Categoria: Mundo

  • Chefe de Segurança do Irã diz que não haverá negociação com Trump

    Chefe de Segurança do Irã diz que não haverá negociação com Trump

    Ataque dos EUA e Israel deve continuar pelas próximas semanas
    Ali Larijani, chefe de Segurança do Irã, afirmou nesta segunda-feira (2), na Rede Social X, que o país não fará acordo com o presidente Donald Trump. “Não haverá negociação com os Estados Unidos”, escreveu ele.

    A mensagem de Larijani vai na contramão do que disse Trump neste domingo (1), quando afirmou que o novo líder do país estaria interessado em negociar.

    Larijani publicou outras mensagens na rede social e escreveu que “Trump traiu o ‘América Primeiro’ e adotou o ‘Israel Primeiro”. Em outra postagem, o chefe de Segurança iraniano escreveu que o presidente norte-americano “puxou toda a região para uma guerra desnecessária e agora está devidamente preocupado com as mortes de norte-americanos. É muito triste ele sacrificar o tesouro e o sangue americano para avançar nas ambições expansionistas ilegítimas de Netanyahu”.

    O ataque conjunto dos EUA e Israel ao Irã, que teve início no sábado (28), não deve parar tão cedo. Segundo o próprio Trump, as agressões continuarão até que os objetivos militares dos EUA sejam atingidos.

    Trump também pediu que a Guarda Revolucionária iraniana entregue as armas sob o risco de “encarar a morte.”

    Os bombardeios ao Irã causaram a morte do Líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Hamenei. O ex-presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, também morreu.
    Agência Brasil

  • Guerra no Oriente Médio tem mais bombardeios e mortes neste domingo

    Guerra no Oriente Médio tem mais bombardeios e mortes neste domingo

    Irã confirma assassinato de autoridades e vítimas civis
    Os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã desde a madrugada de sábado (28) seguiram neste domingo (1º), quando foram confirmadas mortes de autoridades do país persa, como o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad.

    Forças militares de Estados Unidos e Israel usaram perfis nas redes sociais para anunciar prejuízos impostos pelos bombardeios contra o país.

    O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), responsável por operações militares do país na Ásia Central e no Oriente Médio, afirmou nesta tarde, em publicação na rede social X, que a sede da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) foi destruída. As informações não foram confirmadas pelo Irã.

    O Centcom negou que o porta-aviões USS Abraham Lincoln tenha sido atingido por mísseis do Irã, como havia divulgado a IRGC.

    Também em redes sociais, o presidente Donald Trump disse que navios iranianos importantes foram afundados: “Acabei de ser informado de que destruímos e afundamos nove navios da Marinha iraniana, alguns deles relativamente grandes e importantes. Vamos atrás dos demais — em breve, eles também estarão no fundo do mar!”

    Já as Forças de Defesa de Israel, em publicação no X, divulgaram que “todos os líderes terroristas de alto escalão do Eixo do Terror do Irã foram eliminados”.

    Bombardeios e mortes
    Somente até a tarde de sábado (28), ao menos 201 pessoas foram mortas e 747 ficaram feridas no Irã. A informação é atribuída a um porta-voz da Sociedade do Crescente Vermelho, organização civil humanitária.

    Neste domingo, o Ministério da Educação do Irã atualizou para 153 o número de meninas mortas no ataque de sábado a uma escola em Minab, no sul do país. Outras 95 alunas ficaram feridas.

    De acordo com a Al Jazeera, o Hospital Gandhi, no norte de Teerã, a capital do Irã, foi alvo de ataques aéreos israelenses e dos EUA.

    “O Hospital Gandhi de Teerã foi atacado por ataques aéreos sionistas-americanos”, dizia a publicação. As agências de notícias Fars e Mizan publicaram um vídeo, supostamente gravado dentro do hospital, mostrando destroços no chão entre cadeiras de rodas vazias.

    Do lado americano, o Centcom informou que três militares do país morreram e cinco tiveram ferimentos graves durante os ataques ao Irã. “Vários outros” se feriram sem gravidade e devem retornar ao conflito.

    Segundo o serviço nacional de emergência médica e desastres de Israel Magen David Adom (MDA), ataques retaliatórios do Irã deixaram nove pessoas mortas e 28 feridas, sendo duas gravemente.

    Publicação das Forças de Defesa de Israel nas redes sociais afirma que mísseis do Irã foram disparados diretamente contra um bairro de Beit Shemesh, matando civis.

    Agência Brasil

  • Brasil manifesta preocupação com escalada do conflito no Oriente Médio

    Brasil manifesta preocupação com escalada do conflito no Oriente Médio

    Governo reafirma que o diálogo e negociação são únicos caminhos viáveis

    Diante da escalada do conflito no Oriente Médio, o governo brasileiro manifestou, em comunicado divulgado na noite de sábado (28), “profunda preocupação”. O Brasil reafirmou que o diálogo e a negociação diplomática “constituem o único caminho viável para a superação das divergências e a construção de uma solução duradoura” e reforçou o papel das Nações Unidas na prevenção e na resolução de conflitos.

    O Brasil também fez um apelo à interrupção de ações militares ofensivas e instou todas as partes a respeitar o direito internacional.

    O país “condena quaisquer medidas que violem a soberania de terceiros Estados ou que possam ampliar o conflito, tais como ações retaliatórias e ataques contra áreas civis”, diz a nota.

    O governo se solidarizou com a Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia, atacados pelo Irã em 28 de fevereiro.

    “Ao lamentar a perda de vidas civis, o Brasil expressa ainda solidariedade às famílias das vítimas. Enfatiza, a propósito, a obrigação dos Estados de assegurar a proteção de civis, em conformidade com o direito internacional humanitário”.

    Leia o comunicado na íntegra:

    “O governo brasileiro manifesta profunda preocupação com a escalada de hostilidades na região do Golfo, que representa grave ameaça à paz e à segurança internacionais, com potenciais impactos humanitários e econômicos de amplo alcance.

    Ao fazer apelo à interrupção de ações militares ofensivas, o Brasil insta todas as partes a respeitar o direito internacional e condena quaisquer medidas que violem a soberania de terceiros Estados ou que possam ampliar o conflito, tais como ações retaliatórias e ataques contra áreas civis. Recordando que a legítima defesa, prevista no artigo 51 da Carta das Nações Unidas, é medida excepcional e sujeita à proporcionalidade e ao nexo causal com o ataque armado, o Brasil se solidariza com a Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia – objetos de ataques retaliatórios do Irã em 28 de fevereiro.

    Ao lamentar a perda de vidas civis, o Brasil expressa ainda solidariedade às famílias das vítimas. Enfatiza, a propósito, a obrigação dos Estados de assegurar a proteção de civis, em conformidade com o direito internacional humanitário.

    O Brasil reafirma que o diálogo e a negociação diplomática constituem o único caminho viável para a superação das divergências e a construção de uma solução duradoura, cabendo às Nações Unidas papel central na prevenção e na resolução de conflitos, nos termos da Carta de São Francisco.

  • Zona de conflito: Ataques ao Irã deixam ao menos 201 mortos e cerca de 750 feridos

    Zona de conflito: Ataques ao Irã deixam ao menos 201 mortos e cerca de 750 feridos

    Ofensiva atingiu 24 das 31 províncias iranianas

    A ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, desencadeada neste sábado (28), deixou ao menos 201 pessoas mortas e 747 feridas.

    A informação é atribuída a um porta-voz da Sociedade Crescente Vermelho, organização civil humanitária, e foi reportada por agências de notícias, como a árabe Al Jazeera.

    Ainda segundo a Crescente Vermelho, 24 das 31 províncias iranianas foram alvo de ataques. Províncias são organizações territoriais administrativas, equivalentes aos estados aqui no Brasil.

    De acordo com a Agência de Notícias da República Islâmica (Irna, na sigla em inglês), um dos ataques foi em uma escola de meninas, em Minab, sul do Irã, deixando ao menos 85 alunos mortos e 60 feridos. Cerca de 50 pessoas ainda estavam sob escombros.

    Ofensiva e reações
    Os ataques dos Estados Unidos e de Israel aconteceram dois dias depois de uma rodada de negociações entre os americanos e os iranianos a respeito dos limites do programa nuclear do Irã. O país alega que a tecnologia nuclear tem fins pacíficos. No entanto, os Estados Unidos e alguns aliados, especialmente Israel, não aceitam o desenvolvimento nuclear iraniano.

    Diversos países, entre eles o Brasil, condenaram a ofensiva deste sábado. A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu um cessar-fogo na região.

    Ao justificar os ataques, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse defender os americanos.

    Em retaliação, o Irã atacou países vizinhos que abrigam bases militares americanas. De acordo com o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Hamid Ghanbari, o país tem o direito de se defender.

  • Brasil condena ataques dos EUA e Israel ao Irã

    Brasil condena ataques dos EUA e Israel ao Irã

    Itamaraty diz que negociação é o único caminho viável para a paz
    O governo do Brasil condenou os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, neste sábado (28). Em nota, o Ministério das Relações Exteriores expressou grave preocupação com a situação e lembrou que os bombardeios ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes.

    Para o Itamaraty, a negociação é o único caminho viável para a paz, “posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”.

    “O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, diz a nota.

    O embaixador do Brasil em Teerã, André Veras Guimarães, está em contato direto com a comunidade brasileira, para transmitir atualizações sobre a situação e orientações de segurança. As demais embaixadas brasileiras na região também acompanham os desdobramentos das ações militares, “com particular atenção às necessidades das comunidades brasileiras nos países afetados”.

    “Recomenda-se aos brasileiros que estejam atentos às orientações de segurança das autoridades locais nos países onde morem ou se encontrem”, alertou o Itamaraty.

    Israel lançou um ataque contra o Irã no início da manhã deste sábado (28), declarando estado de emergência “especial e imediato” em todo o país, de acordo com informações da agência de notícias Reuters.

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também confirmou “grandes operações de combate” no Irã com o objetivo de defender o povo americano, “eliminando ameaças iminentes do regime iraniano”.

    Na quinta-feira (26), Irã e Estados Unidos haviam retomado as negociações com o objetivo de encontrar uma solução diplomática para a longa disputa sobre o programa nuclear iraniano. Estados Unidos, Israel e outros países ocidentais afirmam que o programa visa a construção de armas nucleares. O Irã nega a acusação.
    Agência Brasil

  • Israel e EUA atacam Irã

    Israel e EUA atacam Irã

    Também neste sábado, explosões foram ouvidas em Israel

    Israel lançou um ataque contra o Irã no início da manhã deste sábado (28), declarando estado de emergência “especial e imediato” em todo o país, de acordo com informações da Agência Reuters. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também confirmou “grandes operações de combate” no Irã com o objetivo de defender o povo americano, “eliminando ameaças iminentes do regime iraniano”.

    Israel afirmou ter lançado um ataque preventivo contra o Irã, levando o Oriente Médio a um novo confronto militar e diminuindo ainda mais as esperanças de uma solução diplomática para a longa disputa nuclear entre Teerã e o Ocidente.

    Também neste sábado, explosões foram ouvidas na região de Haifa, no norte de Israel, no sábado, após lançamentos de mísseis do Irã, conforme o portal de notícias israelense Ynet. Ainda de acordo com a Reuters, mais cedo, sirenes de alerta aéreo soaram em diversas áreas de Israel depois que mísseis foram identificados como lançados do Irã em direção ao país, disse o exército israelense.

    Agência Brasil

  • Cubanos relatam cotidiano em Havana: “Pior momento que já vivemos”

    Cubanos relatam cotidiano em Havana: “Pior momento que já vivemos”

    Ilha vive crise energética agravada por bloqueio dos EUA

    Cubanos que vivem em Havana relatam que o país vive o “pior momento” com as dificuldades enfrentadas pela população após o endurecimento do bloqueio energético imposto pelo Estados Unidos (EUA) a partir do final de janeiro deste ano.

    O aumento dos apagões, a elevação dos preços de produtos básicos, a redução do transporte público e da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado são alguns dos problemas que pioraram nas últimas semanas.

    A arquiteta Ivón B. Rivas Martinez, de 40 anos, mãe solo de um filho de 9 anos, afirmou à Agência Brasil que os apagões em Havana, antes programados, se tornaram imprevisíveis e com maior duração.

    26/02/2026 – Personagens Cubanos – Arquiteta cubana Ivón Rivas Martinez, de 40 anos, mãe do Robin, de 9 anos. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
    Mãe de Robin, de 9 anos, arquiteta Ivón Rivas diz que apagões em Havana passaram a ser imprevisíveis e com maior duração – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação
    “Antes, havia cerca de quatro horas sem energia por dia na capital, depois aumentou para cinco horas. Com o agravamento da crise, esse tipo de planejamento não é mais possível. Ninguém sabe quantas horas podem ser. Hoje houve 12 horas de apagão”, diz a cubana.

    No final de janeiro, o governo Donald Trump ameaçou com tarifas os países que vendessem petróleo para a nação caribenha e classificou Cuba como “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos EUA, citando, como justificativa, o alinhamento político de Havana com Rússia, China e Irã.

    A crise energética de Cuba é ainda mais grave nas províncias do interior da ilha de quase 11 milhões de habitantes, onde os apagões podem durar quase o dia todo.

    “Minha tia do interior precisava sair cedo todos os dias para comprar o que ia consumir, porque, se comprasse mais do que isso, estragaria. No interior do país, quase o dia inteiro ficava sem eletricidade”, acrescenta Ivón Rivas.

    O economista cubano aposentado Feliz Jorge Thompson Brown, de 71 anos, tio de Ivón, tinha 6 anos quando triunfou a Revolução de 1959, pondo fim ao governo militar de Fulgencio Batista, apoiado pelos EUA.

    26/02/2026 – Personagens Cubanos – O economista cubano aposentado Feliz Jorge Thompson Brown, de 71 anos. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
    Economista aposentado, Feliz Jorge Brown avalia que o momento atual é o maís difícil que Cuba já enfrentou – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação
    Feliz Jorge avalia que o atual momento é o período mais difícil de Cuba, até mesmo que a década de 1990, chamada de “período especial”, quando a queda do bloco socialista liderado pela União Soviética privou Cuba dos principais parceiros comerciais.

    “Este é o momento mais difícil que o país já enfrentou. A situação energética é muito grave. É [o momento] mais cruel e severo do que durante o período especial, tanto material, quanto espiritualmente mais desafiador”, diz o também morador de Havana.

    Serviços são prejudicados; preços disparam
    Segundo Ivón Rivas, os apagões afetam todos os serviços de Havana, tanto de água, porque as bombas param de funcionar, quanto de telefonia e internet.

    “Quando você tenta sacar dinheiro no banco, se não há eletricidade, os caixas eletrônicos não funcionam. Se você precisa realizar algum tipo de procedimento legal e o cartório não tem energia, eles não conseguem trabalhar. É muito difícil”, completa.

    Após o endurecimento do embargo energético dos EUA, a arquiteta observou um aumento mais intenso dos preços de itens básicos de consumo.

    “Nessas últimas semanas, a diferença é que os preços aumentaram em um ritmo muito mais acelerado do que antes. Arroz, o óleo, a carne de frango, que são alimentos básicos para os cubanos, ficaram muito mais caros”, acrescenta a moradora de Havana.

    Com cerca de 80% da energia do país gerada por termelétricas, alimentadas por combustíveis, a nova medida do governo Trump reduziu a possibilidade de compra de petróleo no mercado global, o que era agravado pelo bloqueio naval dos EUA à Venezuela a partir do final de 2025.

    Situação mais difícil que no “período especial”
    O cubano Feliz Jorge Brown avalia que, diferentemente da crise atual, havia na década de 1990 uma juventude que conhecia os avanços sociais da Cuba revolucionária, o que facilitava enfrentar as dificuldades daquela época.

    “No período especial, as pessoas compreendiam toda a situação e sua magnitude. Hoje, há alguma incerteza porque muitos não vivenciaram plenamente os primeiros anos da Revolução”, comenta o economista, que, recentemente, voltou a trabalhar em uma consultoria contábil.

    Além disso, ele argumenta que o Estado tem perdido capacidade, em comparação com a década de 1990, de fornecer a cesta básica de alimentos subsidiada.

    “A situação se torna complexa porque o Estado carece dos meios necessários para fornecer integralmente a cesta básica que foi sistematicamente distribuída a toda a população ao longo de todos os anos da Revolução”, completa o economista.

    26/02/2026 – Personagens Cubanos – Feliz Jorge ainda jovem, quando era um atleta da corrida de 1,5 mil e 5 mil metros. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
    Feliz Jorge ainda jovem, quando era atleta da corrida e chegou a representar Cuba em competições internacionais – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação
    A família Thompson, formada por oito irmãos, descende de um casal de imigrantes jamaicanos. Segundo Feliz, toda a família se beneficiou da saúde e da educação gratuitas de Cuba.

    “Tive a sorte de me beneficiar de todas as conquistas dos primeiros anos da Revolução e posteriores. Todos em nossa família nos demos bem, a maioria de profissionais com bons trabalhos: professores, engenheiros, médicos e assim por diante”, conta.

    Por muitos anos, Feliz Jorge praticou atletismo, chegando a representar o país em competições internacionais. O sucesso cubano em olimpíadas é apontado como parte do investimento do Estado no esporte.

    Trump endurece bloqueio a Cuba
    O aperto do cerco econômico a Cuba é mais uma tentativa dos EUA de derrubar o governo liderado pelo Partido Comunista, que desafia a hegemonia política de Washington na América Latina há mais de seis décadas.

    Para o governo cubano, a nova medida é uma política “genocida” que busca privar o povo cubano dos seus meios de subsistência. O bloqueio econômico contra a ilha já dura 66 anos.

    Para a cubana Ivón Rivas, o discurso do governo dos EUA contradiz o resultado da política de bloqueio.

    “Seu discurso é que quer ajudar o povo de Cuba, que quer favorecer o povo de Cuba, e no final é o povo que está sendo estrangulado, é o povo cubano que está sufocando com toda essa política”, critica.

    Pandemia de covid-19
    Segundo avaliam os cubanos entrevistados, a situação econômica de Cuba começou a piorar com a pandemia. Na época, o turismo, principal atividade econômica do país, foi afetado pela política de isolamento para combater a covid-19 em todo o mundo.

    A arquiteta Ivón Rivas diz que a situação está mais difícil desde a pandemia, mas piorou nas últimas semanas. “Eu diria este é o período mais difícil que já enfrentamos em termos de escassez de combustível e energia porque muitos problemas convergiram ao mesmo tempo”, diz.

    Além da covid-19, a ilha viveu o endurecimento do embargo econômico do primeiro governo de Donald Trump (2017-2021), com centenas de novas sanções, medidas que foram mantidas no governo de Joe Biden (2021-2025).

    No novo governo Trump, foram acrescentadas medidas para limitar a exportação de serviços médicos por Cuba, uma das principais fontes de recursos do país no exterior.

    26/02/2026 – Foto da cidade de Havana em Cuba. Foto: afroangelll/Pixabay
    Vista geral de Havana – Foto: afroangelll/Pixabay
    Transporte
    Uma das principais consequências do endurecimento do embargo, segundo percebido por Ivón e Feliz, foi a diminuição na oferta de transporte público e o encarecimento do transporte privado, o que tem reduzido a mobilidade em Havana.

    Enquanto o transporte privado encareceu a ponto de se tornar inviável para muitos cubanos, o transporte público está com linhas reduzidas.

    “O transporte público já sofria com falta de peças de reposição, agora, devido à escassez de combustível, está ainda mais reduzido. As linhas regulares da cidade oferecem apenas uma viagem pela manhã e outra à tarde. E algumas linhas nem sequer garantiam isso”, reclama Ivón.

    Além disso, a arquiteta aponta que os veículos elétricos introduzidos recentemente pelo governo também têm alcance limitado. “Estes têm se mantido mais ou menos estáveis, mas também têm diminuído porque ainda há necessidade recarregá-los.”

    O economista Feliz Jorge avalia que a oferta de transporte deve ter caído pela metade. Devido ao novo trabalho, ele tem viajado entre províncias do país.

    “Antes, os trens circulavam a cada quatro dias; agora, circulam a cada oito dias. No caso dos ônibus nacionais, as pessoas enfrentam muitas dificuldades com apenas duas viagens semanais diretas para as capitais provinciais”, comenta ele.

    Saúde e medicamentos
    A crise energética também tem agravado o acesso aos medicamentos e à saúde pública, na avaliação dos cubanos entrevistados. Ivón Rivas lembra que os médicos são pessoas comuns do povo e, por isso, têm dificuldade de se locomover.

    “Como resultado, muitas consultas foram canceladas e o atendimento de emergência passou a ser priorizado”, disse a arquiteta. Ela acrescenta que a falta de medicamentos afeta toda a sociedade, não apenas os que precisam dos remédios.

    “Muitas pessoas dependem de medicamentos para a saúde mental e, enquanto os tomam, mantêm-se controladas e estáveis. Mas, se interromperem o tratamento, ocorrem acidentes que afetam toda comunidade”, exemplifica.

    O economista e ex-atleta Feliz Jorge pondera que o Estado não teria mais recursos para bancar todos os remédios gratuitamente, como chegou a fazer em épocas mais prósperas.

    “Apesar disso, as pessoas continuam indo aos hospitais para consultas, para ver o médico e procuram dar um jeito de conseguir o medicamento, seja no mercado paralelo ou por meio de familiares que trazem para elas”, disse.

    Educação e cultura
    Os cubanos entrevistados avaliam que a educação vem conseguindo ser mantida, apesar da escassez de combustíveis. Segundo Ivón Rivas, as crianças menores costumam estudar sempre perto de casa.

    “Não é muito difícil para as crianças do ensino fundamental chegarem à escola. Os alunos do ensino médio também costumam ter escolas bem próximas e podem até ir a pé”, comenta.

    26/02/2026 – Personagens Cubanos – Robin, 9 anos, na escola de música que ele frequente, em Havana, patrocinada pelo Estado. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
    Robin, de 9 anos, na escola de música que frequenta em Havana – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação
    O acesso à cultura também tem sido possível. O filho de Ivón, Robin, de 9 anos, segue matriculado em uma aula de música gratuita próxima da sua residência, o que tem possibilitado a diversão e a interação social do menino.

    “É uma boa opção porque não custa nada, é gratuito e do Estado. Existem muitos lugares com centros culturais que continuam funcionando e oferecem essa oportunidade”, destaca.

    “Mudança de regime”
    Para a arquiteta moradora de Havana Ivón Rivas, a política dos EUA não deve conseguir atingir seu objetivo, que é a da mudança de regime político na ilha.

    “O cubano acorda e só pensa em garantir comida para sua família. Os jovens que estão insatisfeitos têm outras aspirações. O que eles querem é emigrar. Não vejo nenhuma campanha ou ninguém nas ruas protestando”, diz.

    Para o economista Feliz Thompson, Cuba incomoda os EUA porque conseguiu superar índices sociais dos seus vizinhos caribenhos seguindo modelo político e econômico alternativo ao determinado por Washington para a América Latina.

    “Está comprovado que o bloqueio e a política de bloqueio contra Cuba são verdadeiramente desumanos e cruéis e que restringem e maltratam o povo cubano. Cuba não está sozinha e continuará avançando”, finaliza.
    Agência Brasil

  • Lula diz que vale “qualquer sacrifício” para prender magnatas do crime

    Lula diz que vale “qualquer sacrifício” para prender magnatas do crime

    Comitiva presidencial embarca de volta para Brasília nesta terça-feira
    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (24), que o Brasil fará “qualquer sacrifício” para prender os “magnatas da corrupção e do narcotráfico”. O combate ao crime organizados será um dos temas da reunião de Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que deve ocorrer no mês que vem, em Washington.

    “O desejo nosso é colocar os magnatas da corrupção e do narcotráfico na cadeia, e para isso nós faremos qualquer sacrifício”, disse Lula em entrevista à imprensa em Seul, capital da Coreia do Sul, onde o presidente foi recebido para uma visita de Estado.

    “Quando eu for aos Estados Unidos, eu vou levar junto comigo a Polícia Federal, a Receita Federal, o Ministério da Fazenda, o Ministério da Justiça e vou mostrar para ele [Trump] que se ele quiser, de verdade, combater o crime organizado, o narcotráfico, o tráfico de armas, o Brasil será parceiro de primeira hora, porque nós temos expertise nisso com a nossa Polícia Federal”, acrescentou.

    A pauta completa da reunião está sendo elaborada e, de acordo com o presidente, inclui temas de interesse do Brasil, do multilateralismo e da democracia. “E ele [Trump] também tem a pauta dele para mim”, destacou.

    Lula desembarcou na Ásia no último dia 18 e cumpriu agendas na Índia e na Coreia do Sul.

    Hoje, Lula ressaltou as negociações para um acordo comercial entre Coreia e o Mercosul serão retomadas. Elas estão paradas desde 2021.

    “Eu lembrei a ele [Lee Jae-Myung, presidente da Coreia do Sul] que era muito importante, neste instante em que se discute a volta do unilateralismo, voltarmos a discutir esse acordo. Ele se mostrou muito interessado. Vamos montar as comissões para começar a debater e, se tudo der certo, podemos concluir esses acordos este ano”, resumiu.

    A ampliação do acordo de comércio preferencial Mercosul-Índia também é prioridade para o Brasil, com vista ao livre comércio.

    De Seul, Lula seguiu hoje para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, onde tem uma reunião de trabalho com o presidente do país, Mohammed bin Zayed Al Nahyan. O presidente foi questionado sobre a tensão no Oriente Médio diante da troca de ameaças entre os Estados Unidos e o Irã, mas afirmou que a reunião com Al Nahyan será sobre temas de interesse do Brasil.

    “Eu não vou discutir a guerra do Irã, eu não sou representante da ONU, não sou do Conselho de Segurança como membro permanente da ONU. Eu vou discutir a relação comercial e política entre Brasil e os Emirados Árabes. Eu acho que nós não estamos precisando de guerra, estamos precisando de paz, estamos precisando de investimento, desenvolvimento que é isso que vai fazer melhorar a vida do povo”, disse.

    Ainda nesta terça-feira, a comitiva presidencial embarca de volta para Brasília.
    Agência Brasil

  • Lula destaca inovação como prioridade do Brasil na Coreia

    Lula destaca inovação como prioridade do Brasil na Coreia

    Presidente citou cooperação vantajosas nas áreas aeroespacial e saúde
    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (23), que a colaboração com empresas sul-coreanas em setores “intensivos em conhecimento” é uma prioridade para o Brasil. Ele está em viagem a Seul, capital da Coreia do Sul, e participou do encerramento de um fórum empresarial que reuniu 230 empresas dos dois países.

    Em discurso Lula falou, por exemplo, sobre a possibilidade de parcerias na exploração de minerais críticos.

    “A Coreia é o segundo maior produtor mundial de semicondutores e detém parcela significativa do mercado de baterias. O Brasil possui minerais críticos que são insumos essenciais para as cadeias de produção de eletrônicos e veículos elétricos e é um parceiro confiável em um cenário em que a arbitrariedade está se tornando a regra”, disse.

    “O papel de meros exportadores de matérias-primas não condiz com nosso potencial. Buscamos parcerias que nos permitam agregar valor e produzir tecnologia de ponta em solo brasileiro”, destacou o presidente.

    Ainda, Lula citou oportunidades de cooperação “mutuamente vantajosas” nas áreas aeroespacial, de saúde, de cosméticos e cultural. Ele lembrou as operações da start-up coreana Innospace no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, e afirmou que o diálogo entre as agências espaciais é “crucial” para aprofundar essa colaboração, inclusive no compartilhamento de dados de satélites e em projetos de exploração lunar.

    Sobre as ações em saúde, o presidente brasileiro falou sobre a expectativa de fabricação conjunta de novas vacinas, fármacos e insumos médicos, à medida que a Coreia do Sul amplia sua pesquisa e desenvolvimento na área e que o Brasil avança na construção do laboratório de biossegurança Órion, o único do mundo conectado a um acelerador de partículas, o Sirius.

    “Isso nos permitirá buscar soluções para doenças, desenvolver métodos de diagnóstico e prevenir epidemias. Instituições públicas de saúde, como a Fiocruz e outras fundações estaduais brasileiras, estão fortalecendo sua cooperação com a Coreia”, afirmou.

    Na área de cosméticos, Lula lembrou que, em 2025, o setor de beleza brasileiro superou pela primeira vez a marca de US$ 1 bilhão em exportações, ao mesmo tempo em que a indústria de cosméticos da Coreia já rivaliza com a da França no mercado global.

    “O Brasil tem a maior biodiversidade do mundo. Unindo o potencial brasileiro à tecnologia coreana, podemos multiplicar nosso alcance nesse setor”, argumentou.

    Por fim, o brasileiro falou sobre as iniciativas culturais e as possibilidades de parcerias entre os dois países. “Na Coreia, a economia criativa supera as exportações de setores tradicionais como eletrodomésticos. No Brasil, o setor já responde por mais de 3% do PIB – acima da indústria automobilística – e apresenta média de geração de empregos superior à nacional”, contou.

    “Do funk brasileiro ao K-Pop, de Parasita a Agente Secreto, das telenovelas aos K-Dramas, nossa música e nossa produção audiovisual estão conquistando os quatro cantos do mundo”, disse.

    Comércio e integração
    A corrente de comércio entre o Brasil e a Coreia é cerca de US$ 11 bilhões, aquém do recorde de quase US$ 15 bilhões registrado em 2011.

    “Significa que nós já fomos melhores em negócios”, disse Lula aos empresários, ao destacar que a Agência Brasileira de Promoção de Exportações (ApexBrasil) identificou 280 oportunidades para produtos brasileiros na Coreia, de alimentos e bebidas a produtos químicos.

    Mais cedo, Lula foi recebido pelo presidente do país, Lee Jae-myung, em visita de Estado, ocasião em que os dois países firmaram 10 atos de cooperação. O principal dele, segundo o presidente, é um acordo de cooperação comercial e integração produtiva, com foco no fortalecimento da cooperação industrial, tecnológica e agrícola.

    “O acordo também fortalecerá cadeias de suprimentos resilientes e seguras e inova em minerais estratégicos, indústrias sustentáveis, e audiovisual. Nossos ministérios passarão a se reunir regularmente para discutir como fortalecer relações econômicas”, explicou.

    O presidente falou sobre os indicadores socioeconômicos do país e as “condições vantajosas” para investimentos. Ele ainda citou as políticas públicas implementadas em sua gestão que incentivam a vinda de empresas estrangeiras: o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), o Programa Nova Indústria Brasil (NIB), o Programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER) e o Plano de Transformação Ecológica.

    Ainda, Lula lembrou que o Brasil vem trabalhado há 15 anos para obter acesso ao mercado de carne bovina coreano e afirmou que, para isso, as empresas e instituições brasileiras estão prontas para avançar nos procedimentos sanitários necessários.

    O brasileiro aproveitou para “fazer propaganda do agronegócio brasileiro” e disse que o papel do líder político do país é “abrir a porteira” para que os empresários façam negócios. “Quando o povo da Coreia quiser ter acesso à proteína, não se preocupe que o Brasil estará pronto para atender à demanda da Coreia”, afirmou.

    Desenvolvimento do trabalho
    Lula ainda reafirmou sua defesa ao multilateralismo e criticou as guerras comerciais no mundo. “A melhor resposta à tentativa de usar o comércio como arma é mostrar que é possível alcançar entendimentos mutuamente benéficos por meio do diálogo e da negociação”, disse.

    Para o brasileiro, o protecionismo dificulta o crescimento econômico e social.

    “O que nós estamos precisando é fazer com que as economias cresçam, gerar oportunidade de trabalho para poder melhorar a qualidade de vida das pessoas que nós representamos […]. É preciso que a gente tenha noção de que somente o desenvolvimento do trabalho pode permitir que a gente resolva o problema da fome”, afirmou.

    O presidente Lula apontou ainda as semelhanças e os contrastes que os dois países desenvolveram o comércio e como o Brasil pode aprender com a experiência sul-coreana.

    Segundo ele, nos anos 1960, o PIB per capita coreano equivalia a menos da metade do brasileiro e, hoje, é três vezes maior que o brasileiro. Enquanto, até a década de 1980, a produção industrial do Brasil era maior do que a da Coreia, hoje, a Coreia é um dos principais polos tecnológicos do mundo.

    “Nos anos 1990, enquanto o Brasil se rendeu ao receituário neoliberal, a Coreia continuou apostando no papel indutor do Estado em setores estratégicos. Nenhum país que chegou atrasado à corrida industrial conseguiu subir a escada do desenvolvimento sem políticas públicas robustas”, lembrou Lula.

    “A experiência coreana prova que elevar a escolaridade da população é um investimento valioso. Demonstra, além disso, que um crescimento sustentado depende de uma economia variada e sofisticada, capaz de absorver mão de obra muito qualificada”, completou o presidente.
    Agência Brasil

  • Zuckerberg nega desenvolver redes sociais para viciar jovens em telas

    Zuckerberg nega desenvolver redes sociais para viciar jovens em telas

    Ele falou durante julgamento histórico que acusa Meta e Google
    O presidente-executivo da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, afirmou repetidamente nesta quarta-feira (18), durante um julgamento histórico sobre o vício em redes sociais entre jovens, que a Meta – que controla o Facebook e o Instagram – não permite que crianças menores de 13 anos usem suas plataformas. Ele foi, no entanto, confrontado com evidências que sugerem que esse é um público importante para a Meta.

    Mark Lanier, advogado da mulher que processa o Instagram e o YouTube, do Google, por danos à sua saúde mental quando criança, pressionou Zuckerberg sobre declarações feitas ao Congresso dos EUA, em 2024, quando disse que usuários menores de 13 anos não são permitidos na plataforma. Lanier confrontou Zuckerberg com documentos internos da Meta.

    O caso
    O julgamento em questão envolve uma mulher da Califórnia que começou a usar o Instagram e o YouTube ainda criança. Ela alega que as empresas buscaram lucrar ao viciar crianças em seus serviços, mesmo sabendo que as redes sociais poderiam prejudicar a saúde mental. Ela afirma que os aplicativos alimentaram sua depressão e pensamentos suicidas e busca responsabilizar as empresas.

    A Meta e o Google negaram as alegações e destacaram o trabalho que vêm realizando para adicionar recursos que mantêm os usuários seguros.

    “Se quisermos ter grande sucesso com os adolescentes, precisamos conquistá-los na pré-adolescência”, dizia uma apresentação interna do Instagram de 2018.

    “E, no entanto, você diz que jamais faria isso”, disse Lanier a Zuckerberg. O bilionário fundador do Facebook respondeu que Lanier estava “distorcendo” o que ele havia dito.

    O CEO afirmou que a Meta “teve diferentes conversas ao longo do tempo para tentar construir diferentes versões de serviços que as crianças pudessem usar com segurança”.

    Ele disse, por exemplo, que a Meta discutiu a criação de uma versão do Instagram para crianças menores de 13 anos, mas acabou não a concretizando.

    As concorrentes da Meta, Snap e TikTok, chegaram a um acordo com a autora da ação antes do início do julgamento na semana passada.

    Reação global
    A Meta enfrenta possíveis indenizações no julgamento com júri em Los Angeles, parte de uma onda de processos contra empresas de mídia social nos EUA, onde os casos estão começando a ir a julgamento em meio a uma reação global mais ampla sobre o efeito das redes sociais em usuários jovens.

    Outra documento apresentado no processo é um e-mail do ex-vice-presidente de assuntos globais da Meta Nick Clegg que disse a Zuckerberg e outros executivos de alto escalão: “temos limites de idade que não são aplicados (ou são inexequíveis?)” e observou que as diferentes políticas do Instagram em comparação com o Facebook tornam “difícil afirmar que estamos fazendo tudo o que podemos”.

    Zuckerberg respondeu dizendo que é difícil para os desenvolvedores de aplicativos verificarem a idade dos usuários e que a responsabilidade deveria ser dos fabricantes de dispositivos móveis.

    Ele testemunhou que os adolescentes no Instagram representam menos de 1% da receita.

    Tempo de tela
    Zuckerberg também foi questionado sobre declarações que fez ao Congresso dos EUA em 2021, quando afirmou não ter orientado as equipes do Instagram que buscassem maximizar o tempo do usuário gasto no aplicativo.

    Lanier mostrou aos jurados e-mails de 2014 e 2015 nos quais Zuckerberg estabelecia metas para aumentar o tempo gasto no aplicativo em dois dígitos percentuais.

    Zuckerberg respondeu que, embora a companhia tivesse, anteriormente, estabelecido metas relacionadas ao tempo que os usuários gastam no aplicativo, essa abordagem havia mudado, desde então.

    “Se você está tentando dizer que meu depoimento não foi preciso, discordo veementemente”, disse o CEO.

    Os jurados tiveram acesso a um documento de 2022 que listava “marcos” para o Instagram nos próximos anos, incluindo o aumento gradual do tempo que os usuários passam no aplicativo diariamente, de 40 minutos em 2023 para 46 minutos em 2026.

    Zuckerberg afirmou que esses números não eram “metas”, mas sim uma “constatação” para a diretoria administrativa sobre o desempenho da empresa.

    Em resposta às perguntas do advogado da Meta, Paul Schmidt, Zuckerberg afirmou que a companhia estabelece essas metas para proporcionar uma boa experiência aos usuários.

    “Se fizermos isso bem, as pessoas acharão os serviços mais valiosos e um efeito colateral será que elas usarão os serviços com mais frequência”, disse ele.

    Julgamento histórico
    Essa foi a primeira vez que o bilionário fundador do Facebook testemunhou em um tribunal sobre o impacto do Instagram na saúde mental de jovens usuários.

    O advogado Matthew Bergman representa outros pais que alegam que as redes sociais causaram a morte de seus filhos. Do lado de fora do tribunal, ele disse a repórteres que os pais – vários dos quais têm acompanhado o julgamento, esperam que o custo do processo force mudanças no setor.

    “Sabemos que, simplesmente por termos alcançado esse marco, a Justiça foi feita”, disse ele sobre o depoimento de Zuckerberg e o julgamento.

    O processo serve como um caso de teste para reivindicações semelhantes de um grupo maior de casos contra a Meta, o Google, da Alphabet, o Snap e o TikTok.

    Famílias, distritos escolares e Estados entraram com milhares de ações judiciais nos EUA acusando as empresas de alimentar uma crise de saúde mental entre os jovens.

    Um veredicto desfavorável poderia minar a longa defesa jurídica dessas grandes empresas de tecnologia contra alegações de danos à saúde dos usuários.

    Por muitos anos, a legislação norte-americana protegeu as bigtechs de responsabilidade por decisões relativas ao conteúdo. Os processos em andamento, no entanto, se concentram na forma como as empresas projetaram e operaram as plataformas.

    Ao longo dos anos, reportagens investigativas revelaram documentos internos da Meta que mostravam que a empresa tinha conhecimento dos potenciais danos à saúde mental.

    Pesquisadores da Meta descobriram que alguns adolescentes relataram que o Instagram os fazia sentir-se mal com seus corpos regularmente, e que essas pessoas viam significativamente mais conteúdo relacionado a transtornos alimentares do que aquelas que não viam, conforme relatado pela Reuters em outubro.

    Adam Mosseri, chefe do Instagram, testemunhou na semana passada que desconhecia um estudo recente da Meta que não encontrou ligação entre a supervisão dos pais e a atenção dos adolescentes ao seu próprio uso das redes sociais.

    Adolescentes com circunstâncias de vida difíceis relataram com mais frequência usar o Instagram de forma habitual ou não intencional, de acordo com o documento apresentado no julgamento.

    O advogado da Meta disse aos jurados que os registros de saúde da mulher autora da ação em julgamento mostram que seus problemas têm origem em uma infância conturbada e que as redes sociais eram uma forma de expressão criativa para ela.

    O processo judicial nos EUA faz parte de um ajuste de contas mais amplo para as empresas de tecnologia.

    A Austrália proibiu o acesso a plataformas de mídia social para usuários menores de 16 anos. Outros países estão considerando restrições semelhantes.

    Nos EUA, a Flórida proibiu que empresas permitam o acesso de usuários menores de 14 anos. Associações comerciais do setor de tecnologia estão contestando a lei na justiça.

    Agência Brasil