Salvador, 27 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Mariana: vítimas pedem que governo rejeite acordo de mineradoras

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) divulgou uma carta aberta em que pede a rejeição da proposta das mineradoras Vale e BHP Billiton, apresentada na Mesa da Repactuação Rio Doce.

No documento, o movimento reivindica “um acordo coerente, que considere a centralidade das vítimas e sua reparação integral, não os interesses especulativos e imediatistas de quem há anos segue impune pelos seus crimes.” A entidade encaminhou o documento ao governo federal e solicita ainda uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com o MAB, as empresas buscam um acordo estimado em aproximadamente R$100 bilhões, porém o montante, conforme a entidade, não é suficiente para garantir uma reparação integral a todas as famílias atingidas. “Pretendem repassar para o governo federal a obrigação de resolver os problemas não solucionados”, diz o documento.

A associação estima que o valor relativo ao desastre de Mariana deveria ser de pelo menos R$ 500 bilhões, quando comparado ao acordo firmado pela Vale na tragédia de Brumadinho.

“Os valores debatidos nas negociações da repactuação são totalmente insuficientes para a reparação dos danos individuais, das compensações coletivas, da recuperação do meio ambiente, tampouco da inclusão de áreas atingidas que nunca foram reconhecidas pelas empresas. É o caso do sul da Bahia e algumas regiões do litoral do Espírito Santo”, alegam.

O atingidos argumentam que não estão participando das negociações do acordo, que, segundo o movimento, “será um mau exemplo internacional visto que todas as negociações estão ocorrendo a portas fechadas, coordenadas pelo judiciário brasileiro que nega a participação dos atingidos e mantém os documentos em sigilo”.

O movimento ainda menciona tentativas de impedirem que acessem a justiça nos países de origem das mineradoras. O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que representa as maiores mineradoras do país, moveu uma ação onde busca impedir que municípios brasileiros ingressem com ações em tribunais estrangeiros. A entidade alega ser inconstitucional que entes federativos se envolvam em litígios no exterior.

“Somos mais de 1 milhão de atingidos que depositam suas esperanças em busca do que nos foi negado. Não permita que o judiciário, os governos e as instituições de justiça fechem um acordo que decide o futuro de milhares de pessoas sem sequer consultar as vítimas do processo, atingidas e atingidos”, afirma o documento.

Procurada pela reportagem, a Vale não se manifestou, até o momento, sobre o documento do movimento.

Agência Brasil

Veja também

morto
Chapada Diamantina: jovem de 20 anos é morto a tiros; violência gerou tumulto
Um jovem de 20 anos foi morto a tiros na madrugada desta segunda-feira (26), no centro de Itaberaba,...
Feira de Santana - ACM (2)
Prefeitura na Bahia é punida após expor dados de 1,2 mil pessoas, incluindo pacientes com HIV
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) puniu a Prefeitura de Feira de Santana, segunda maior...
Lapa
Mudanças em pontos de ônibus da Estação da Lapa são adiadas e terão início nesta terça-feira
A Secretaria de Mobilidade (Semob) adiou mais uma vez o início das alterações em pontos na Estação da...
Polícia civil
Polícia Civil resgata homem sequestrado em Pirajá e mantido em cativeiro no Calabetão
A Polícia Civil libertou nesta segunda-feira (26) um homem que havia sido sequestrado durante a madrugada...

Opinião

ucsal
UCSal: semeando saberes e sonhos ao longo de 65 anos