Salvador, 25 de fevereiro de 2026
Editor: Chico Araújo

Gestação tardia redefine maternidade no Brasil

Reprodução assistida amplia possibilidades

A gestação tardia deixou de ser exceção e passou a integrar o cenário reprodutivo brasileiro. Cada vez mais mulheres optam por engravidar após os 35 anos, movimento diretamente ligado a mudanças sociais, profissionais e culturais — e que tem na reprodução assistida uma importante aliada.

Dados do IBGE mostram que, nas últimas décadas, houve crescimento consistente no número de mulheres que têm o primeiro filho após os 30 anos. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que a fertilidade feminina sofre redução progressiva com a idade, especialmente após os 35, o que impacta o tamanho da família desejada.

Mudança de prioridades – Para a especialista em reprodução humana, Wendy Delmondes, coordenadora da unidade de Reprodução Humana do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), esse fenômeno está diretamente ligado às transformações no papel da mulher na sociedade.

“As mulheres entraram no mercado de trabalho, conquistaram educação, autonomia e passaram a priorizar outras realizações, inclusive materiais. Em muitos casos, há uma mudança de propósito de vida, que afasta a procriação e aproxima da autorrealização”, afirma.

A médica acrescenta que também houve redução da pressão social por famílias numerosas, o que contribuiu para o adiamento da maternidade.

Limite biológico – O adiamento, porém, traz consequências. A fertilidade feminina é limitada biologicamente e não acompanha o ritmo das transformações sociais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a chance de gravidez natural cai de forma mais acentuada após os 35 anos, enquanto aumentam os riscos obstétricos.

“O que vemos com frequência são mulheres com mais idade que se arrependem de não terem tido filhos ou de não terem formado a família do tamanho que desejavam, justamente por causa do limite imposto pela idade biológica”, explica a Drª Wendy.

Reprodução assistida em alta – Nesse contexto, a reprodução assistida ganha protagonismo. Técnicas como fertilização in vitro (FIV) e congelamento de óvulos têm ampliado as possibilidades reprodutivas, inclusive como estratégia preventiva.

“Antes dos 35 anos, congelar óvulos quando eles ainda são bons pode ampliar muito as opções reprodutivas para o futuro”, destaca a especialista.

A tendência é global. Em países como a Dinamarca, referência em políticas de saúde reprodutiva, cerca de 12% dos nascimentos já eram decorrentes da medicina reprodutiva em 2020, segundo dados oficiais europeus.

Nova dinâmica familiar – A médica observa que esse cenário pode estar associado a uma nova etapa da revolução de gênero, com maior participação masculina no cuidado do lar e dos filhos.

“Os homens começam a contribuir mais com o trabalho dentro de casa, fortalecendo as famílias e promovendo maior igualdade nos papéis familiares. Essa redefinição pode influenciar positivamente a decisão de ter filhos”, avalia.

Legado e escolhas – Apesar do avanço tecnológico, os especialistas reforçam que a reprodução assistida não elimina completamente os efeitos do tempo sobre a fertilidade. Por isso, informação e planejamento são considerados fundamentais.

Além dos aspectos biológicos, Wendy Delmondes chama atenção para a dimensão afetiva e social da maternidade. “Precisamos fortalecer os valores familiares e reconhecer as alegrias proporcionadas pelos filhos. Eles têm um papel importante na transmissão do nosso legado moral”, conclui.

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