Categoria: Mundo

  • Papa Leão lamenta que guerra contra Irã “esteja cada vez pior”

    Papa Leão lamenta que guerra contra Irã “esteja cada vez pior”

    Ele repetiu os apelos por um cessar-fogo
    O papa Leão XIV voltou a manifestar preocupação com o aumento do teor de animosidade na crescente guerra contra o Irã, repetindo os apelos por um cessar-fogo em meio a relatos de que os Estados Unidos ( EUA) planejam enviar milhares de soldados para o Oriente Médio em um reforço militar.

    Primeiro papa norte-americano, ele lamentou que “o ódio esteja aumentando e a violência ficando cada vez pior”.

    “Quero renovar o apelo por um cessar-fogo, para trabalhar pela paz, mas não com armas — em vez disso, por meio do diálogo, buscando verdadeiramente uma solução para todos”, disse ele aos jornalistas quando deixava sua residência em Castel Gandolfo, na Itália.

    “Há mais de 1 milhão de pessoas deslocadas e muitos mortos”, disse o papa. “Convido todas as autoridades a trabalhar verdadeiramente por meio do diálogo para resolver os problemas.”

    Leão, que é conhecido por escolher suas palavras com cuidado, tem aumentado os apelos para o fim da guerra contra o Irã nos últimos dias. No domingo (22), ele disse que o conflito é um “escândalo para toda a família humana”.

    Agência Brasil

  • Israel e EUA atacaram quase 400 unidades de saúde no Líbano e Irã

    Israel e EUA atacaram quase 400 unidades de saúde no Líbano e Irã

    O número de ataques de Israel ou dos Estados Unidos (EUA) contra centros e profissionais de saúde segue crescendo ao longo da nova fase do conflito no Oriente Médio. No Líbano, 70 unidades de saúde foram alvo de bombardeios. No Irã, cerca de 300 equipamentos do setor foram danificados.

    Ataques contra unidades de saúde representam uma violação do direito humanitário internacional. Não foram registrados, até o momento, ataques a centros médicos em Israel ou outros países do Golfo Pérsico alvos de ataques iranianos.

    No Líbano, o Ministério da Saúde informou, nesta terça-feira (24), que 70 unidades de saúde foram atingidas por bombardeios desde o dia 2 de março. Há duas semanas, o número de centro médicos atacados eram de 18.

    Dois paramédicos foram assassinados hoje na cidade libanesa de Nabatieh, após um ataque de Israel contra um comboio de motocicletas, segundo relatou a Agência Nacional de Notícias do Líbano, veículo estatal de notícias.

    Ao todo, os ataques a unidades de saúde no Líbano mataram 42 profissionais e feriram outros 119. Os bombardeios obrigaram o fechamento de cinco hospitais no país, causando danos parciais a outras nove unidades. Ao menos 54 unidades básicas de saúde foram fechadas, segundo as informações do governo local.

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    A Força de Defesa de Israel (FDI) afirma que o Hezbollah tem feito “uso militar extensivo” de ambulâncias e instalações médicas e que agirá contra o grupo caso mantenha essa prática, segundo o porta-voz Avichay Adraee, em comunicado publicado no jornal israelense The Times Of Israel.

    A Anistia Internacional diz que Israel não apresenta provas das acusações que faz, destacando que o país também usou a estratégia de assassinato de profissionais de saúde no conflito no Líbano de 2024.

    “Lançar acusações alegando que instalações de saúde e ambulâncias estão sendo usadas para fins militares sem apresentar qualquer prova não justifica tratar hospitais, instalações médicas ou transporte médico como campos de batalha, nem tratar médicos e paramédicos como alvos”, diz Kristine Beckerle, diretora Regional Adjunta para o Oriente Médio e Norte da África da Anistia Internacional.

    Os danos vêm sobrecarregando o saturado sistema de saúde do Líbano, que precisa atender mais de 2,9 mil feridos pelo conflito, além dos pacientes em tratamento ou em recuperação de ataques anteriores.

    “Desde o início da escalada, profissionais e instalações de saúde no Líbano têm sido repetidamente afetados por ataques, incluindo incidentes que resultaram em múltiplas mortes e feridos. A infraestrutura de saúde foi gravemente afetada”, diz informe da Organização Mundial da Saúde (OMS), que vem confirmando os dados do governo libanês.

    Irã
    No Irã, o Ministério da Saúde local informou, nesta terça-feira (24), que ataques de Israel e dos EUA causaram danos a 313 centros médicos, hospitais, ambulâncias ou outros equipamentos do sistema de saúde. Os ataques teriam assassinado 23 profissionais da área no país.

    O número oficial do governo iraniano é semelhante ao cálculo da Crescente Vermelha Iraniana, organização de ajuda humanitária que atua em diversos países. A entidade informou que os ataques dos EUA e de Israel danificaram 281 centros médicos, hospitais, farmácias e filiais da Crescente Vermelho.

    “Dezessete bases da Cruz Vermelha no país foram alvejadas pelo inimigo agressor e 94 ambulâncias e veículos de resgate foram alvejados diretamente por mísseis inimigos”, informou Pir-Hossein Kolivand, o presidente da Cruz Vermelha Iraniana.

    Até o dia 18 de março, a OMS havia reconhecido ataques a 20 unidades de saúde no Irã, com nove mortes.

    Os EUA têm negado ataques a instalações civis no Irã. O secretário de Estado, Marco Rubio, ponderou que “efeitos colaterais” dos ataques são possíveis durante os combates.

    Destruição como estratégia
    O jornalista e especialista em geopolítica Anwar Assi avalia que o alto número de unidades de saúde atacadas no Irã e no Líbano indicam que não se trata de efeito colateral da guerra, mas de uma estratégia deliberada.

    “É um crime de guerra e pretendem, com isso, pressionar e aterrorizar a população civil, mostrando que eles vão atacar e não vai ter ninguém para ajudar eles. Isso é uma estratégia que Israel usa desde a década de 1990”, afirmou.

    Filho de libaneses, Anwar acrescenta que o objetivo é forçar a população a se revoltar para promover uma “mudança de regime” no Irã ou se voltarem contra o Hezbollah no Líbano. “É a mesma estratégia que eles pensaram no Irã. Atacar civis, o povo vai para a rua, faz uma rebelião. Mas nunca acontece”, completou.

    O especialista acrescenta que, além de ataques diretos a hospitais, tem sido realizado muitos ataques aos prédios do entorno das maiores unidades, prejudicando o atendimento e forçando uma evacuação de pacientes.

    “Assim, quando eles atacam um prédio que fica ao lado do hospital, acabam quebrando os vidros dentro do hospital. Acabam quebrando um quarto. Então, assim, eles vão destruindo os grandes hospitais de forma indireta”, completou.

    Gaza
    Os ataques a centros e unidades de saúde por Israel também foram uma marca dos conflitos mais recentes na Faixa de Gaza, depois de 7 de outubro de 2023. A OMS registrou 931 ataques a unidades de saúde em Gaza nesse período, além de outros 940 ataques a equipamentos do sistema de saúde na Cisjordânia, seja por meio do uso da força ou da obstrução dos serviços.

    A organização informa que 991 profissionais de saúde foram assassinados em Gaza desde o dia 7 de outubro, com outros 2 mil feridos. Israel sempre justificou esses ataques dizendo que o Hamas estaria utilizando as unidades de saúde como “escudo”. O grupo palestino negou essas alegações.

    Ainda segundo as Forças de Defesa de Israel, os militares respeitam o direito humanitário e buscam evitar a perda de vidas civis, inclusive por meio de avisos prévios para evacuações de áreas que serão bombardeadas.

  • China mantém taxas de empréstimos pelo décimo mês consecutivo

    China mantém taxas de empréstimos pelo décimo mês consecutivo

    Valores são mantidos em março de acordo com expectativas do mercado
    A China manteve inalteradas nesta sexta-feira (20) as taxas de juros de referência para empréstimos pelo décimo mês consecutivo em março, em linha com as expectativas do mercado.

    A taxa primária de empréstimo de um ano (LPR) foi mantida em 3%, enquanto a LPR de cinco anos ficou inalterada em 3,5%.

    Em uma pesquisa da Reuters com 20 participantes do mercado realizada esta semana, todos os participantes previram manutenção das duas taxas.

    A maioria dos empréstimos novos e pendentes na China é baseada na LPR de um ano, enquanto a taxa de cinco anos influencia o preço das hipotecas.
    Agência Brasil

  • Irã ameaça indústria de energia do Catar, Arábia Saudita e Emirados

    Irã ameaça indústria de energia do Catar, Arábia Saudita e Emirados

    Teerã reage a ataques dos EUA e Israel contra instalações de gás
    Após sofrer ataques contra infraestruturas energéticas do país, o Irã emitiu um alerta, nesta terça-feira (18), para evacuação de cinco instalações de processamento de petróleo e gás no Catar, na Arábia Saudita, e nos Emirados Árabes Unidos. Os danos a esses complexos podem aprofundar a crise no mercado global.

    “Esses locais agora são alvos legítimos e podem ser atingidos nas próximas horas, instando os moradores locais a se deslocarem imediatamente para locais seguros”, diz comunicado da Guarda Revolucionária Islâmica divulgada pela Press TV, empresa de mídia estatal do Irã.

    Os locais citados são a refinaria Samref e o complexo petroquímico Al-Jubail, na Arábia Saudita; o campo de gás Al-Hosn, nos Emirados Árabes; além do complexo petroquímico Al-Mesaieed e a refinaria de Ras Laffan, ambos no Catar.

    A Guarda Revolucionária pede ainda que as pessoas se mantenham afastadas de “qualquer infraestrutura petrolífera associada aos Estados Unidos”.

    A mídia estatal Fars News, do Irã, citou uma fonte militar do país persa dizendo que “os mercados de energia certamente sofrerão um novo choque, e essas chamas roubarão a estabilidade dos regimes que apoiam o inimigo na região”.

    O preço do barril do petróleo Brent no mercado internacional opera em alta de cerca de 5% nesta quarta-feira (18), vendido a US$ 108 dólares. O preço dos combustíveis tem subido desde o início da guerra, principalmente, por causa do fechamento do Estreito de Ormuz, por onde trafega cerca de 25% do óleo mundial.

    Retaliação
    O país persa ameaça bombardear as instalações de países do Golfo Pérsico em retaliação aos bombardeios de Israel e dos Estados Unidos (EUA) contra instalações da indústria petrolífera iraniana em South Pars, considerado o maior campo de gás natural do mundo, na fronteira com o Catar, e contra as instalações de refino de Asaluyed, na região costeira.

    O comunicado das forças de defesa do Irã acrescentou que os governos árabes do Golfo Pérsico ignoraram os avisos do Irã, persistindo em uma “subserviência cega”.

    “Já alertamos repetidamente seus líderes contra seguirem esse caminho perigoso e arrastarem seus povos para uma grande aposta com seu destino”, diz a nota

    Monarquias reagem
    O ministro das relações exteriores do Catar, Majed Al Ansari, disse que o ataque israelense contra instalações de energia do Irã é uma medida “irresponsável” em meio à escalada do atual conflito.

    “Atacar infraestruturas energéticas constitui uma ameaça à segurança energética global, bem como aos povos da região e ao seu meio ambiente. Reiteramos, como já enfatizamos diversas vezes, a necessidade de evitar ataques contra instalações vitais”, disse o chanceler da monarquia árabe.

    A Arábia Saudita realiza na noite desta quarta-feira (18), na capital Riad, uma reunião com países árabes e islâmicos para discutir a escalada da guerra na região com objetivo “aprimorar a consulta e a coordenação sobre formas de apoiar a segurança e a estabilidade regional”.

    O país árabe informou que dois mísseis balísticos e um drone foram interceptados nesta quarta na região Leste da Arábia Saudita.
    Agência Brasil

  • Chefe do antiterrorismo dos EUA renuncia: “Irã não é ameaça iminente”

    Chefe do antiterrorismo dos EUA renuncia: “Irã não é ameaça iminente”

    Joe Kent publicou carta atribuindo guerra ao lobby israelense
    O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos (EUA), Joseph Kent, renunciou ao cargo, nesta terça-feira (17), por não concordar com a guerra no Irã promovida pelo governo de Donald Trump em parceria com Israel.

    “Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã. O Irã não representava uma ameaça iminente à nossa nação, e é claro que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel e seu poderoso lobby”, afirmou o agora ex-diretor ligado ao Escritório Nacional de Inteligência dos EUA (DNI).

    Kent destacou que apoiou os “valores” e políticas que Trump defendeu nas suas campanhas eleitorais quando o então candidato afirmava que as guerras no Oriente Médio “eram uma armadilha que roubava da América as preciosas vidas de nossos patriotas”.

    Porém, para o então assessor da Casa Branca, Trump teria sido influenciado, no atual mandato, por altos funcionários israelenses e membros influentes da mídia que o teriam empurrado para a guerra no Irã.

    “Essa câmara de eco foi usada para enganá-lo, fazendo-o acreditar que o Irã representava uma ameaça iminente aos EUA e que, se você atacasse agora, haveria um caminho claro para uma vitória rápida. Isso foi uma mentira e é a mesma tática que os israelenses usaram para nos arrastar para a desastrosa guerra do Iraque”, completou o veterano de guerra.

    Trump se elegeu criticando as guerras dos EUA no Oriente Médio e a participação da Casa Branca na Ucrânia, motivo que tem levado parte da base de apoio do presidente republicano a condenar a agressão militar contra o Irã.

    Veterano de guerra
    Joseph Kent serviu o Exército dos EUA por 20 anos, tendo atuado em 11 destacamentos em combates no Oriente Médio. Ele se aposentou das Forças Armadas em 2018. Kent ainda perdeu a esposa, Shannon Kent, militar da Marinha estadunidense, em um atentado na Síria.

    “[Perdi] minha amada esposa Shannon em uma guerra fabricada por Israel, não posso apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer em uma guerra que não traz nenhum benefício ao povo americano”, completou o ex-assessor da Casa Branca.

    O então diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA estava sob a coordenação da diretora do Escritório Nacional de Inteligência (DNI) da Casa Branca, Tulsi Gabbard. O DNI reúne toda a comunidade de inteligência dos EUA que assessora a Casa Branca e demais instituições de segurança e inteligência do país.

    Motivos da guerra
    Em março de 2025, antes do primeiro ataque dos EUA e Israel contra o Irã, a chefe do DNI negou que o Irã estivesse construindo uma arma nuclear, como alegam Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

    Analistas consultados pela Agência Brasil têm alertado que a acusação de que o Irã desenvolve armas nucleares seria um “pretexto” para derrubar o governo de Teerã.

    A mudança de regime no Irã teria, como objetivo, acabar com a oposição do país persa à política de Washington e de Tel Aviv no Oriente Médio, além de ser uma forma de conter a expansão econômica da China na região em meio à guerra comercial travada com os EUA
    Agência Brasil

  • Líbano: 12 profissionais da saúde morrem após ataque de Israel

    Líbano: 12 profissionais da saúde morrem após ataque de Israel

    Um ataque israelense atingiu um centro de saúde no sul do Líbano e matou pelo menos 12 profissionais da área neste sábado (14). A informação foi divulgada pelo Ministério da Saúde libanês.

     

    Segundo a pasta, o bombardeio ocorreu na cidade de Borj Qalaouiye e atingiu um centro de atenção primária. Entre as vítimas estão médicos, enfermeiros e paramédicos. Até o momento, Israel não comentou o ataque.

     

    Em nota, o ministério afirmou que “lamenta a morte dos profissionais de saúde em Burj Qalawiya, vítimas de um ataque aéreo israelense que teve como alvo o centro de saúde primária da cidade”.

     

    Na sexta-feira (13), o órgão informou que 773 pessoas já morreram desde que Israel ampliou a ofensiva para o território libanês. O número de feridos chegou a 1.933.

     

    Entre as vítimas, o total de crianças mortas subiu de 98 para 103, enquanto o número de crianças feridas passou de 304 para 326.

    Bahia Notícias

  • Sob bombas, multidões vão às ruas no Irã em apoio aos palestinos

    Sob bombas, multidões vão às ruas no Irã em apoio aos palestinos

    Dia de Al-Quds ocorre anualmente no Irã desde 1979

    Em meio a guerra de Israel e dos Estados Unidos (EUA) contra o Irã, multidões foram às ruas em diversas cidades do país persa, nesta sexta-feira (13), para a chamada Marcha Internacional do Dia de Al-Quds (Jerusalém). O evento anual presta homenagem à causa palestina, ocorrendo sempre no último dia do Ramadã, que é o mês sagrado dos mulçumanos.

    Durante a manifestação, fortes explosões foram relatadas na capital iraniana. A emissora Al Jazeera Arabic noticiou um ataque aéreo a poucos metros de uma concentração de manifestantes em Teerã. Israel informou que bombardeou mais de 200 alvos no oeste e centro do Irã em 24 horas.

    A mídia estatal iraniana noticiou que uma pessoa morreu vítima de estilhaços de bomba em Teerã. Em um dos vídeos, é possível ver a multidão gritando “Deus é grande” com uma enorme torre de fumaça ao fundo. Manifestantes carregam bandeiras do Irã, da Palestina e imagens do novo Líder Supremo Mojtaba Khamenei.

    Altas autoridades do país foram fotografadas ou filmadas caminhando em meio às pessoas, como o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, o ministro das relações exteriores, Abbas Araghchi, e o chefe do Conselho Nacional de Segurança Nacional, Ali Larijani.

    “O Dia de Quds é uma manifestação de apoio à causa palestina e em defesa dos povos livres do mundo. Convido o querido povo do país a demonstrar mais entusiasmo do que nos últimos dias, participando ativamente no terreno e frustrando os inimigos do Irã”, disse o presidente Pezeshkian nas redes sociais antes dos atos.

    A emissora Press TV, do Irã, mostrou vídeos de protestos onde é possível ver milhares de pessoas em cidades importantes como Teerã, Mashhad, Arak, Malayer, Isfahan, Karaj, Kerman e Ahvaz. Os veículos oficiais iranianos dizem que os atos ocorreram em centenas de cidades e vilas.

    O Ministério da Saúde do Irã calcula que mais de 1,3 mil pessoas já morreram no país devido a guerra, com mais de 10 mil feridos. 

    Dia de Al-Quds

    O Dia Internacional de Al-Quds foi instituído em 1979 pelo líder da Revolução Islâmica do Irã, Ruhollah Khomeini, poucos meses após o trinfo do movimento que derrubou o regime monárquico do xá Rexa Pahlavi, apoiada pelos EUA e Inglaterra.

    O Dia de Al-Quds ocorre também em outros países, em especial, os de maioria mulçumana.

    Desde a Revolução Islâmica, o Irã tem sido um dos principais apoiadores da causa palestina e crítico da política de Israel e dos EUA no Oriente Médio, fornecendo apoio a grupos armados palestinos como Hamas e Jihad Islâmica. Esse apoio é uma das justificativas para a agressão contra o país persa.

    Agência Brasil

  • Líder do Irã promete vingança e manter fechado Estreito de Ormuz

    Líder do Irã promete vingança e manter fechado Estreito de Ormuz

    Mojtaba Khamenei fez primeira fala após ser eleito para cargo máximo

    No primeiro pronunciamento público desde que foi eleito Líder Supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei prometeu, nesta quinta-feira (12), vingança “pelo sangue de seus mártires” assassinados por Israel e Estados Unidos (EUA), além de manter os ataques às bases militares do inimigo nos países do Oriente Médio.

    “Não abandonaremos a busca por vingança. A vingança que temos em mente não se relaciona apenas ao martírio do grande Líder da Revolução. Pelo contrário, cada membro da nação que é martirizado pelo inimigo é um sujeito independente no dossiê de retribuição”, afirmou o aiatolá em mensagem lida pela mídia iraniana.

    O novo chefe de Estado em Teerã, que substituiu o pai Ali Khamenei, assassinado em bombardeio no primeiro dia da guerra, ainda prometeu manter o Estreito de Ormuz fechado.

    “Caros irmãos de armas! A vontade das massas populares é continuar a defesa eficaz e que cause pesar. Além disso, a alavanca do bloqueio do Estreito de Ormuz deve certamente continuar a ser utilizada”, afirmou.

    O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, por onde transitam cerca de 25% do petróleo mundial, tem abalado os mercados, obrigando países a decidirem liberar estoques de emergência.

    Eixo da Resistência
    Mojtaba Khamenei ainda prometeu cobrar os adversários pelos prejuízos econômicos causados pela guerra e manter o apoio do Irã ao Eixo da Resistência, formado por grupos paramilitares como Hamas e Hezbollah.

    “Exigiremos indenização do inimigo e, se eles se recusarem, confiscaremos o máximo de seus bens que considerarmos apropriado e, se isso não for possível, destruiremos a mesma quantidade de seus bens”, completou o novo Líder Supremo iraniano.

    Em relação ao Eixo da Resistência, que o Irã apoia e foi apontado como um dos motivos para Israel e EUA atacarem a República Islâmica, o aiatolá Mojtaba explicou que esse apoio “é parte inseparável dos valores da Revolução Islâmica”.

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  • Resistência do Irã pressiona Estados Unidos a encerrarem guerra

    Resistência do Irã pressiona Estados Unidos a encerrarem guerra

    Analistas avaliam que Trump busca forma de sair do conflito

    A capacidade de resistência da República Islâmica do Irã e as retaliações contra aliados dos Estados Unidos (EUA) no Golfo Pérsico, assim como os impactos sobre o comércio do petróleo, estão pressionando a Casa Branca a encerrar o conflito sem alcançar o objetivo de “mudança de regime” em Teerã. Essa é avaliação de especialistas consultados pela Agência Brasil.

    O cientista político e especialista em geopolítica Ali Ramos destacou que o Irã conseguiu afetar o sistema de radares dos EUA no Oriente Médio e impôs perdas importantes à cadeia do petróleo global.

    “Os EUA não têm como derrubar o governo iraniano sem invasão terrestre, o que traria baixas gigantescas. A topografia do Irã inviabiliza qualquer ação rápida. Os EUA simplesmente entraram num atoleiro e Trump não sabe como sair”, avalia o especialista em defesa e estudos sobre a Ásia.

    Os radares dos EUA no Oriente Médio afetados por Teerã eram responsáveis pela interceptação dos mísseis iranianos. Há relatos de radares atingidos no Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos, segundo análise de imagens de satélites e vídeos do jornal New York Times.

    “Toda essa cobertura satelital e de radar faz com que os EUA tenham olhos no terreno. Com isso degradado, as baixas aumentam, o tempo do alerta [contra mísseis do Irã] em Israel diminui. Por isso, agora tem vídeo de mísseis entrando toda hora em Israel, que os interceptadores não conseguem mais barrar”, completou.

    Aliados de Washington no Golfo passaram a pedir o fim do conflito, como o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari.

    “Chegar rapidamente à mesa de negociações e suspender os ataques serviria aos interesses dos povos da região, bem como à paz e segurança internacionais, além de fortalecer a estabilidade econômica global”, disse al-Ansari, de acordo coma Al Jazzera, um veículo de comunicação árabe.

    Sem troca de regime
    O professor de relações internacionais do Ibmec São Paulo (SP) Alexandre Pires ponderou à Agência Brasil que os EUA esperavam conseguir uma troca de regime rápida por meio do assassinato do líder Supremo Ali Khamenei.

    “O Irã tem apresentado uma resiliência muito mais forte do que se esperava. Inclusive, escolhendo uma liderança suprema sem nenhum tipo de negociação, e que dá um sinal de que o regime vai continuar na mesma linha que já seguia com o Khamenei”, comentou.

    Pires acrescentou que a pressão sobre os mercados do petróleo, que levou o presidente estadunidense Donald Trump a relaxar as sanções contra a Rússia para aliviar os preços no mercado global, tem preocupado os aliados de Trump no mundo e internamente, com o preço do combustível aumentando nos EUA.

    “Ainda que tenha sido dito no início que duraria quatro, cinco semanas, obviamente que esse não era o tempo que os EUA queriam. Isso vai fazendo com que os EUA mudem talvez o foco atual de uma guerra completa, de ter que ficar o tempo necessário até você ter uma troca das lideranças”, completou.

    Donald Trump disse nesta terca-feira, em entrevista à Fox News, que não ficou feliz com a escolha do novo líder Supremo so Irã, mas que “é possível” que venha a negociar com Teerã.

    Israel
    Para o especialista do Ibmec SP Alexandre Pires, Israel deve resistir a encerrar o conflito uma vez que quer aproveitar o máximo para enfraquecer o Irã.

    “Há um certo sinal de divisão nos dois aliados. Isso não foi tornado público, mas há um sinal de falas contraditórias de um lado e de outro”, disse.

    Para Pires, o Irã conseguiu afetar a cadeia do petróleo ao bloquear o canal comercial do Golfo Pérsico, Estreito de Ormuz e Golfo de Oman.

    “Isso faz com que tentem forçar um recuo ou uma negociação americana-israelense em razão da pressão feita pela comunidade internacional sobre Israel e EUA com relação à cadeia energética mundial”, completou.

    Em entrevista nesta terça-feira (10), o ministro das relações exteriores de Israel, Gideon Saar, disse que o país não quer uma guerra sem fim.

    “Consultaremos nossos amigos americanos quando acharmos que é o momento certo para isso. Não estamos buscando uma guerra sem fim”, disse Saar a repórteres em Jerusalém, segundo noticiou o jornal israelense The Times of Israel.

    Repercussões regionais
    Uma das dificuldades para encerrar a guerra, na avaliação do cientista político Ali Ramos, é que a manutenção do regime no Irã representaria uma derrota para Casa Branca.

    “O Irã vai ser o primeiro país da história que atacou tantas bases dos EUA ao mesmo tempo e sobreviveu. É por isso o desespero do Trump. Os países da região não vão mais confiar nos EUA no médio e longo prazo enquanto garantidor da sua segurança”, disse.

    Ramos argumenta que a guerra contra o Irã deve modificar a arquitetura de poder e segurança do Oriente Médio ao mostrar que as bases dos EUA na região não poderiam defender os países aliados da Casa Branca.

    “Isso já estava acontecendo, os Emirados Árabes Unidos já firmaram um pacto de defesa com a Índia, a Arábia Saudita com o Paquistão”, completou.

    Agência Brasil

  • Embaixador do Brasil no Irã: derrubar o regime será tarefa sangrenta

    Embaixador do Brasil no Irã: derrubar o regime será tarefa sangrenta

    André Veras conta que, após ataques, iranianos tentam seguir a rotina
    O embaixador do Brasil no Irã, André Veras, avalia que a derrubada do regime islâmico por forças militares estrangeiras seria uma tarefa “hercúlea, sangrenta” e custosa, que ocasionaria perdas econômicas globais.

    “Não haveria uma possibilidade de mudança [do regime iraniano] ou de algum fim deste conflito se fôssemos pensar apenas da perspectiva de ataques [exclusivamente] aéreos”, disse Veras, ao ser entrevistado pelo jornalista José Luiz Datena, durante o programa Alô Alô Brasil, transmitido pela Rádio Nacional, nesta segunda-feira (9).

    “[Daí] a discussão sobre o [possível] envio de soldados”, continuou o embaixador, apontando as dificuldades que tropas estrangeiras enfrentariam em uma eventual incursão terrestre, como as dimensões do território iraniano, caracterizado por um terreno montanhoso, e a própria capacidade ofensiva militar do Irã. O embaixador ressalta que no Irã a situação é diferente da encontrada pelos EUA em um passado próximo.

    “Então, aqui, a coisa vai exigir um pouco mais de esforço se quiserem, realmente, derrubar o regime. E acho que será uma tarefa hercúlea. Sangrenta”, afirmou Veras.

    Segundo o embaixador, dez dias após Estados Unidos e Israel terem iniciado os primeiros ataques aéreos contra alvos em território iraniano, matando o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, e centenas de civis, serviços básicos como o fornecimento de água, luz e gás, continuam funcionando e a população tenta manter a rotina, demonstrando uma resiliência infraestrutural.

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    “O comércio está aberto. As escolas estão tendo aulas remotamente. Os mercados continuam abastecidos. Não há corte de energia, de água ou gás, mas a gasolina está sendo racionada. Não só por causa dos grandes ataques, mas porque, antes mesmo do início da guerra, o Irã já estava passando por uma limitação de sua capacidade de refino”, comentou Veras.Para o embaixador, outro ponto que demonstra a solidez institucional do Irã foi a rápida substituição de Khamenei, que há 36 anos chefiava o Estado, por seu filho, Seyyed Mojtaba Khamenei, de 56 anos.

    A Assembleia dos Especialistas (ou dos Peritos) escolheu Seyyed no fim de fevereiro, dias após o pai e parte da família dele serem mortos por bombas lançadas sobre a residência do antigo aiatolá. A escolha foi confirmada neste domingo.

    “O Irã está muito bem estruturado legalmente. E o sistema tem uma resiliência muito grande. A morte, ou qualquer desaparecimento de [qualquer pessoa que ocupe] qualquer função tem um processo automático de substituição e nomeação do substituto”, avaliou Veras.

    Críticas
    Para o embaixador, a escolha de Seyyed pode alimentar as críticas internas ao regime iraniano que desde o ano passado é alvo de protestos contra o aumento do custo de vida e a repressão política a opositores. A atual teocracia islâmica dos aiatolás se estabeleceu em 1979, substituindo a monarquia autocrática do xá Reza Pahlavi.

    “A revolução islâmica foi feita contra um regime hereditário. E, agora, assumir o filho [de Ali Khamenei], cria uma impressão de que o sistema substituído permanece, de outra forma”, ponderou o embaixador.

    Veras destacou que, enquanto o pai estava vivo, Seyyed era como um “coadjuvante nas sombras”.

    “Ele tem uma ligação muito forte com a Guarda Revolucionária e com os setores mais conservadores dos clérigos. O que faz com que as pessoas, aqui [no Irã], avaliem que, neste clima de contestação ao sistema islâmico, [sua escolha] seja uma dura resposta do Estado. Não só à insatisfação interna, como ao sistema contrário [ao regime] fora do país.”, comentou Veras.

    De acordo com o embaixador, até o momento, não houve necessidade do governo brasileiro discutir a eventual realização de uma operação para retirar brasileiros e suas famílias do Irã, seja porque as fronteiras terrestres com as nações vizinhas seguem abertas e têm servido de rota para quem deseja deixar o país, seja porque há poucos brasileiros vivendo no Irã – cerca de 200 pessoas, principalmente mulheres casadas com iranianos.

    Veras acrescentou que ainda assim tem contato diário com as chefias do Itamaraty, que estão informando o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, constantemente. O embaixador relata que a embaixada vem acompanhando casos pontuais, sendo a principal demanda os pedidos de documentação e visto.

    Embora entenda que a resistência aos ataques estadunidenses e israelenses é uma questão “de vida ou morte” para a continuidade do regime iraniano, o que torna a rendição improvável, Veras não descarta uma solução diplomática, negociada.

    Na avaliação dele, o Irã precisa do fim das sanções econômicas impostas pelos EUA, enquanto Donald Trump – e o mundo – precisam “de paz para que a economia global funcione e as rotas comerciais sejam mantidas”.

    “Mesmo que alguns possam pensar que o [eventual controle do] fornecimento de petróleo vai favorecer este ou aquele país, em uma economia globalizada, todos perdem [com uma guerra]”, advertiu Veras

    O embaixador acrescentou que os custos da continuidade da guerra seriam altos para todos os lados.

    “Há espaço [para uma solução diplomática] porque os custos da guerra estão aumentando muito. Acho que isto trará um pouco mais de racionalidade à condução do processo”, concluiu Veras.
    Agência Brasil
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