Levantamento aponta que 74% dos trabalhadores têm dois ou mais consignados ativos; educador financeiro orienta como evitar o efeito “bola de neve”.
O acesso facilitado ao crédito, que muitas vezes surge como solução imediata para apertos financeiros, pode se transformar em um risco para o orçamento de milhares de brasileiros. Um levantamento do Serasa feito neste mês de julho revela que 74% dos trabalhadores possuem dois ou mais empréstimos consignados ativos. Na prática, empréstimos sucessivos podem comprometer o orçamento e dificultar a recuperação financeira.
Segundo Janielson Paim, educador financeiro do Sicoob, antes de contratar um consignado, é importante verificar o Custo Efetivo Total, taxa que mostra o preço real de um empréstimo ou financiamento, incluindo juros, impostos, tarifas e seguros; avaliar se a parcela cabe no orçamento; ler atentamente todas as condições do contrato, incluindo prazo, multas e regras de quitação antecipada; e considerar a estabilidade no emprego, já que mudanças no vínculo empregatício podem afetar a forma de pagamento do empréstimo.
“O crédito pode ser uma ferramenta útil quando utilizado de forma planejada, mas avaliar alternativas antes da contratação ajuda a evitar um aumento do endividamento e a preservar a saúde financeira no longo prazo”, explica o educador financeiro.
O especialista destaca também que o comprometimento da renda é um dos principais pontos a ser avaliado. A recomendação é que o total das parcelas de dívidas não ultrapasse 30% da renda líquida mensal. “Esse limite ajuda a preservar recursos para despesas essenciais, imprevistos e objetivos financeiros. Em casos de renda mais instável, pode ser prudente manter um comprometimento ainda menor.”
Dicas para evitar o endividamento
Alguns sinais indicam que o consumidor pode estar entrando em um ciclo de endividamento e quanto antes identificados, maiores as chances de reorganizar as finanças. “Precisar fazer novos empréstimos para pagar dívidas antigas, atrasar contas básicas e utilizar constantemente o limite do cartão de crédito ou cheque especial são alertas importantes. Quando sobra pouco ou nenhum dinheiro no fim do mês, é essencial rever o orçamento o quanto antes”, explica Janielson.
Para aqueles que já possuem empréstimos ativos, o educador financeiro reúne dicas para evitar o endividamento.
Faça um levantamento completo de todas as dívidas, com valores, juros e vencimentos;
Priorize a quitação das dívidas com juros mais altos;
Negocie condições melhores com os credores, quando possível;
Elimine gastos não essenciais temporariamente para aumentar a capacidade de pagamento;
Evite contratar novos empréstimos para despesas de consumo;
Busque fontes complementares de renda, como trabalhos temporários ou venda de itens que não são mais utilizados;
Antecipe receitas previstas, quando essa opção tiver custo menor do que um empréstimo;
Verifique se há benefícios trabalhistas ou sociais aos quais a pessoa tenha direito;
Buscar orientação financeira caso a reorganização esteja difícil.
Curso gratuito orienta brasileiros a evitar o superendividamento
O Sicoob oferece gratuitamente o curso “Como evitar o superendividamento”, voltado a quem busca reorganizar as finanças e recuperar o equilíbrio do orçamento. A formação funciona como um guia prático, com conteúdo acessível e foco em estratégias aplicáveis no dia a dia. Entre os temas abordados estão os principais tipos de dívidas, a identificação das causas do endividamento, formas de negociação com credores e orientações para evitar o agravamento da situação financeira.
Disponível no Portal de Educação do Sicoob, no endereço https://sicoob.kaptiva.com.br/, que reúne cursos sobre educação financeira para o dia a dia, como sair do superendividamento, cooperativismo, previdência, cidadania financeira e impacto das apostas, tudo pensado para ajudar a organizar a vida financeira e planejar o futuro com mais tranquilidade.
Os participantes têm acesso a conteúdo on-line, totalmente gratuitos e com certificado, além de materiais complementares e atividades que apoiam a aplicação prática dos aprendizados.

