Categoria: Mundo

  • EUA e Israel atacam principal universidade de tecnologia do Irã

    EUA e Israel atacam principal universidade de tecnologia do Irã

    Estimativas apontam que 600 centros educacionais já foram atacados

    A Universidade de Tecnologia Sharif, em Teerã, foi bombardeada pelos Estados Unidos (EUA) e por Israel na madrugada desta segunda-feira (6), em mais um ataque contra instalações civis e acadêmicas do país persa.

    Conhecida como “MIT do Irã”, por ser comparada ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) dos EUA, a Universidade Sharif é a principal do campo da tecnologia e da engenharia do país, funcionando como uma plataforma de Inteligência Artificial (IA) iraniana. Não foram registradas mortes neste ataque.

    Segundo a mídia local, parte da instituição foi destruída, em especial, o centro de dados e o posto de distribuição de gás da Sharif. Além disso, a mesquita da instituição teria sido danificada.

    Autoridades do país criticaram o ataque contra a universidade como mais um crime de guerra, como afirmou o vice-presidente do Irã, Mohammad Reza Aref, que destacou que o conhecimento “está enraizado” nas almas iranianas.

    “O bombardeio da Universidade Sharif é um símbolo da loucura e da ignorância de Trump. Ele não entende que o conhecimento iraniano não é concreto a ser destruído por bombas”, disse em uma rede social.

    O ataque a instalações civis é considerado crime de guerra pelo direito internacional. Na última semana, os ministros da Ciência, Ali Simayi Sarra, e da Saúde, Mohammad-Reza Zafar-Qandi, emitiram comunicado conjunto condenando esses ataques e pedindo uma resposta da comunidade internacional.

    “Como administradores de instituições científicas no Irã, chamamos a atenção de nossos colegas em todo o mundo para esses crimes. Se essas atrocidades não forem condenadas aqui e agora, ameaças semelhantes pairarão sobre os ambientes acadêmicos em outros países”, disseram os ministros iranianos.

    Autoridades dos EUA e de Israel ainda não comentaram o ataque à Universidade de Tecnologia Sharif.

    Além da Universidade de Sharif, os EUA e Israel atacaram, pelo menos, outras seis universidades ou faculdades iranianas desde o início do conflitoA Cruz Vermelha Iraniana calcula que, pelo menos, 600 centros educacionais ou escolas foram atacadas desde o dia 28 de fevereiro.

    Entre os ataques a centros educacionais, está o bombardeio contra a escola em Minab, no primeiro dia da guerra, que matou 168 crianças do ensino básico.

    Agência Brasil

  • Missão espacial da Nasa divulga foto inédita da Lua

    Missão espacial da Nasa divulga foto inédita da Lua

    Registro foi feito pelos astronautas que embarcaram na missão Artemis

     

    A Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, divulgou neste domingo (5) uma foto inédita da Lua. O registro foi feito pelos astronautas que embarcaram na missão Artemis 2, que marca o retorno de viagens tripuladas ao entorno da Lua após 50 anos.

    A foto é inédita porque conseguiu capturar a curvatura da Lua a olho nu. Antes, os demais registros foram feitos por equipamentos robóticos.

    “História sendo feita. Nesta nova imagem da tripulação da missão Artemis 2, você pode ver a bacia oriental na borda direta do disco lunar. Essa missão marca a primeira vez em que toda a bacia é vista a olho nu”, informou a Nasa.

    The Artemis II crew – NASA Astronaut Reid Wiseman Wiseman (far left), CSA (Canadian Space Agency) Astronaut Jeremy Hansen (center left) and NASA astronauts Christina Koch (center right) and Victor Glover (right) participated in a live media event in the Orion spacecraft during Flight Day 4. and seen live on the agency’s 24/7 coverage. Foto: NASA/Divulgação
    Astronautas Reid Wiseman, Jeremy Hansen, Christina Koch e Victor Glover compõem a tripulação da missão Artemis 2 – Foto: Nasa/Divulgação

    Na quarta-feira (1°), a agência espacial lançou a missão espacial de dez dias pelo entorno da Lua.

    A tripulação é composta por quatro astronautas. Pela primeira vez, uma equipe da Nasa é formada por uma mulher, Christina Koch, e um astronauta negro, Victor Glover. Os astronautas Reid Wiseman e Jeremy Hansen também estão na viagem.

  • “Estamos nos tornando indiferentes à violência”, alerta Papa Leão XIV

    “Estamos nos tornando indiferentes à violência”, alerta Papa Leão XIV

    Líder religioso criticou a apatia diante do sofrimento alheio

    Pela primeira vez desde que se tornou representante máximo da Igreja Católica, o papa Leão XIV presidiu a missa do Domingo de Páscoa, na Praça São Pedro, no Vaticano. Dirigindo-se a milhares de fiéis em todo o mundo, ele encorajou os líderes mundiais a se desarmarem e a buscarem o diálogo para encerrar os conflitos bélicos.

    “Quem tem armas nas mãos, que as deponha! Quem tem o poder de desencadear guerras, que opte pela paz! Não uma paz conseguida com a força, mas com o diálogo! Não com a vontade de dominar o outro, mas de o encontrar!”, disse Leão XIV, neste domingo (5).

    O líder religioso criticou a falta de sensibilidade e a apatia diante do sofrimento alheio.

    “Estamos nos habituando à violência, nos resignando a ela e nos tornando indiferentes. Indiferentes à morte de milhares de pessoas. Indiferentes às repercussões de ódio e divisão que os conflitos semeiam. Indiferentes às consequências económicas e sociais que produzem e que todos sentimos”.

    Há uma “globalização da indiferença” cada vez mais acentuada, para retomar uma expressão cara ao papa Francisco. “Quanto desejo de morte vemos todos os dias em tantos conflitos que ocorrem em diferentes partes do mundo”, ponderou o líder católico.

    Leão XIV citou o exemplo de Cristo para defender o diálogo e a cooperação como forma de superar o ciclo de ódio que gera e perpetua guerras e conflitos.

    “Esta é a verdadeira força que traz a paz à humanidade, porque gera relações respeitosas em todos os níveis: entre as pessoas, famílias, grupos sociais e nações. Não visa o interesse particular, mas o bem comum; não pretende impor os próprios planos, mas contribuir para o conceber e o concretizar em conjunto com os outros”, acrescentou o papa;

    Ele lembrou que, para os cristãos, a Páscoa representa “uma vitória da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas, do amor sobre o ódio”.

    “Esta é uma mensagem nem sempre fácil de aceitar; uma promessa que nos custa acolher, porque o poder da morte ameaça-nos constantemente, por dentro e por fora”, disse o papa, insistindo na crítica à indiferença. “Todos temos medo da morte e, por medo, voltamo-nos para o outro lado, preferimos não olhar, mas não podemos continuar indiferentes! Não podemos resignar-nos ao mal!”

    Segundo o Vaticano, cerca de 50 mil pessoas assistiram, na Praça São Pedro, à celebração litúrgica deste domingo, concluída com o papa apelando a todos que “façamos ouvir o grito de paz que brota do coração”. “Não àquela que se limita a silenciar as armas, mas aquela que toca e transforma o coração de cada um de nós.”

  • Trump amplia retórica bélica contra Irã e minimiza alta do petróleo

    Trump amplia retórica bélica contra Irã e minimiza alta do petróleo

    Presidente defendeu guerra e criticou aliados por falta de apoio
    Em seu primeiro pronunciamento nacional desde o início da guerra, o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, afirmou na noite desta quarta-feira (1º) que as forças militares norte-americanas estão “desmantelando sistematicamente” a capacidade de defesa do regime do Irã e que os objetivos “estratégicos centrais” do conflito, iniciado há 32 dias, estariam próximos de serem atingidos.

    Na declaração, de cerca de 20 minutos, Trump exaltou o que diz serem vitórias no campo de batalha e prometeu ampliar os ataques ao logos das próximas semanas, sem descartar negociações.

    “Vamos atacar com extrema força nas próximas duas a três semanas. Vamos levá-los de volta à idade da pedra, onde pertencem. Enquanto isso, as negociações continuam. Mudança de regime não era nosso objetivo — nunca dissemos isso —, mas ela ocorreu em função da morte de praticamente todos os líderes originais. Todos morreram”, disse o norte-americano.

    “O novo grupo é menos radical e mais razoável. Ainda assim, se nesse período não houver acordo, temos alvos estratégicos definidos.”

    Esses alvos, segundo ele, seriam usinas de geração de energia.

    “Não atacamos o petróleo, embora seja o alvo mais fácil, porque isso eliminaria qualquer chance de sobrevivência ou reconstrução”, pontuou.

    Em diversos momentos, sem apresentar evidências claras, Trump exagerou na retórica e afirmou ter “destruído e esmagado” forças militares iranianas, como a Marinha e a Força Aérea do país persa.

    Apesar disso, não soube explicar porque o Estreito de Ormuz, passagem entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, por onde circulavam até 20% das exportações de petróleo, segue com acesso controlado e restrito pelos iranianos, com fortes impactos no preço internacional dos combustíveis.

    A esse respeito, Trump declarou que os EUA não dependem do óleo comercializado por essa via disse que países que dependem devem se responsabilizar pelo acesso do canal marítimo.

    “Os Estados Unidos importam quase nenhum petróleo pelo Estreito de Ormuz — e não importarão no futuro. Não precisamos disso. Derrotamos e praticamente dizimamos o Irã. Eles estão devastados e os países do mundo que recebem petróleo pelo Estreito de Ormuz precisam cuidar dessa passagem.Nós ajudaremos, mas devem liderar a proteção do petróleo do qual dependem tanto”, afirmou.

    Aliados e alta petróleo
    Trump agradeceu e citou o nome dos países aliados no Oriente Médio, como Israel, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. Esses países, que mantêm bases norte-americanas em seus territórios, têm sido alvo do Irã em retaliação aos ataques de Israel e EUA.

    Sobre a alta do petróleo, o presidente dos EUA minimizou o problema, dizendo ser uma situação passageira.

    “Muitos americanos têm se preocupado com o recente aumento no preço da gasolina aqui no país. Esse aumento de curto prazo é resultado direto de ataques terroristas insanos do regime iraniano contra petroleiros comerciais em países vizinhos que nada têm a ver com o conflito. Isso é mais uma prova de que o Irã jamais pode ser confiável com armas nucleares”, afirmou.

    Ao citar o tempo de duração da guerra para justificar sua continuidade, Trump comparou com outros conflitos militares históricos em que os EUA já se envolveram ao longo do último século.

    “A participação americana na Primeira Guerra Mundial durou 1 ano, 7 meses e 5 dias. A Segunda Guerra Mundial durou 3 anos, 8 meses e 25 dias. A Guerra da Coreia durou 3 anos, 1 mês e 2 dias. A Guerra do Vietnã durou 19 anos, 5 meses e 29 dias. A Guerra do Iraque durou 8 anos, 8 meses e 28 dias. Estamos nessa operação militar poderosa, estratégica, há 32 dias. E esse país foi devastado, deixando de ser uma ameaça relevante. Este é um investimento real no futuro dos seus filhos e netos”, afirmou.

    Silêncio sobre protestos
    No pronunciamento, Trump não citou as centenas de manifestações que reuniram milhões de norte-americanos, nas principais cidades do país, como Nova York, Dallas, Filadélfia e Washington, ao longo do último final de semana.

    Os manifestantes, que protestaram inclusive em dezenas de cidades pequenas e médias, criticam o envolvimento do governo na guerra e as ações policiais voltadas para a deportação de imigrantes dos EUA.

    É a terceira onda de protestos nos últimos meses e, de acordo com a imprensa norte-americana, o presidente vive sua pior avaliação desde o início do segundo mandato, há pouco mais de um ano, como cerca de um terço de aprovação apenas, de acordo com levantamentos de institutos de pesquisa de opinião.

    Agência Brasil

  • Justiça argentina barra trechos da reforma trabalhista de Milei

    Justiça argentina barra trechos da reforma trabalhista de Milei

    Dentre os 82 artigos barrados está ampliar a jornada para 12 horas
    Uma decisão da Justiça da Argentina suspendeu trechos importantes da reforma trabalhista do governo Javier Milei, alterando uma das principais apostas do governo.

    A decisão provisória foi divulgada nesta segunda-feira (30) e atinge 82 artigos da lei, aprovada pelo Senado em fevereiro, em meio a protestos e forte disputa política.

    Entre os pontos suspensos estão a ampliação da jornada para até 12 horas diárias sem pagamento de horas extras, a redução e o parcelamento de indenizações por demissão, e restrições ao direito de greve.

    Também ficam sem efeito regras que dificultavam o reconhecimento de vínculo empregatício e medidas que limitavam a atuação de sindicatos.

    A decisão foi tomada após um pedido da principal central sindical do país. O juiz responsável entendeu que a aplicação imediata das mudanças poderia causar danos irreparáveis aos trabalhadores, caso a lei seja considerada inconstitucional no julgamento final.

    A suspensão é temporária, e o governo ainda pode recorrer. O caso mantém o embate entre a gestão Milei, que defende a flexibilização das regras, e os sindicatos, que apontam perda de direitos.

    Agência Brasil

  • Irã incendeia petroleiro gigante perto de Dubai após alertas de Trump

    Irã incendeia petroleiro gigante perto de Dubai após alertas de Trump

    Ataque foi o mais recente contra navios mercantes no Estreito
    Teerã atacou e incendiou um navio petroleiro totalmente carregado ao largo de Dubai nesta terça-feira, apesar da ameaça do presidente Donald Trump de que os Estados Unidos (EUA) destruiriam as usinas de energia do Irã se o país não aceitar um acordo de paz e abrir o Estreito de Ormuz.

    Autoridades de Dubai disseram que o incêndio no Al-Salmi, de bandeira do Kuwait, foi controlado após um ataque de drones, sem vazamento de óleo e sem ferimentos na tripulação. A Kuweit Petroleum Corp, proprietária do navio, afirmou que o casco da embarcação foi danificado.

    O ataque foi o mais recente contra navios mercantes no estreito, uma hidrovia vital, desde que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro.

    Dados mostraram que o navio estava indo para Qingdao, na China, e transportava 1,2 milhão de barris de petróleo saudita e 800 mil barris de petróleo kuwaitiano, de acordo com o serviço de monitoramento TankerTrackers.com.

    O Al-Salmi pode não ter sido o alvo pretendido. A Guarda Revolucionária do Irã disse que tinha como alvo um navio de contêineres no Golfo por causa de seus laços com Israel. Mas eles pareciam estar se referindo ao Haiphong Express, com bandeira de Cingapura, que estava ancorado ao lado do Al-Salmi, de acordo com dados de navegação.

    O conflito, que dura um mês, espalhou-se pela região, matando milhares de pessoas, interrompendo o fornecimento de energia e ameaçando levar a economia global ao colapso.

    Os preços do petróleo voltaram a subir brevemente após o ataque ao navio-tanque, que pode transportar cerca de 2 milhões de barris de petróleo, no valor de mais de US$ 200 milhões aos preços atuais.

    Como os ataques não mostram sinais de abrandamento, o Paquistão está tentando mediar a guerra. Seu ministro das Relações Exteriores, Ishaq Dar, deve discutir o conflito durante visita à China nesta terça-feira, depois de manter conversações com Turquia, Egito e Arábia Saudita.

    A China, um dos aliados mais próximos do Irã e o maior comprador de seu petróleo, fez novo apelo a todos os lados para que interrompam as operações militares.

    O país disse que três navios chineses foram recentemente autorizados a navegar pelo Estreito de Ormuz, que normalmente transporta cerca de um quinto dos suprimentos globais de petróleo e gás natural liquefeito.

    O Irã afirma ter recebido propostas de paz dos EUA por meio de intermediários, mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores afirmou ontem que elas eram “irrealistas, ilógicas e excessivas”.

    Após esses comentários, Trump disse que os EUA estavam em negociações com um “regime mais razoável”, referindo-se aos líderes iranianos que substituíram os mortos na guerra, mas emitiu novo aviso sobre o Estreito de Ormuz.

    Ele afirmou que os EUA destruiriam usinas de energia, poços de petróleo e a ilha de Kharg, de onde o Irã exporta grande parte de seu petróleo, se um acordo não fosse alcançado em breve e o estreito não fosse aberto.

    O fracasso em garantir um acordo de paz fez com que o chefe de energia da União Europeia alertasse os Estados membros a se prepararem para uma “interrupção prolongada” nos mercados de energia.

    Agência Brasil

  • Guerra no Irã amplia risco ambiental e climático, diz relatório

    Guerra no Irã amplia risco ambiental e climático, diz relatório

    Especialistas alertam para impactos locais e globais do conflito

    assez de água no Irã e no Oriente Médio se agrava. Um cessar-fogo é urgentemente necessário para proteger a saúde humana e ambiental”, afirma Inger Andersen, diretora executiva do Pnuma.

    Irã e Líbano enviaram reclamações às Nações Unidas, em que acusam Israel de cometer ecocídio. O termo é usado para definir uma destruição maciça e duradoura do meio ambiente, causada por atos ilegais ou irresponsáveis.

    “O ataque criminoso aos reservatórios de combustível de Teerã se enquadra, segundo todos os critérios do direito internacional, na definição de ‘ecocídio’ ou crime ambiental. Consequentemente, o regime terrorista sionista, como perpetrador, e o regime terrorista dos Estados Unidos, como seu apoiador e facilitador, devem ser responsabilizados perante organizações e fóruns internacionais”, diz o documento publicado pelo Irã.

    Relatório de riscos
    O levantamento do Ceobs lista os principais riscos ambientais.

    – Riscos nucleares: Israel atacou a instalação de enriquecimento de Natanz e as proximidades do reator de Bushehr, no Irã. Em retaliação, foram bombardeadas duas cidades próximas às instalações israelenses de armas nucleares no deserto de Negev e a Zona Industrial de Rotem, onde o urânio é extraído de depósitos de fosfato. A Agência Internacional de Energia Atômica e a Organização Mundial da Saúde manifestaram preocupação com uma possível emergência nuclear na região.

    – Infraestrutura de combustíveis fósseis: dezenas de locais de produção, processamento e armazenamento foram danificados ou interrompidos em toda a região. Isso provocou incêndios em instalações de armazenamento de petróleo. Há riscos adicionais de incêndios ou derramamentos em instalações que processam produtos de petróleo e gás. Emissões adicionais de gases do efeito estufa ocorrem de vazamentos de metano e queima de emergência.

    – Golfo Pérsico: a maioria dos navios atacados pelo Irã era cargueiro a granel, e não petroleiros. No entanto, existe risco constante de derramamentos e capacidade limitada de resposta a eles. Portos e infraestrutura petrolífera costeira, como a de Bandar Abbas, bem como navios da Marinha iraniana afundados, também são fontes potenciais de poluição.

    – Mar Vermelho: os ataques dos Houthis, movimento político e militar do Iêmen, contra navios levaram a graves incidentes de poluição. A continuação desses atos representa ameaças ao ecossistema marinho e à pesca no Mar Vermelho. Ataques retaliatórios de Israel e EUA contra infraestrutura portuária e energética também representam ameaças de poluição costeira.

    – Consequências globais: os preços e a disponibilidade menor do gás estão fazendo com que alguns países voltem a queimar carvão no curto prazo. A redução das exportações de ureia e fertilizantes está elevando os preços, o que prejudicará a produção agrícola em países importadores como Sudão e Somália, enquanto beneficia as receitas de exportação da Rússia.

    Custo climático
    Dados do Climate and Community Institute estimam que a guerra no Irã provocou, em 14 dias, a emissão de 5 milhões de toneladas de dióxido de carbono. Se o conflito se estender por mais tempo e esse ritmo inicial se mantiver, as emissões mensais podem ultrapassar 10 milhões de toneladas.

    “O conflito no Irã gera muita preocupação, porque os países envolvidos são fortemente envolvidos na produção de combustíveis fósseis e se tornam alvos estratégicos”, analisa o professor Wagner Ribeiro, professor de geografia da Universidade de São Paulo (USP), especialista em geopolítica e meio ambiente.

    “Quando você bombardeia uma usina de processamento de petróleo ou um posto de gás, não está apenas dificultando a infraestrutura do inimigo, mas está também queimando esse material e agravando a emissão de gases de efeito estufa”, complementa.

    O Instituto Talanoa publicou levantamento recente sobre o impacto das guerras contemporâneas na emergência climática. Se o setor militar mundial fosse um país, seria o quinto maior emissor de gases de efeito estufa no mundo, com cerca de 2,7 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente (GTCO2e), ou seja, 5,5% das emissões globais.

    A China lidera essa lista (15,5 GTCO2e), seguida de Estados Unidos (5,9 GTCO2e), da Índia (4,4 GTCO2e), Rússia (2,6 GTCO2e), Indonésia (GTCO2e) e do Brasil (GTCO2e). O levantamento usa como fonte o Emissions Database for Global Atmospheric Reserach (EDGAR), o CEOBS, o Scientists for Global Responsibility (SGR) e Global Carbon Project (GCP).

    O cálculo das emissões das forças militares enfrenta obstáculos por causa da falta de transparência sobre os dados. Em 2025, apenas seis países informaram dados desagregados de suas emissões militares: Alemanha, Bulgária, Chipre, Eslováquia, Hungria e Noruega.

    O instituto cita que conflitos armados mantêm emissões estruturais, mas podem gerar picos intensos em períodos menores. Lembra a guerra na Ucrânia, em que cerca de 311,4 GTCO2e foram emitidos ao longo de quatro anos, e os ataques israelenses na Faixa de Gaza, em que foram emitidos 33,2 MtCO2e durante 15 meses.

    “As emissões acontecem em toda a cadeia militar. No processo logístico para transportar tropas, armamentos, veículos e equipes. Também no lançamento de mísseis, em que propulsão é baseada em combustíveis fósseis. Além disso, há a energia necessária para a produção desses artefatos de destruição da vida”, diz Wagner Ribeiro.

    “Deveríamos apostar no diálogo, no multilateralismo, em vez de apostar nas máquinas de guerra como temos vistos nos últimos anos”, complementa.
    Agência Brasil

  • Manifestações anti-Trump reúnem milhões em diversas cidades dos EUA

    Manifestações anti-Trump reúnem milhões em diversas cidades dos EUA

    Mais de 3,2 mil eventos foram programados, segundo os organizadores

     

    Milhares de pessoas protestaram, neste sábado (28), contra as políticas do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, na manifestação chamada de No Kings (Sem Reis). De acordo com o site de notícias Reuters, os organizadores tinham a expectativa de que se tornasse o maior protesto de um único dia na história do país, com mais de 3,2 mil eventos planejados em todos os 50 estados e em diversas cidades fora do país.

    Os números oficiais ainda não foram divulgados, mas era esperada a participação de mais de 9 milhões de pessoas. O cantor Bruce Springsteen, que critica abertamente o presidente Trump, reuniu uma multidão num estádio de Minneapolis, onde cantou a música Streets of Minneapolis, que fez durante os protestos da população contra a atuação do ICE, polícia de imigração que matou dois cidadãos americanos.

    Além de criticar a política migratória do mandatário norte-americano, os protestos também são feitos contra a participação dos EUA na guerra contra o Irã.

    As manifestações se espalharam por Nova York, Washington, Atlanta, Chicago, Houston, Denver, São Francisco, entre outras.

    79-year-old Christine Hughes holds a sign as she attends a demonstration during the day of
    Christine Hughes, de 79 anos, segura um cartaz durante uma manifestação do movimento No Kings contra as políticas do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, em Nova York – Foto: Reuters/Mike Segar/Proibida reprodução

    No final deste ano, ocorrem as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, quando todos os deputados e parte dos senadores são renovados. Os organizadores dos protestos dizem ter visto um aumento no número de eventos anti-Trump e de pessoas se inscrevendo para votar em estados profundamente republicanos (partido de Trump) como Idaho, Wyoming, Montana e Utah.

    De acordo com a Reuters, os protestos acontecem em um momento em que a taxa de aprovação de Trump caiu para 36%, seu ponto mais baixo desde o retorno à Casa Branca.

    Milhares de pessoas também se reuniram em Manhattan. Um dos organizadores, o ator Robert De Niro disse que “houve outros presidentes que testaram os limites constitucionais de seu poder, mas nenhum representou uma ameaça existencial tão grande às nossas liberdades e segurança”.

    Demonstrator Sam Scarcello, in costume, has fake blood poured on her head during a
    Manifestante Sam Scarcello durante um protesto contra as políticas do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, perto do Capitólio, em Washington – Foto: Reuters/Leah Millis/Proibida reprodução

    O porta-voz do Comitê Nacional Republicano do Congresso, Mike Marinella, criticou os políticos democratas por apoiarem os protestos. “Esses comícios contra a América são onde as fantasias mais violentas e delirantes da extrema esquerda encontram um microfone e os democratas da Câmara recebem suas ordens”, disse em comunicado.

    Os eventos deste sábado ocorrem em meio ao que os organizadores disseram ser um apelo à ação contra o bombardeio do Irã pelos EUA e Israel, um conflito que já dura quatro semanas.

    Os protestos de hoje, que fazem parte do movimento No Kings, tiveram a primeira mobilização em junho do ano passado e atraiu entre 4 milhões e 6 milhões de pessoas em aproximadamente 2,1 mil locais em todo o país. A segunda manifestação ocorreu em outubro, envolvendo cerca de 7 milhões de participantes em mais de 2,7 mil locais.

  • Trump diz que “Cuba é a próxima” em discurso

    Trump diz que “Cuba é a próxima” em discurso

    Ilha sofre embargo energético imposto pelos Estados Unidos
    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (28) que “Cuba é a próxima”, durante um discurso em um fórum de investimentos em Miami, quando elogiou os sucessos da ação militar dos EUA na Venezuela e no Irã.

    Embora o presidente não tenha especificado exatamente o que planeja fazer com a nação insular, ele tem dito com frequência que acredita que o governo de Havana, que enfrenta uma grave crise econômica, está à beira do colapso.

    Seu governo iniciou negociações com lideranças de Cuba nas últimas semanas, enquanto o próprio Trump deu a entender que uma ação cinética poderia ser possível.

    “Eu construí esse grande exército. Eu disse ‘Você nunca terá que usá-lo.’ Mas, às vezes, é preciso usá-lo. E, a propósito, Cuba é a próxima”, disse Trump na conferência.

    Embargo
    Cuba sofre um forte embargo por parte do governo dos Estados Unidos. Trump impede que a Venezuela forneça petróleo para a ilha, causando assim uma forte crise energética na ilha.

    Nos últimos meses, o país sofreu uma série de apagões de energia elétrica, deixando mais de 10 milhões de pessoas sem luz. Além de hospitais, escolas e outros lugares.
    Agência Brasil

  • Trump pede que Irã aja rapidamente sobre plano de cessar-fogo

    Trump pede que Irã aja rapidamente sobre plano de cessar-fogo

    Presidente recomenda que país leve a sério acordo para encerrar guerra
    O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, alertou o Irã nesta quinta-feira (26) para “levar a sério” um acordo para pôr fim a quase quatro semanas de combates, depois que o ministro iraniano das Relações Exteriores disse que Teerã estava analisando a proposta dos EUA, mas que não havia conversas sobre o fim da guerra.

    Os comentários de Trump foram feitos no momento em que o custo econômico e humanitário do conflito aumenta, com a escassez de combustível se espalhando por todo o mundo, fazendo com que empresas e países se esforcem para conter as consequências.

    “Conversas indiretas” entre os EUA e o Irã estão ocorrendo por meio de mensagens transmitidas pelo Paquistão, com outros países, incluindo a Turquia e o Egito, também apoiando os esforços de mediação, disse o ministro das Relações Exteriores do Paquistão.

    O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que isso não equivale a uma negociação. “Mensagens sendo transmitidas por meio de nossos países amigos e nós respondendo, declarando nossas posições ou emitindo os avisos necessários, não é o que chamamos de negociação ou diálogo”, disse Araqchi em entrevista à televisão estatal.

    “No momento, nossa política é continuar a resistência e defender o país, e não temos intenção de negociar”, acrescentou.

    Trump disse, em postagem no Truth Social nesta quinta-feira, que o Irã foi “militarmente obliterado, com zero chance de retorno”, e estava “implorando” por um acordo.

    Chamando os negociadores iranianos de “muito diferentes e ‘estranhos’”, ele acrescentou: “É melhor eles levarem a sério logo, antes que seja tarde demais, porque quando isso acontecer, não há volta e não será nada bonito.”

    Posições maximalistas
    Embora os comentários de Araqchi tenham sugerido certa disposição de Teerã em negociar o fim da guerra se as exigências iranianas forem atendidas, essas conversas provavelmente seriam muito difíceis, dadas as posições maximalistas apresentadas por ambos os lados.

    Uma proposta de 15 pontos dos EUA para encerrar o conflito, enviada ao Irã por meio do Paquistão, inclui exigências que vão desde o desmantelamento do programa nuclear do Irã e a contenção de seus mísseis até a entrega efetiva do controle do Estreito de Ormuz, de acordo com fontes e reportagens.

    Mas o Irã endureceu sua posição desde o início da guerra, exigindo garantias contra futuras ações militares, compensação por perdas e controle formal do Estreito, segundo fontes iranianas. O Irã também disse a intermediários que o Líbano deve ser incluído em qualquer acordo de cessar-fogo, disseram fontes regionais.

    Trump não identificou com quem os EUA estão negociando no Irã, com muitas autoridades de alto escalão entre as milhares de pessoas mortas em todo o Oriente Médio desde que EUA e Israel atacaram o país em 28 de fevereiro. Desde então, o Irã lançou ataques contra Israel, bases dos EUA e Estados do Golfo.

    Ondas de mísseis
    O Irã lançou hoje várias ondas de mísseis contra Israel, disparando sirenes de ataque aéreo em Tel Aviv e outras áreas e ferindo pelo menos cinco pessoas.

    No Irã, os ataques atingiram uma zona residencial na cidade de Bandar Abbas, ao sul, e um vilarejo nos arredores da cidade de Shiraz, também ao sul, onde dois irmãos adolescentes foram mortos, informou a agência de notícias iraniana Tasnim. O prédio de uma universidade em Isfahan teria sido atingido.

    Autoridades israelenses afirmaram que Israel matou o comandante naval da Guarda Revolucionária do Irã e que ainda tinha muitos outros alvos em vista, enquanto enfraquecia as capacidades iranianas.

    Ainda assim, Israel retirou Araqchi e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, de sua lista de alvos após o Paquistão instar Washington a pressionar Israel para que não atacasse pessoas que pudessem ser parceiras de negociação, segundo uma fonte paquistanesa com conhecimento da discussão, em declaração à Reuters.

    Um alto oficial da defesa israelense disse que Israel estava cético quanto à possibilidade de o Irã aceitar os termos propostos pelos EUA e temia que os negociadores norte-americanos pudessem fazer concessões.
    Agência Brasil