Salvador, 22 de janeiro de 2026
Editor: Chico Araújo

Junho Laranja: Bahia reforça alerta sobre anemia e leucemia com foco na prevenção e diagnóstico precoce

Embora não seja tão conhecida como outras campanhas de saúde, o Junho Laranja ganha relevância crescente a cada ano ao iluminar duas doenças hematológicas que afetam milhões de brasileiros: a anemia e a leucemia. A campanha busca conscientizar sobre a importância da prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado dessas enfermidades, que podem comprometer seriamente a qualidade de vida e, em casos mais graves, a sobrevida dos pacientes.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados 11.540 novos casos de leucemia por ano no Brasil, no período entre 2023 e 2025, com um risco estimado de 5,33 casos por 100 mil habitantes. A leucemia, que pode acometer tanto crianças quanto adultos, é uma doença maligna que afeta o sangue e a medula óssea, comprometendo a produção normal das células sanguíneas.

Há diferentes subtipos, como a leucemia linfoblástica aguda, mais comum em crianças; a leucemia mieloide aguda, que predomina em adultos; a leucemia linfocítica crônica, geralmente de progressão lenta e mais comum em idosos; e a leucemia mieloide crônica, que apresenta curso variável e pode ser tratada com terapias-alvo específicas.

A hematologista do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), Liliana Borges, ressalta que o diagnóstico precoce faz toda a diferença no tratamento. “A leucemia pode se manifestar de forma súbita e agressiva. O reconhecimento dos sintomas iniciais, como fadiga, palidez, febre e sangramentos, é fundamental para iniciar o tratamento o quanto antes, aumentando as chances de cura”, explica. Ela acrescenta que a falta de conhecimento sobre os sintomas e as alterações nos exames básicos de sangue como o hemograma ainda é uma barreira para o diagnóstico rápido.

 

Já a anemia é caracterizada pela redução da concentração de hemoglobina no sangue, o que compromete o transporte de oxigênio para os tecidos do corpo. A anemia ferropriva, causada pela deficiência de ferro, é a mais comum no Brasil, afetando 20,9% das crianças com menos de cinco anos, segundo dados do Ministério da Saúde. No entanto, há também outras formas, como a anemia megaloblástica, associada à deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico; a anemia hemolítica, decorrente da destruição precoce das hemácias; e a anemia falciforme, uma doença hereditária que deforma os glóbulos vermelhos e afeta majoritariamente a população negra.

Para a hematologista Luciana Di Paolo, também do HMDS, os grupos mais vulneráveis precisam de atenção especial. “Crianças, gestantes e mulheres em idade fértil são as mais afetadas pela anemia ferropriva. A suplementação de ferro, aliada a uma alimentação balanceada, é essencial para prevenir e tratar a doença”, afirma. Ela acrescenta que “a anemia pode ser também um indicativo de doenças mais graves, por isso a investigação laboratorial é indispensável”, conclui.

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