

  • ONU pede proteção de civis e apuração rápida de ataque a escola no Irã

    ONU pede proteção de civis e apuração rápida de ataque a escola no Irã

    Mais de 150 estudantes morreram e pelo menos 90 ficaram feridas
    O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou nesta terça-feira (3) a escalada dos conflitos entre Israel, Estados Unidos e Irã e pediu a adoção de “todas as medidas possíveis” para proteger civis. Türk destacou o ataque a uma escola primária em Minab, no sul do Irã, que matou dezenas de meninas, e pediu uma investigação “rápida, imparcial e minuciosa” sobre as circunstâncias do ocorrido.

    “Cabe às forças que realizaram o ataque investigá-lo. Apelamos para que tornem públicas as conclusões e assegurem responsabilização e reparação às vítimas”, afirmou a porta-voz do alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Ravina Shamdasani.

    No sábado (28), os ataques de Israel e Estados Unidos atingiram uma escola em Minab, sul do Irã, deixando mais de 150 estudantes mortas, segundo a agência estatal iraniana Irna. Mais de 90 crianças ficaram feridas. O caso aconteceu pela manhã, enquanto as alunas estavam em aula, segundo a agência de notícias.

    Além da proteção dos civis, o alto comissário pediu o retorno à mesa de negociações, que, segundo ele, é a única maneira de “pôr fim às mortes, à destruição e ao desespero”.

    “O alto comissário implora a todas as partes que recuperem o bom senso e ponham fim a essa violência. Ele conclama os Estados a defenderem e respeitarem a Carta das Nações Unidas, o direito internacional dos direitos humanos e o direito internacional humanitário”, afirmou Ravina Shamdasani.
    Agência Brasil

  • Embaixador do Irã: EUA evitam acordo e Trump se acha “rei do mundo”

    Embaixador do Irã: EUA evitam acordo e Trump se acha “rei do mundo”

    Abdollah Nekounam conversou com jornalistas em Brasília sobre ataques

    O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, defendeu que os Estados Unidos (EUA) não buscam, de verdade, um acordo nuclear com o país persa. Segundo ele, isso poderia ser alcançado por meio de negociações.

    “Hoje, era previsto acontecer a reunião de especialistas de questões nucleares em Viena [capital da Áustria] por meio da AIEA [Agência Internacional de Energia Atômica]. Mas, novamente, a mesa de negociação foi atacada pelo regime sionista [Israel] e pelos EUA”, disse.

    Em meio à guerra contra Estados Unidos e Israel, o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, convidou a imprensa para uma coletiva na Embaixada do país, em Brasília, nesta segunda-feira (2).

    Para o diplomata, Israel e EUA usaram as negociações da questão nuclear como “farsa” para poderem promover a “mudança de regime” no Irã. A agressão seria fruto de uma “visão” dos EUA que imaginam que são “os donos do mundo”, defendeu o representante do Irã.

    “O presidente atual dos EUA pensa que é o rei do mundo. Pode ser que, alguns países, devido a seus interesses, possam aceitar essas alegações e imaginações. Mas a República Islâmica do Irã, há 47 anos, busca sua independência”, completou.

    Nekounam destacou ainda que o país rapidamente substituiu o comando do Líder Supremo Ali Khamenei, que foi assassinado no último sábado (28), por um Conselho interino que manteve a defesa do país de forma “contínua, firme e poderosa”, sem descontinuidades na estrutura de Poder do Estado iraniano.

    Para analistas consultados pela Agência Brasil, a troca de regime em Teerã tem o objetivo de deter a expansão econômica da China, vista como ameaça pelos Estados Unidos, além de consolidar a hegemonia política e militar de Israel no Oriente Médio.

    Por outro lado, Tel Aviv e Washington alegam que o ataque contra o Irã é “preventivo” já que o país estaria a desenvolver um programa de artefatos nucleares, o que seria uma ameaça para Israel. Teerã sempre sustentou que seu programa nuclear é para fins pacíficos.

    Caso Epstein
    O embaixador do Irã no Brasil Abdollah Nekounam questionou a legitimidade dos Estados Unidos para “administrarem o planeta” citando o caso dos arquivos de Jeffrey Epstein, financista estadunidense condenado por abuso sexual de menores de idade e tráfico de pessoas.

    “O nosso mundo tem valor muito superior para ser administrado pelos ‘reis’ que, nos arquivos do Epstein, estão cada vez mais envolvidos. As pessoas que ultrapassaram as fronteiras de humanidade não merecem e não valem administrar a soberania do mundo”, completou.

    As relações de Epstein com a elite política norte-americana – o empresário foi amigo do presidente Trump – tem provocado abalos políticos no país e entre vários dos aliados de Washington.

    Administração do Irã
    O embaixador iraniano no Brasil destacou ainda que o país conseguiu substituir o líder Supremo Khamenei sem prejudicar a defesa do país, afastando hipóteses de que o país poderia ficar sem comando com a morte de Khamenei.

    “Irã é país soberano por completo e a gestão e administração do país está em vigor e em forma plena”, disse Nekounam.

    Um Conselho de Liderança Interino foi nomeado para assumir os poderes de Khamenei enquanto a Assembleia dos Especialistas não elege o novo líder Supremo.

    “Vocês viram que, com o assassinato do Líder Supremo, que comanda toda questão de defesa do país, as coisas se organizaram de forma célere e rápida. A defesa [do país] está contínua, firme e poderosa”, completou.

    Posição do Brasil em relação à guerra
    Questionado sobre a posição do Brasil em relação ao conflito, o embaixador Abdollah Nekounam agradeceu a manifestação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE) que condenou o uso da força por Israel e EUA.

    “Acreditamos e vemos essa ação da parte do governo do Brasil como uma ação valorosa e dá atenção aos valores do ser humano, de soberania, de integridade territorial e de independência dos governos”, comentou.

    O diplomata defendeu o direito de Teerã de atacar bases militares dos inimigos.

    “É nosso direito, porque nós fomos atacados, porque nós estamos nos defendendo com direito legítimo. Sobre nossas relações de amizade, com nossos países vizinhos, não há nenhum desentendimento. Nossas ações são contra bases militares dos EUA e alguns centros do regime sionista. Que isso não se considera ataque aos territórios desses países mencionados”, justificou.

    Calcula-se que os ataques do Irã tenham atingido alvos dos EUA em países como Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia.

    Entenda
    Pela segunda vez em oito meses, Israel e os EUA lançaram uma agressão contra o Irã em meio às negociações sobre o programa nuclear e balístico do país persa.

    Ainda no primeiro governo Trump, os EUA abandonaram o acordo firmado em 2015, sob o governo de Barack Obama, para inspeção internacional do programa nuclear iraniano. Israel e EUA sempre acusaram Teerã de buscar armas nucleares.

    Os iranianos, por sua vez, defendem que o programa é para fins pacíficos e se colocavam à disposição para inspeções internacionais.

    Por outro lado, Israel, mesmo acusado de ter bombas atômicas, nunca permitiu qualquer inspeção internacional do seu programa nuclear.

    Ao assumir seu segundo mandato em 2025, Trump iniciou nova ofensiva contra Teerã exigindo, além do desmantelamento do programa nuclear, o fim do programa de mísseis balísticos de longo alcance e do apoio a grupos de resistência a Israel como o Hamas, na Palestina, e Hezbollah, no Líbano.

    Um dia antes da agressão contra o Irã, o chancelar de Omã, Badr bin Hamad Albusaidi, que é o mediador das negociações entre Washington e Teerã, informou que eles estariam muito próximos de um acordo e que o Irã teria concordado em não manter urânio enriquecido em elevados teores, que possibilitassem a criação de uma bomba atômica.
    Agência Brasil