Salvador, 8 de setembro de 2026
Editor: Chico Araújo

Hormônios femininos em foco

Endocrinologista da Afya Salvador afirma que nem todo caso de saúde mental da mulher requer psiquiatria ou psicologia

de”, e só procurar avaliação quando o quadro já está mais avançado. Soma-se a isso a desinformação nas redes sociais: modismos, “protocolos hormonais” sem indicação e promessas de soluções rápidas, que confundem e atrasam o diagnóstico correto. Ainda existe um componente emocional: culpa e estigma, especialmente quando o assunto envolve peso, fertilidade, libido ou saúde mental. Muitas mulheres evitam buscar atendimento por receio de serem julgadas, minimizadas ou de receberem orientações genéricas”.

Estudo da ONG Think Olga mostra que 86% das mulheres se sentem sobrecarregadas com uma pesada carga de responsabilidades, que vão desde seu desempenho profissional, passando por seu papel enquanto cidadã e cuidadora de filhos, pais e da própria casa. A conhecida tripla jornada repercute no corpo através de alterações metabólicas, piora na qualidade do sono, menor tempo para o autocuidado e, tudo isso, desencadeia maiores riscos de desequilíbrios hormonais.

Para o Relatório “Mulheres, trabalho e jornada no Estado da Bahia”, o desafio exige um olhar interdisciplinar entre: saúde ocupacional, tempo de lazer, suporte familiar e comunitário. Uma realidade distante para elas.

Segundo a Câmara de Vereadores de Salvador (2024), o índice de depressão grave entre mulheres foi estimado em 10,17%, quase 2% a mais que no sexo aposto, e uma das consequências está na íntima relação entre o corpo hormonal e o cérebro. Sobre isso, Drª Hanna, endocrinologista e professora da Afya Salvador, alerta para o fim do tabu de que todo problema de saúde mental é psiquiatria ou psicologia. Para ela, a endocrinologia participa dessa rede porque quando se trata de hormônios, metabolismo, sono e ciclo menstrual, tudo se entrelaça com o cérebro.

“Em Salvador e região metropolitana alguns fatores atuam como agravantes silenciosos da saúde mental das mulheres, especialmente quando associados à sobrecarga cotidiana: desigualdade socioeconômica, que impõe insegurança financeira e limita acesso contínuo à saúde; o tempo prolongado de deslocamento urbano, que reduz horas de sono e autocuidado; a exposição crônica ao estresse decorrente de múltiplas responsabilidades; e a naturalização da exaustão feminina, culturalmente aceita como parte do papel social da mulher. Já na Bahia como um todo, fatores ambientais como calor intenso impactam significativamente no bem-estar. Imaginem uma mulher menopausada apresentando os “fogachos” no calor da Bahia, quão desconfortável pode ser?”, conclui.

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