Ansiedade e depressão elevam tensão na laringe e comprometem comunicação, segundo avaliação da otorrinolaringologista Érica Campos
A relação entre saúde emocional e desempenho vocal ganhou novo destaque após estudo publicado na Revista Distúrbios da Comunicação, da PUC-SP, confirmar que quadros de ansiedade e depressão podem alterar diretamente a percepção e a qualidade da voz, sobretudo em pacientes submetidos a cirurgias ou que já apresentam desgaste vocal. A pesquisa avaliou indivíduos no período pré e pós-operatório de tireoidectomia e identificou que sintomas como fadiga, instabilidade e insegurança ao falar em público aumentavam conforme crescia o nível de estresse.
Para a otorrinolaringologista e especialista em laringologia Érica Campos, mestre em Neurolaringologia pela Unicamp, os achados reforçam um fenômeno frequentemente observado na clínica.
“Pacientes ansiosos costumam relatar rouquidão, dificuldade para projetar a voz, sensação de garganta seca ou a impressão de ter um nó na garganta. As emoções ativam a musculatura da região cervical e da laringe, gerando tensão que pode comprometer não apenas a voz, mas também a respiração e a deglutição”, explica.
O estudo também mostrou que o impacto emocional não se limita ao período de recuperação cirúrgica, muitos participantes relataram piora dos sintomas vocais quando expostos a situações de estresse cotidiano. Para Érica, identificar esses sinais precocemente é essencial para evitar queixas persistentes. “A voz é profundamente influenciada pelo estado emocional. Quando há tensão constante, o corpo responde com ajustes musculares que, com o tempo, podem prejudicar a comunicação e o bem-estar do paciente”, afirma.
A médica pontua que a abordagem multidisciplinar, combinando avaliação otorrinolaringológica, acompanhamento psicológico e fonoterapia, tende a trazer os melhores resultados, principalmente para quem enfrenta ansiedade de forma recorrente. “Cuidar da voz é também cuidar da saúde emocional. Quando tratamos os dois lados, os pacientes conseguem recuperar estabilidade, conforto e segurança ao falar”, completa.
Sobre Érica Campos
Referência em transição da voz, Érica Campos tem Fellowship em Laringologia e Otorrino Pediatria Avançada (UNICAMP), é Mestre em Neurolaringologia (UNICAMP) e tem formação complementar no Mount Sinai Hospital, em New York/USA, e no Massachusetts General Hospital & Harvard Medical School, em Massachusetts/USA. É Membro Titular da ABORL-CCF (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial) e Full Member da IATVS (International Association of TransVoice Surgeons). Também atua como preceptora no Serviço de Laringologia do Hospital Universitário Prof. Edgard Santos (UFBA) e Hospital Otorrinos.
Mais informações: https://www.instagram.com/dra.ericacampos/