Com estreia marcada para as 19h do dia 8 de agosto, no Teatro Gregório de Mattos, a peça “Nilda: Uma mulher retada” conta a trajetória e a biografia da atriz baiana Nilda Spencer (1923-2008). O espetáculo, que tem texto assinado por Marcos Uzel, direção de Márcio Meirelles e Andrea Elia como intérprete da dama do teatro baiano, é um dos contemplados do Chamadão das Artes Cênicas, da Fundação Gregório de Mattos (FGM).
Os ingressos custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia) e podem ser adquiridos pela plataforma Sympla (https://encurtador.com.br/iOGC) ou no próprio teatro, antes do início do espetáculo, nas modalidades pix e dinheiro. Além da estreia, a peça contará com mais nove apresentações abertas ao público, todas no mês de agosto, nos dias 09, 14, 15, 16, 21, 22, 23, 28 e 29, sempre às 19h. O espetáculo é livre para todos os públicos.
Presidente da Fundação Gregório de Mattos e diretor teatral, Fernando Guerreiro ressalta a trajetória e a importância de Nilda Spencer para o teatro e as artes na Bahia. “Nilda foi uma mulher sempre à frente do seu tempo. Uma atriz excelente e, principalmente, dona de uma linguagem própria, que aliava humor a uma grande revolução do ato de estar no palco. Ela possuía marcas e identidade próprias. Nilda foi uma mulher especial, que merece todas as homenagens. Uma referência quando falamos do teatro baiano e brasileiro”, diz.
Ainda segundo Guerreiro, além de homenagear Nilda Spencer, essa montagem resgata a memória das artes e da cultura na Bahia. “É importante que se entenda que o teatro baiano foi construído por um grupo de pessoas muito talentosas, nas décadas de 1940, 1950 e 1960, que lutaram bastante em uma época de grandes dificuldades, a exemplo de Harildo Deda, Yumara Rodrigues, Carlos Petrovich, entre outros. Essa peça é um patrimônio da memória da cultura da cidade”, aponta o presidente da FGM.
Convidada para viver Nilda Spencer por Márcio Meireles, por quem foi dirigida recentemente nas montagens de “Do outro lado do mar” e “Prostituta respeitosa”, a atriz Andrea Elia considera os trabalhos em parceria com o diretor estimulantes e provocadores. “São trabalhos honrosos, respeitosos e afetuosos. E esse projeto é um presente, tanto de Márcio como de Marcos Uzel, que assina o texto que leva a vida de Nilda aos palcos”, afirma a atriz.
Na peça, o público testemunha o passar do tempo da vida de uma menina até uma senhora, uma dama dos palcos. “A ideia é provocar no público esse sentimento de passagem do tempo, a partir de uma observação da própria Nilda: ‘O tempo passou e eu nem percebi’. E, no fundo, cada um de nós vive algo parecido, um sempre sem medir as horas. E Nilda viveu o tempo do prazer, o kairós da mitologia. É uma vida vivida no teatro. A mente de Nilda relembra sua própria história em um delírio cultural. E ali o público vê a passagem de tempo do Brasil em uma Bahia nostálgica e boêmia, ‘saboreando a madrugada’, como ela gostava de dizer. E isso é muito gostoso de ver”, acrescenta Andrea.
Nilda Spencer – Atriz de teatro e cinema, Nilda Spencer (1923-2008) foi a primeira mulher diretora da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (Ufba), substituindo Martin Gonçalves, em uma época conturbada pelos movimentos estudantis. Anos antes, foi diplomada na primeira turma.
Com 52 anos de carreira, encenou espetáculos como Lábios que Beijei e Ensina-me a Viver. No cinema, participou de obras como Meteorango Kid, Dona Flor e seus Dois Maridos, Tenda dos Milagres, Caveira My Friend, Super-Outro e Eu, Tu, Eles.
Além de Andrea Elia, o elenco da peça conta com os atores Barbara Borgga, Caio Rodrigo, Cristiane Mendonça, Igor Epifânio, Lucas Valadares, Israel Barreto, Tato Seixas e Pandora.
O espetáculo também tem a participação de Hyago Matos na assistência de direção, Ray Gouveia na direção musical, Roberto Montenegro na direção de movimento e coreografias, Erick Saboya nos cenários, Zuarte Júnior nos figurinos, Irma Vidal na iluminação, Manuela Rodrigues na preparação vocal, e Rafael Grilo no vídeo.
Chamadão das Artes – O Chamadão das Artes Cênicas é uma chamada pública lançada pela FGM, com o objetivo de apoiar e reconhecer a trajetória de artistas de Salvador. A última edição registrou 336 inscrições em pouco mais de um mês, com propostas artísticas nas linguagens de teatro, dança e circo. Foram 241 inscritos no setor de teatro, 74 de dança e 21 de circo.
O Chamadão conta com aporte financeiro de até R$ 250 mil por projeto selecionado, chegando a um investimento total de R$ 2 milhões. Os recursos podem ser utilizados para montagem de espetáculo inédito ou remontagem/manutenção de espetáculo. Das 336 propostas enviadas, 181 foram para montagem de espetáculos inéditos e 155 para remontagem ou manutenção de espetáculos.
Foram contemplados também os seguintes espetáculos: Maria Vai Com as Outras, de Guilherme Hunder Chaves; Dupla de Dois: Experimento Gastronômico – Performativo para as Infâncias, de Gilson Garcia dos Santos; Arte Sintonia em Movimento, de Jorge da Silva Borges; Trilogia Vida, da DImenti Produções Culturais; Vermelho Melodrama: O Retorno (Ainda Mais Intenso e Visceral), de Pedro de Andrade Vieira; Palhaças do Subúrbio Ferroviário, de Vivianne Laert Cotrim Sampaio; Eu, Zuzu Angel, Agora Milito, da Dan Território de Criação; e A Vida é um Cabaré, da Cia Baiana de Patifaria.
