Salvador, 31 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Julho verde alerta para importância do diagnóstico precoce de câncer de cabeça e pescoço

Desde 2017, a campanha Julho Verde chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço. A iniciativa tem o propósito de conscientizar a população sobre o problema, disseminando informações sobre prevenção e detecção precoce desses tumores. O objetivo é alcançar tanto o público em geral quanto os profissionais da saúde, que muitas vezes não sabem reconhecer os sinais da doença.

O Coordenador de Oncologia Clínica do Hospital Mater Dei Salvador, Cleydson Santos, destaca que os tumores de cabeça e pescoço abrangem uma variedade de tipos que afetam áreas como os lábios, cavidade oral, faringe, laringe, cavidade nasal e nasofaringe. “Outro grupo relevante é composto pelos tumores das glândulas salivares, como a parótida, submandibular e sublingual. Há também os cânceres de tireoide e os da pele da região da cabeça e pescoço”, ressaltou.

Dados do Instituto Nacional do Câncer mostram que tumores de boca e laringe somam mais de 20 mil novos casos por ano, sendo o terceiro mais comum entre os homens no Brasil (atrás apenas do câncer de próstata e pulmão). Trata-se de um tipo de câncer com significativa mortalidade no país, especialmente porque a maioria dos pacientes já apresenta doença avançada quando o diagnóstico é feito. Isso faz com que o diagnóstico precoce seja o maior desafio no enfrentamento da doença.

Conforme o especialista, o principal fator de risco é o tabagismo, que inclui todas as formas de consumo de tabaco como charutos e cachimbos. Além disso, o alcoolismo, frequentemente associado ao tabagismo, e condições como o mau estado da saúde oral, incluindo pacientes com periodontite e cáries não tratadas, próteses e dentaduras mal adaptadas, e higiene oral inadequada, são fatores significativos. “Outro fator emergente é a infecção pelo vírus HPV, transmitido sexualmente, que está fortemente ligada ao câncer de orofaringe, onde estão localizadas as amídalas” reforçou Cleydson.

“Para os pacientes que são tabagistas, ou que foram tabagistas, a gente recomenda uma avaliação pelo menos anual com o dentista ou com cirurgião de cabeça e pescoço na procura por lesões que possam ser suspeitas e que precisem de biópsia”, acrescentou.

Em relação aos sintomas, a depender da localização do tumor primário, o paciente pode ter feridas que não cicatrizam na região da boca, do nariz, etc, sangramentos, dor nessa região, aumento das amígdalas, nódulos na região do pescoço, emagrecimento, dificuldade para deglutir, para engolir, rouquidão, entre outros.

“Sabendo os fatores de risco, é possível prevenir os tumores abandonando ou não começando o tabagismo, com o consumo moderado de bebidas alcoólicas e reforçando o uso de protetor solar, incluindo na região dos lábios. Além disso, é imprescindível a utilização de preservativo na hora das relações sexuais e orais e a vacinação contra o HPV para meninas e meninas a partir de 9 anos que está inclusive disponível no SUS”, orientou o oncologista.

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