Salvador, 31 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Hepatites: prevenção e vacinação são essenciais para conter disseminação

As hepatites virais são infecções silenciosas que afetam o fígado e representam um sério problema de saúde pública. No mundo, as mortes causadas pela doença estão aumentando e já são a segunda principal causa infecciosa de óbito, com 3,5 mil pessoas falecendo por dia e 1,3 milhão por ano, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar da natureza muitas vezes assintomática, as hepatites virais podem ser controladas com o diagnóstico precoce, melhoria no saneamento básico, acesso a tratamento adequado e, principalmente, a vacinação.

No Paraná, a cidade de Curitiba enfrenta um surto de hepatite A. De acordo com um boletim epidemiológico da Secretaria Municipal da Saúde, mais de 360 casos foram registrados entre janeiro e julho de 2024, representando um aumento de 7.220% em comparação com os cinco casos diagnosticados no mesmo período do ano passado. Como as hepatites podem causar sintomas agudos e, em casos crônicos, levar a complicações graves, a capital paranaense também registrou cinco mortes relacionadas à doença e um transplante de fígado.

Quais são os diferentes tipos de hepatites?

Existem cinco tipos de hepatites virais — A, B, C, D e E —, além de outras causadas por distúrbios autoimunes, medicamentos e drogas. Entre as mais comuns, a hepatite A, que geralmente aparece na infância e adolescência, é conhecida por seus sintomas iniciais sutis, que incluem febre, mal-estar e icterícia. Já as hepatites B e C são mais preocupantes devido à sua capacidade de evoluir para formas crônicas severas, como cirrose e câncer de fígado.

“As hepatites B, C e D são transmitidas por fluidos corporais infectados, incluindo relações sexuais desprotegidas, transfusão de sangue e compartilhamento de agulhas. Seus sintomas variam desde um quadro assintomático a um quadro agudo com febre, dor abdominal e icterícia”, explica o gastroenterologista e hepatologista Jean Tafarel, dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru. Já a hepatite E, menos grave exceto em casos fulminantes, não possui vacina e pode afetar pessoas de todas as idades, especialmente mulheres grávidas.

Como se vacinar contra a hepatite?

As infecções mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C, sendo que os subtipos A e B são preveníveis por vacina, disponibilizada gratuitamente pelo SUS. “O sistema de saúde oferece ampla vacinação contra a hepatite B e, desde 2014, a vacina de hepatite A tem sido administrada em crianças de 1 a 5 anos e aos adultos do grupo de risco descritos no protocolo no Ministério da Saúde. Isso é fundamental para protegermos a população e contermos a disseminação dessas doenças infecciosas”, explica o médico Jean Tafarel.

A vacina contra a hepatite A é oferecida em duas doses, com intervalo de seis meses, e está disponível nas Unidades Básicas de Saúde e na rede privada. Já a vacina contra a hepatite B é administrada em três doses e é recomendada para todas as faixas etárias, especialmente para gestantes não vacinadas. Ambas as vacinas são amplamente acessíveis e desempenham um papel crucial na prevenção da doença.

“Apesar dos avanços da medicina, a hepatite continua sendo difícil de erradicar. Sem a manifestação dos sintomas, muitos não sabem que estão infectados e tornam-se vetores da doença. Diante desse quadro, a melhor forma de evitar a hepatite ainda é a prevenção e a vacinação”, avalia o hepatologista.

Qual é a prevenção?

Além da vacinação, algumas medidas podem ser tomadas para prevenir a contaminação. A hepatite A é mais comum em áreas com saneamento básico precário, sendo a higiene a principal forma de prevenção. Isso inclui lavar bem as mãos antes de comer, higienizar os alimentos consumidos crus e evitar contato com água contaminada. No caso das hepatites B, C e D, é fundamental não compartilhar objetos pessoais como lâminas de barbear e seringas, além de usar preservativos nas relações sexuais.

Para o diagnóstico precoce, o hepatologista Jean Tafarel enfatiza a importância de realizar exames de forma regular, especialmente aqueles em grupos de risco. “Essa abordagem permite iniciar tratamentos mais eficazes, reduzindo as chances de complicações graves. Portanto, manter consultas periódicas com o médico e seguir as orientações de vacinação são medidas essenciais na prevenção e no controle das hepatites virais”, complementa o médico dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru.

“Promover a vacinação e conscientizar sobre as medidas preventivas pode ajudar a controlar a disseminação das hepatites virais. É essencial que a população esteja informada sobre os riscos e as formas de prevenção, visando reduzir o número de novos casos e melhorar a qualidade de vida daqueles já infectados”, finaliza Jean Tafarel.

Veja também

VIC
Vitoria perde para o Coritiba e termina a rodada próximo do Z-4
No fechamento da 33° rodada o Vitoria não suportou a pressão do Coritiba e perdeu por 2×0, no Couto...
BRT
Evento na orla altera operação do BRT de Salvador no próximo domingo
Em virtude de um evento que será realizado na orla de Salvador neste domingo (01), das 16h às 23h30,...
salvamar_foto_lucas_moura_secom_pms_2
Salvamar reforça efetivo e amplia postos de salva-vidas nas praias de Salvador durante feriadão de Finados
Para o feriadão de Finados, a Coordenadoria de Salvamento Marítimo de Salvador (Salvamar) contará com...
unnamed (1)
Agora agenciado pela mesma empresa de Vini Jr., Ítalo marca na vitória do Ural e mantém vivo o sonho do acesso na Rússia
O Ural conquistou uma vitória importante na Segunda Divisão do Campeonato Russo ao superar o Chelyabinsk...

Opinião

ucsal
UCSal: semeando saberes e sonhos ao longo de 65 anos